O café à mesa soltava ao ar uma fumaça tênue em movimentos não ensaiados, subindo numa dança do ventre orquestrada nos compassos da brisa entrando pela janela semiaberta da cozinha.
Lá fora o tempo estava frio.
Dois biscoitos de canela, deitados sobre um guardanapo de papel, observavam os movimentos da fumaça alinhados ao parsianismo da brisa fria.
Sobre a mesma mesa, sob o pote com açúcar demerara, uma folha de papel retirada da agenda presenteada pelo banco, trazia o nome dele escrito no topo. Um bilhete que a caneta esferográfica azul, repousando destampada e exausta sobre o papel, tentara escrever; mas não encorajara com eficiência a mão trêmula que a segurava havia duas horas.
Lá dentro tudo era silêncio.
Sentado de pernas cruzadas, a coxa direita sobre a coxa esquerda, ele olhava para o infinito pela brecha da janela.
O ritmo do seu coração parecia ditar os ensaios e requebrados da fumaça subindo em câmera lenta.
Nele tudo era tristeza.
Sentada num banco da estação de trens, ela observava a fumaça de uma fábrica se espalhando rápida, volumosa e negra pelo espaço aberto.
Quase nada ali parecia ter vida.
Limpou outra vez as águas dos olhos.
A tampa da caneta, no escuro de uma bolsa de couro preto, chorava a dor da separação.
O próximo trem seria o dela.
Jesus, investe nessa área. Escreve um romance daqueles bem chorado feito os de Zíbia Gasparetto
Talvez um livro de contos.
De contículos.
E verdadeiro para muita gente.
Para muita tampa de caneta.
Risos.
Esse contículo tem o cheiro, a temperatura e as cores do velho continente. Senti-me como se estivera na estação de trem de Praga despedindo-me de um amor de inverno. Seus escritos aguçam os cinco sentidos.
Fiquei todo ancho em saber.
Obrigado por participar, Moça.
Um verdadeiro poema em prosa.
Parabéns, grande poeta Jesus de Ritinha de Miudo!
Adorei o lirismo.
Bom domingo!
Agradeço seu carinho, Violante.
Jesus de Ritinha,
Você me lembrou Eliete, morena, 17 anos, olhos de gato. O rosto, pele de pêssego. Nós dois, uma só paixão avassaladora em Carpina- (PE).
Terminamos o Curso Ginasial. Ela viajou a contragosto do pai para outro estado, e até hoje vive no meu coração.
Não foi paixão à primeira vista. Foi amor no primeiro beijo.
Brigadaço por SEPARAÇÃO E DOR.
Cícero, lamento por esse final.
Mesmo sem saber se depois de Eliete outro amor ainda maior tenha chegado.
Chegou?
Não!
Eu não deixei bem claro no meu comentário, mas ela foi-se de Carpina para o Maranhão porque o pai dela foi transferido a trabalho da Great West. Era engenheiro civil.
Na nossa despedida, nós derramamos tantas lágrimas que molhamos nossos lenços.
Eu fiquei com o dela e ela ficou com o meu.
Até hoje eu sinto falta dela, apesar de ter tocado a vida em frente,
Nossa querida cronista Violante Vivi sabe explicar bem, à luz dos seus conhecimentos emocionais, esse fenômeno moral.
Fosse hoje, em plena era das Redes Sociais, nós estávamos mais juntinho do que parafuso em rosca.
Outra ocupou dignamente o lugar de Eliete, ou ele joje está vago?
Caso afirmativo para a vacância, que tal uma busca no Google?
O amor não se perde no tempo, nem perde tempo.
Jesus,
Tu estás cada dia melhor.
Tá bom de reunir uma série de contos (poemas ?) como este em um livro.
Adônis, um elogio desses deixa qualquer escrivinhador como eu todo cheio de pernas.
Sou teu fã.