JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

Selecionado “Cacareco” que derrotou a seleção alemã na Ilha do Retiro

“Nado está melhor do que Garrincha.”

(A declaração do técnico da seleção alemã Helmut Schoen)

O goleiro era Dudinha, que se transferira do Central para o Sport, contando o restante da equipe com: Gena (Náutico), Alemão (Sport), Baixa (Sport) e Jório (Santa Cruz); Gojoba (Sport) e Ivan (Náutico); Nado (Náutico), Bita (Náutico), Pelezinho (Sport) e Lala (Náutico). Eram sete pernambucanos, dois maranhenses, um paraibano e um paulista. No transcorrer da partida entraram mais dois pernambucanos: Toinho, do Náutico, substituiu Jório, e Nino, também do Náutico, entrou no lugar de Pelezinho.

O meio-campo acertou. Naquele tempo jogava-se no 4-2-4. Alimentando o ataque estava Ivan, que fazia o mesmo serviço no quase tricampeão Náutico, enquanto o volante rubro-negro Gojoba ficava na marcação, porém, um pouco mais adiantado.

O também rubro-negro Pelezinho, maranhense como Gojoba, descia um pouco para buscar o jogo. Na frente, Bita, um atacante de altíssimo nível, atento, criativo e oportunista, possuindo assim, todas as virtudes do goleador. Os alemães tinham informações sobre o potencial do chamado Homem do Rifle e procuraram marca-lo de perto.

Na extrema-direita, para abrir a defesa, Nado, irmão de Bita, e grande driblador. Só que nado não fez a partida que se esperava e mesmo assim levou Schoen a considera-lo em melhor fase do que Garrincha. Vale salientar que foi de uma falta cometida em Nado que o jogo se decidiu.

Aos 39 minutos do segundo tempo, Nado foi derrubado nas imediações da grande área, criando mais um momento de expectativa na Ilha do Retiro. Ele mesmo se encarregou da cobrança. Companheiro de Nino, emérito cabeceador que substituíra Pelezinho, Nado cruzou fechado. O goleiro alemão Mangletz afastou de soco, e Gojoba, que vinha de trás, completou para a rede.

A Ilha do Retiro foi ao delírio. Dali para a frente foi só segurar o placar, pois só faltavam seis minutos. Pernambuco dobrava o time alemão, para felicidade de Rubem Moreira, que dava assim a resposta aos cartolas da CBD.”  – Lenivaldo Aragão e Fernando Menezes. Jornal do Comércio, 22 de maio de 2000.

Hoje resolvi dar um passeio pelo futebol. Desde 1965 estou envolvido com o futebol. Nunca fui jogador. Fui Árbitro profissional, atuando na então FCD (Federação Cearense de Desportos) e, depois, na Federação Carioca de Futebol.

Tenho visto e discordado com a desmoralização que a FIFA está empurrando goela à baixo das confederações, com a obrigatoriedade da implantação do VAR que, no Brasil – país de hábitos diferentes do resto do mundo – não está “ajudando” em nada. Pelo contrário, está tirando a autoridade do Árbitro central que, ainda que esteja a dois metros de algum lance e tenha a sua própria interpretação e decisão, tem que ouvir e adotar o que o VAR determina. Uma merda.

Quanto ao futebol propriamente dito, na noite de quinta-feira vimos uma sofrível seleção brasileira confirmar a classificação para a próxima Copa do Mundo, atuando diante adversários que nunca ofereceram resistência alguma. E isso fez com que todos passassem a acreditar que a conquista de mais um mundial será uma barbada.

O Brasil está praticando o futebol onde o mais importante é a “posse de bola” e a juventude passou a elogiar mais o jogador que “faz a assistência (passe final)” que o próprio goleador. O que se vê, sempre e em todos os jogos, é um toque lateral ou um toque para trás. Sem verticalidade, sem objetividade e, claro, sem gols.

Tenho visto, também, com muita preocupação a situação técnica e administrativa-financeira de clubes que algum dia foram a razão de ser do futebol brasileiro: Santos, Cruzeiro, Botafogo, Vasco, Grêmio, São Paulo. Não tem sido diferente a penúria de Náutico, Santa Cruz e Sport Club Recife, além de Esporte Clube Bahia e Vitória.

O futebol brasileiro também passou a ser vítima do “politicamente correto” e, hoje, o que mais se vê, são protestos e mais protestos contra alguém que, indignado com a qualidade do futebol que seu time de preferência está praticando, rotula esse ou aquele jogador de “macaco” de “negro” ou algo semelhante. Uma verdadeira babaquice – e os babacas perdem tempo procurando uma solução. Mas, continuam afirmando e acreditando na teoria de Darwin.

10 pensou em “SAUDADE NÃO MATA – SÓ AJUDA A VIVER

  1. Meu pai, já falecido, disse uma vez que o Nautico Clube Capiberibe nunca mais formaria um timaço igual aquele que meteu 5 a um no Santos de Pelé na taça Brasil dos anos 60:
    Lula, gena, mauro, clovis e fraga. Miruca e Ivan. nado, bita, nino e lala!, :

    • Gilberto, grato pela leitura. esse texto em itálico não é meu. É do Lenivaldo Aragão e parceria com outro amigo. Na época desse Náutico que você falou (aliás, seu pai falou) eu morava em Fortaleza. Quero te ajudar a corrigir um pequeno lapso. Esse time aí já não contava mais com Miruca. O “volante” era Salomão, paraibano e, se ainda está vivo, hoje é médico. Esse Mauro, é o Mauro Calixto, cearense e Fortaleza. Apitei jogos dele no Ceará. Foi exatamente esse Mauro, que depois jogaria com Ivan Limeira, também cearense, que quase “inutilizou” o Salomão para o futebol. Numa jogada aérea, os dois (Mauro e Salomão) subiram pra a disputa e Mauro atingiu involuntariamente o Salomão com uma “joelhada”. Rebentou um dos rins dele e precisou fazer cirurgia. Depois foi para o Vasco e Santos. Lula Monstrinho; Gena, Mauro Calixto, Gilvan (Fraga) e Clóvis; Salomão e Ivan; Nado, Bita, Nino e Lala. Miruca era ponta-direita e foi negociado ao Palmeiras ou São Paulo.

        • Assuero: sinceramente falando, eu percebi o equívoco, pois trabalhei na “Revisão” quando iniciei como profissional do Jornalismo. Mas, se tem uma coisa que não gosto, é tentar “corrigir” quem não conheço ou não tenho intimidade. Vida que segue. Sempre soube que é Clube Náutico Capibaribe. Eu ainda acrescentaria (tal qual é conhecido – por nós cearenses, pois também temos em Fortaleza um Clube Náutico): Clube Náutico Capibaribe do Recife.

  2. Zé, coloca umas fotos tuas como árbitro. Diz quais partidas. A penúria que chegou o futebol brasileiro é fruto de todo de ruim que existe por aqui. Privilégios, corrupção, interesses particulares acima do coletivo. A maioria dos clubes brasileiros devem valores impagáveis ao INSS, ao FGTS, etc e por isso não conseguem participar de programas públicos. A Timemania foi criada pra ajudar, títulos de capitalização foram criados e isso não tem alavancado as receitas. No Santa Cruz, Maurício Pantera foi vendido por US$ 1,5 milhão e o dinheiro sumiu. Parte pra p bolso de dirigentes.
    A Laliga não permitiu que Messi continuasse no Barcelona porque o salário dele não tinha como caber no planejamento financeiro do clube. Aqui, contrata-se um cara que não joga porra nenhuma e vem ganhando tubos de grana. Passa três meses sem receber e vai pra justiça. Daniel Alves levou 15 milhões do são Paulo
    Finalmente, embora a seleção de 1970 tem marcado época eu sou fã da 1982. Não ganhou, mas o futebol demonstrado foi estupendo. Esbarrou num Paolo Rossi inspirado. Mas, lembro que o repórter disse que “toda seleção tem um estrela, o Brasil tem uma constelação”. Esse time de Tite e não vejo jogar nem que me paguem.

    • Assuero, agradeço a leitura. Vamos por parte: 1 – Quando eu fui Árbitro, nem de perto me passava pela cabeça a ideia de que algum dia seria, também, Jornalista. Eu não cultivava a ideia de “guardar fotos” – mas fiz algumas. Tenho uma que não sei por onde anda, que trabalhei como Auxiliar de Gilberto Ferreira num jogo amistoso Ceará x Santos, no estádio Presidente Vargas. Tá difícil, mas vou tentar localizar. Se encontrar, publico na hora. 2 – As partidas foram tantas, que não caberiam aqui. Trabalhei apenas dois anos na Federação Cearense, pois mudei para o Rio de Janeiro e, lá, cheguei no mês de setembro, com o quadro de Árbitros já formado e definido. Precisei aguardar a formação do quadro para o ano seguinte. Mas, para não perder a forma física, me convidaram para apitar no Departamento Autônomo, apitando jogos classistas e jogos das categorias de base dos clubes. Nos fins de semana apitava muitos jogos. Ganhei um bom dinheiro e, no ano seguinte fiz questão de não ir para o quadro principal, pois dificilmente ganharia o que estava ganhando apitando onde apitava. Apitei apenas dois jogos no Maracanã, ainda assim pelas categorias de base que, naquela época jogavam nas preliminares. Prometo procurar as fotos. Faz tempo. Só de Maranhão tenho 34 anos. Parei de apitar jogos em 1983, por conta de uma hérnia umbilical. Como eu não tinha plano de saúde, “operar” em hospital público, sendo solteiro e sem nenhum membro da família, era improvável.

  3. Sr. José Ramos. O senhor como sempre, em sua estimada coluna, trata de assuntos tão variados, tão ricos de informação, detalhes e conhecimentos. Quanto significantes e marcantes.

    Especificamente, este. Gerou em mim um misto de saudade e de maravilhosas lembranças de um tempo ido, que não terá outro igual, sem dúvida.
    Décadas de 60 e 70 são únicas.
    Em se tratando de futebol, então… O tri da seleção canarinho em Guadalajara. Primeira transmissão da Copa do Mundo, pela televisão, para todos nós brasileiros.

    Corrija-me, se estou errado.
    Em 1966 o Náutico foi hexacampeão, não foi?
    Eu tinha 12 anos. Que festa!
    Foi uma das coisas mais bonitas que nós já tínhamos visto até então. Lembro-me, desses heróis, não lembro todos. Mas, Lala, Bita, Gena, Nado, Nino.
    Meu Deus! Esses caras eram nossos ídolos. A gente ía pro nosso futebol nos campinhos ou na praia, querendo jogar igual a eles. Caramba! Quanta recordação. Muito obrigado.

    Outra coisa interessante, foi que, o Sr. Rubem Moreira veio morar na mesma rua que nós morávamos. Em frente a casa dele ficava o campinho que nós jogávamos bola. Eu, meus irmãos, nossos primos e nossos colegas. Era uma turma inseparável.
    Mas, quando víamos o Sr. Rubem Moreira. Presidente do Náutico e da Federação Pernambucana de Futebol.
    Na sua varanda, deitado na rede, fumando seu cachimbo, lendo seu jornal e de frente pro campinho. Pronto! A batalha estava iniciada entre nós.
    Cada um queria se superar mais do que o outro e as vêzes o jogo descambava para uma disputa mais acirrada.
    Porque, a intenção de cada um era jogar melhor do que o outro, na esperança que aquele senhor tão poderoso, do futebol pernambucano.
    Pudesse ver e levar um de nós pra jogar no Náutico.
    Nossos pensamentos para alçarmos vôos e irmos às alturas. Ficaram só nos pensamentos mesmo.

    Mais uma vez obrigado ao senhor por trazer todas essas incríveis lembranças.
    Vou compartilhar com meus irmãos, primos e todos nós que tivemos o privilégio de vivermos em uma época tão bonita e tão feliz das nossas vidas.

    Aproveitando o momento. E como o senhor bem disse no título da sua coluna: “Saudade não mata – só ajuda a viver”.
    Tenho procurado informações de um grande amigo e fomos até colegas de trabalho. Ele em Recife e eu, mesmo sendo recifense, mas já estava no Rio de Janeiro há algum tempo trabalhava aqui, naturalmente.

    Mudamos telefones, endereços e tudo mais e acabamos perdendo nossos contatos.
    Já pedi à alguns pararentes que ainda tenho aí, em Recife. Mas tudo em vão.

    O nome dele é José Assis Costa.
    Ele foi por muitos anos Diretor Financeiro do Sport aí do Recife.
    Peço-lhe permissão e tomo a liberdade, por saber dessa sua ligação tão forte com o futebol do Nordeste. Se por acaso o senhor chegou a conhecê-lo.
    Ou tem algum conhecimento sobre ele.

    Desde já, agradeço pela sua atenção e compreensão.
    Um forte abraço e que Deus continue iluminando seus caminhos.

  4. Luís Carlos: amigo, bom dia. Prazer em ter seu generoso comentário. Vou procurar atende-lo. Não moro e nunca morei em Recife. Sou cearense de Pacajus, cresci e morei até os 24 anos em Fortaleza. Mudei para o Rio de Janeiro, onde vivi por mais de duas décadas. Todas essas coisas que “sei” sobre o futebol pernambucano e nordestino, devo ao fato de ter um irmão (já falecido) que era Radialista/Jornalista e, no rádio, era narrador de futebol. Foi por intermédio dele, que conheci estrelas da comunicação radiofônica como José Santana, Ivan Lima, Paulino Rocha, Carlos Lima, Doalcei Camargo, Waldir Amaral, Jorge Cury e até João Saldanha. No futebol nordestino convivi com Clinamulte Vieira França, Sebastião Rufino, Manoel Amaro de Lima, Gilberto Ferriera, Leandro Serpa (meu companheiro do curso de Arbitragem em Fortaleza), Lourálber Monteiro e no Rio, com Carlos Costa e todo aquele pessoal daqueles tempos. Mas, foi também no futebol que fiz amizades que conservo até hoje. Trabalhei alguns anos na Western, companhia telegráfica inglesa. Foi ali que conheci Maria do Socorro Martins, que casaria com Artur, zagueiro cearense que jogou no Botafogo/RJ que conviveu comigo por alguns dias enquanto consolidava sua mudança de Fortaleza para o Rio. Como ele não conhecia o Rio e eu já morava ali há alguns anos, eu que o levava para treinar e lá acabei conhecendo outros jogadores. Sou torcedor botafoguense (não por conta disso, claro) e hoje, após graduação em Jornalismo – fiz para atender pedido da empresa onde trabalhava, que funcionou no “Bolo de Noiva – Av. Almirante Barroso e depois no prédio onde funcionou a antiga fábrica de cigarros Lopes Sá, ao lado dos Estúdios Havai, próximo da Central do Brasil – moro há 34 anos em São Luís/MA). Essa pessoa que você fez amizade, não lembro de ter conhecido. Bom dia.

  5. Sr. José Ramos.
    Desculpe pelas confusões à parte.
    Agradeço-lhe, pela gentileza em responder.
    São épocas e momentos únicos.
    Vivências e experiências que nos enchem de alegria e felicidade.
    As melhores lembranças, estão sempre lá, num cantinho especial da nossa memória e à qualquer instante, como esse seu artigo. Produzem a serotonina necessária para o nosso bem estar e nosso contentamento em relembrar as coisas boas que Deus nos privilegiou.

    Sinto-me honrado por conhecer um pouco da sua história de vida. Tão rica e tão fecunda.
    Com seus caminhos percorridos com maestria e sabedoria. Fazendo amizades e consolidando laços inquebrantáveis não só pessoais e profissionais. Como, os familiares, principais.

    Que o bom Deus esteja sempre presente na sua bela jornada de vida.

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