PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Pela rua da Rosa eu caminhava
Eram sete da noite, e a piça tesa;
Eis puta, que indicava assaz pobreza,
Com um lencinho à janela me acenava.

Quais conselhos? A piça fumegava;
“Hei de seguir a lei da natureza!”
Assim dizia e efetuou-se a empresa;
Prepúcio para traz à porta entrava.

Sem que saúde a moça prazenteira
Se arrima com furor não visto à crica,
E a bela a mole-mole o cu peneira.

Ninguém me gabe o rebolar de Anica;
Esta puta em foder excede a freira,
Excede o pensamento, assombra a pica!

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setubal, Portugal (1765-1805)

Deixe uma resposta