CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

A agricultura brasileira registra fatos interessantes. Os indígenas deram o pontapé inicial no cultivo agrícola. Depois, os nativos tomaram a iniciativa de seguir em frente, plantando mandioca, amendoim, batata doce e milho.

Tempos depois surgiu o extrativismo vegetal, quando a população da época percebeu que depois de comer o babaçu, o pequi, a jabuticaba, o caju, a cajá e a goiaba, sobravam algumas fatias aproveitáveis. Aí, passaram a aproveitar também a palha e a madeira das plantas para muitas utilidades domésticas e profissionais. Abrindo brechas para a indústria madeireira.

Todavia, foi o monocultivo da cana de açúcar, no Nordeste do século XVI, com a política das Capitanias Hereditárias, que incentivou os agricultores a tirar proveito também da cafeicultura. Foi o período colonial que deu aquele grau na tarefa rural, mediante a exploração da mão de obra escrava.

De repente, apareceu a Revolução Verde. Essa Revolução trouxe o emprego de novas técnicas agrícolas que começaram a chamar a atenção da indústria. Essa sociedade, incentivou a extensão de novas monoculturas voltadas exclusivamente para a exportação.

Aos poucos, o Brasil fez uma longa travessia. Subiu alguns degraus no ramo da produção rural. Saiu da monocultura, entrou no agronegócio. Passou da fase da agricultura de subsistência, pulou para a diversificação agrícola.

Na cultura de subsistência, no minifúndio, o produtor cultiva alimentos apenas para sustentar a família, garantir a sobrevivência dos filhos e o pouco que sobrar da colheita, vender na feirinha para arranjar uns trocadinhos.

Na monocultura, predomina o plantio de uma única cultura. Característica dos latifúndios. Latifúndios são enormes propriedades rurais, pertencentes geralmente a famílias, que, ao invés de aproveitar a imensa extensão de terra para plantar variadas leguminosas, como feijão, grão de bico, lentilhas, fava e amendoim, dedicam-se somente a plantar um único tipo de cultura vegetal. A soja, predomina. Típico exemplo de monocultura modernizada.

Como visava abastecer apenas o mercado interno, as técnicas de produção eram mínimas e a produtividade, baixíssima. Nesta época, era comum a utilização de mão de obra escrava, arduamente explorada na plantação de cana de açúcar, tabaco e café. Copiando os exemplos adotados na região sul dos Estados Unidos, do século 19.

No início, o latifúndio exigia poucos investimentos. Ideia de exploração econômica não existia, então, a produção era praticamente improdutiva. A prática adotada pelo período colonial, começou com a distribuição de imensas terras, através das capitanias hereditárias e o regime de sesmarias.

Atualmente, depois da descoberta da grandeza do mercado externo, as empresas familiares tomaram conta. Então, os latifúndios passaram a empregar maquinário pesado, moderna tecnologia e mão de obra assalariada.

Mas, a monocultura, apesar de proporcionar benefícios, como a aplicação de herbicidas, visando controlar as pragas e as doenças nas plantas e gerar bons resultados econômicos, traz também algumas desvantagens. Favorece o desmatamento, causa impacto ambiental, inclusive de biodiversidade, acaba agredindo os recursos hídricos, quando a irrigação é feita sem planejamento.

Depois de descobrir que as terras brasileiras eram joias para o plantio de grãos, o país realmente acordou para o sucesso. Contando com o apoio cientifico, a oferta de insumos modernos, maquinário atualizado e uma política agrícola mais eficiente, a produção agrícola brasileira deslanchou.

O incentivo surgiu após a comprovação de que as terras brasileiras eram de fato férteis para a cultura de grãos e o agronegócio era o melhor caminho para deslanchar no meio rural. A disponibilidade de vasto campo estimulou o agricultor a produzir comida barata para uma população que cresce aceleradamente.

Bastou juntar o avanço da ciência para oferecer insumos modernos, crédito subsidiado, inovações tecnológicas, pesquisas disponíveis. Eficientes técnicas de correção do solo, a descoberta do cerrado e política agrícola para o capital aparecer e levar adiante a vontade de transformar a até então cansada agricultura em uma fonte de renda fixa e crescente.

Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do planeta. Porém, cabe aos Estados Unidos o privilégio de ser o maioral na produção em foco. No entanto, atualmente o país recebe os cumprimentos por bater recorde na safra de grãos de 2019/20 que marcou 257,8 milhões de toneladas de grãos.

A expressividade está no fato de que em 1980, o país colheu apenas 50,8 milhões de toneladas de grãos. Apesar da totalidade de áreas agricultáveis, 152,5 milhões de hectares, só utilizar no momento cerca de 62 milhões de hectares.

No Brasil, os estados que se destacam na cultura agrícola são Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso. A soja é o destaque, seguido do milho, arroz, café, trigo e feijão.

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