A PALAVRA DO EDITOR

Problemas internos é o que não falta no Brasil. Tem demais. Além da conta. Por causa da ineficiência e desinteresse de mandatários, parlamentares e autoridades, especialmente as do Judiciário, o país só faz acumular contratempos, revelar agruras, mostrar dificuldades, gerar insatisfação, todo santo dia.

O cidadão pode até contar nos dedos. Mas, são tantos os problemas que a sociedade se perde na contagem. Fica confusa quanto ao rumo a tomar. Enquanto as prioridades não forem traçadas, o tempo passa e os reflexos das crises econômicas e sociais se amontoam nos cantos do país para tristeza e decepção da população que, desassistida e sem apoio, prefere se acomodar no silêncio. Lamentando ter nascido num país sem escrúpulos. Sem moral e sem vergonha na cara.

Diante de tantas crises, o Brasil tem experimentado sucessivas derrotas. Faz três anos, a economia se arrasta. Sofre desaceleração do PIB. A expansão econômica é mínima. Por conta disso, o que mais os analistas fazem é revisar as previsões de expansão. Revigorando o pessimismo sobre a retomada do crescimento. Gerado pelas incertezas que bombeiam a política nacional.

Na década de 90, o tripé de metas, fiscal, de inflação e de câmbio flutuante falharam. Na seguinte, após alguns ajustes, houve ligeiro aquecimento econômico que ruiu por falta de investimentos.

Diversos fatores, todos de natureza estruturais, contribuíram para a derrubada econômica. Tremenda burocracia, pesada e complexa carga tributária, deficiente patamar de infraestrutura, mão de obra desqualificada e excessivos gastos.

Daí a necessidade urgente de reformas gerais, a todo custo para evitar os desastres de 2011 e 2014, revelados por recessão. Não tem outro caminho. As reformas são as únicas indicações para retomar o crescimento econômico e gerar empregos.

Afinal, é inconcebível o pais trabalhar duas mil horas por ano só para pagar impostos. Ter um quadro de empresas nacionais, onde 99% dessas firmas são do porte de micro e de pequenas empresas que respondem apenas por 28% do PIB.

Como pode um país pensar em crescimento se não oferece o fundamental, o microcrédito. Com juros baratos. São os juros nas alturas que estimulam a concentração de bancos. Poucos bancos mandam no mercado. Ampliam os lucros. Desestimula o aparecimento de concorrentes.

No ano de 2019, o cenário também não é animador. Comparado ao último trimestre de 2018, os primeiros três meses registraram queda do PIB em 0,2%. O setor que mais provocou queda foi o industrial.

Devido a recessão técnica veiculada no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), o PIB também caiu no segundo trimestre de 2019. A queda foi de 0,13%. Ao lado da indústria, o setor de serviços também derrubou a atividade econômica em abril, maio e junho.

Passado o primeiro semestre, cheio de turbulências, dá para tirar algumas conclusões sobre o que pode acontecer nos próximos meses.

Como perderam tempo em debates, o ano praticamente passou sob inquietação e a atividade econômica não recebeu injeções de ânimo. Investimento que é bom, nada, passou longe. Não desembarcou no porto brasileiro. Deixou o fogo da ativação econômica apagado.

A inflação é voraz. Afeta o poder de consumo das famílias, eleva o custo de vida, comprime o orçamento da classe média. Sem poder de reação, devido aos aumentos na taxa de condomínio, na mensalidade escolar, no plano de saúde, na majoração do preço de serviços, cobrado no conserto de equipamentos domésticos com defeito.

O desemprego continua alto. O avantajado número de 12,3 milhões de desempregados, assusta. As empresas atoladas com o sintoma da inadimplência, assim como os consumidores que não conseguem quitar os compromissos em dia, em virtude do salário apertado, vivem com a corda no pescoço. Cheios de preocupação. Obrigados a reduzir compras.

A esperança para este final de ano é a liberação de cotas do FGTS para serem injetadas no consumo.

A reforma da Previdência, de tantas puxadas de ideias, não é suficiente para colocar confiança na praça.

Além disso, três temas não podem ser esquecidos quando se pensa na retomada da confiança geral e na recuperação da economia. O endividamento das famílias, empresas e governos barram o consumo e os investimentos.

Os gastos públicos mal feitos e os investimentos injetados em setores pouco recomendáveis desaceleram o sonho de crescimento. As contas públicas mal geridas engessam todos os planos de investimentos no país. A agitação internacional é outro coice nos projetos de recuperação econômica brasileira.

No entanto, caso o pais entre firme na melhora da produtividade, a expectativa é de que o cenário comece a engrenar nos próximos anos. Ultrapasse as previsões pessimistas. Reaja positivamente.

Assim, espera o cidadão brasileiro.

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