PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Plenilúnio de maio em montanhas de Minas!
Canta, ao longe, uma flauta e um violoncelo chora,
Perfuma-se o luar nas flores das campinas,
sutiliza-se o aroma em languidez sonora.

Ao doce encantamento azul das cavatinas,
nessas noites de luz mais belas do que a aurora,
as errantes visões das almas peregrinas
vão voando a cantar pela amplidão afora…

E chora o violoncelo, e a flauta, ao longe, canta.
Das montanhas, brilhando, a névoa se levanta,
banhada de luar, de sonhos, de harmonia.

Com profano rumor, porém, desponta o dia;
e, na última porção da névoa transparente,
a flauta e o violoncelo expiram lentamente.

Antônio Augusto de Lima, Nova Lima-MG, (1859-1934)

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