CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Dicas de como lidar com esquerdistas

Era uma vez ….

(Eu sempre sonhei escrever uma crônica começando com o famoso “era uma vez”)

….um vereador da cidade de Sucupira, dos tempos que Odorico Paraguaçu era seu prefeito. Seu nome de guerra era Vavá.

Antes de se eleger, Vavá trabalhou na UF-CU (Universidade Federal de SuCUpira), criada igualmente na época do egrégio alcaide. Era seu principal curral, ops…, digo, reduto eleitoral.

Na verdade, como todos bem sabiam, Vavá, não trabalhava. Era sindicalista profissional, grevista e baderneiro dos mais competentes e requisitados da região. Era disputado, com frequência, pelos sindicatos e diretórios centrais dos estudantes profissionais (DCEP) das outras universidades – até mesmo de outros estados de Banânia – para liderar os movimentos, paralisações, greves e tudo mais que fosse necessário para o perfeito não-funcionamento das IFDS, Instituições Federais de Des-ensino Superior.

Mesmo tendo conseguido se eleger vereador de Sucupira, Vavá nunca deixou de lado suas origens sindicais. Dizia a todos que sentia falta das passeatas e manifestações, dos quebra-quebras e ocupações da reitoria da universidade ou mesmo de outros prédios ou espaços públicos de Sucupira. Sentia, igualmente, muita falta das assembleias do DCEP, que movimentavam grande parte dos discentes da UF-CU. Estudantes estes, que estavam sempre entre os mais bem avaliados da região, com base no ranking “The Strongest”, criado e manipulado, digo, conduzido, pelo ISOPE (Instituto Sucupirense de Pesquisa e Estatística).

Certa feita, em uma das greves mais longas da história da universidade, que já durava quase 7 (sete) anos, o Rei-Thor da UF-CU, do mesmo partido do Vavá, já não podendo mais explicar para a sociedade o motivo de tão longa paralisação, se viu obrigado a chamar a polícia para tentar liberar os portões da entrada principal do campus da universidade. Ele já estava no final do seu segundo mandado e queria sair candidato a deputado estadual nas eleições que se avizinhavam.

É preciso dizer que, uma das principais estratégias midiáticas do Vavá, durante qualquer manifestação, era provocar ao máximo a polícia, para poder apanhar e se fazer de vítima.

E assim acontecia: a polícia chegava em uma dessas manifestações, Vavá e os demais baderneiros, digo, manifestantes, penduravam-se nas grades e portões, gritando e chamando todos os tipos de impropérios para os policiais, que revoltados, reagiam “baixando o cassetete” nos bravos e valentes militontos, digo, militantes.

E era exatamente o que Vavá queria, pois ao ser agredido pelos policiais, a imprensa isenta de Sucupira já estava posicionada, estrategicamente, para fotografar e filmar as agressões. E assim Vavá conseguia ter toda a população do seu lado, contra os militares. E quando não se machucava o suficiente, ele mesmo se arranhava ou simulava cortes ou agressões para valorizar ainda mais o seu intento.

Mas eis que certa vez, um dos comandantes da corporação teve uma grande ideia para acabar com as farsas e encenações do Vavá. Reuniu os seus subordinados e deu a seguinte ordem:

– “A partir de agora, ninguém mais trisca no Vavá. Podem deixar ele gritar, xingar, fazer o que quiser, mas nenhum de nós vai encostar um dedo no cretino. Deixem ele espernear”.

E feito isso, partiram os policiais para mais uma tentativa de desocupação da UF-CU.

Como de costume, lá estava o Vavá, liderando a massa operária-estudantil oprimida, todos pendurados nas grades do portão principal, sacudindo e gritando aquelas velhas e emocionantes palavras de ordem de mil setecentos ou mil e oitocentos e antigamente:

– “O ovo, cozido, jamais será comido”, opsss, digo…. “O povo, unido, jamais será vencido”.

Chegando lá, os policiais se alinharam, braços dados, lado a lado, diante do portão, mantendo, por precaução, uma certa distância da turba dependurada. Mesmo assim, as cusparadas do Vavá ainda os alcançavam. E vejam que, cuspir na cara dos outros era um costume extremamente raro, em Banânia daqueles idos tempos.

E desta vez, como a ordem era não tocar em um fio de cabelo do Vavá, o mesmo começou a ficar desesperado, colérico, aumentando ainda mais o nível dos palavrões e impropérios dirigidos à armada.

Vavá já estava ficando rouco e sem saliva para mais cuspalhões quando, percebendo que desta vez, não iria conseguir o seu intento de levar porrada dos guardas, saltou o portão, para fora do campus, caindo em frente da linha de guarda, pulando e berrando como um alucinado:

– “Pooorrrraa!!! O que aconteceu com vocês, seus merdas!!!! Eu tô aqui. Venham me dar porrada!!!”

E a população, que já se aglomerava atrás da linha dos guardas, animada e ansiosa que estava, para iniciar o porradal, ajudava, em coro:

– Dá Porrada nele! Dá porrada nele! Dá porrada nele!

Ou então, entoavam, em coro, de forma melodiosa, como nos estádios de futebol:

– Vai ter porraaaada, vai ter porraaaada, vai ter porraaaada.

E os policiais, impávidos, protegidos, em linha, por trás dos seus escudos, continuaram seguindo as ordens expressas do comandante, e não levantaram um dedo contra o alucinado.

Foi quando Vavá, já exausto, rouco e sem forças de tanto berrar, deu um último grito, súbito, agudo, levando as duas mãos ao peito, em expressão de dor. Teatralmente, ajoelhou-se no chão, contorcendo-se, até finalmente cair, e se esparramar na frente do pelotão.

Vendo que o seu líder se encontrava abatido, no chão, seus seguidores, desesperados, desceram dos gradis e bateram em retirada, a maioria para dentro do próprio campus, escondendo-se nos prédios do interior da universidade. Deixaram o caminho livre para que a tropa pudesse, facilmente, avançar, arrombar os cadeados e correntes, abrir os portões, e finalmente liberar a entrada da UF-CU.

E o Vavá, ainda deitado de bruços, no chão, espichou um olho, sem deixar que o notassem, a fim de tomar pé da situação. Foi quando um dos companheiros passou ao seu lado, cujo entorno já estava, praticamente, deserto e disse:

– “Levanta logo aí, seu porra, que já foi todo mundo embora”.

Vavá deu um pulo, magrinho que era, se pôs de pé, olhou para os lados, e numa agilidade de um gato, correu em disparada, com medo de que alguém percebesse a sua trapaça.

Moral da estória e recomendação aos fubânicos:

Essa é a melhor maneira de lidar com essa gente farsante e maligna da autodenominada esquerda. Deixem eles gritarem e espernearem. Uma hora eles cansam.

PS: qualquer semelhança com fatos, nomes, datas e locais é mera coincidência.

15 pensou em “RÔMULO SIMÕES ANGÉLICA – SANTA MARIA DE BELÉM DO GRÃO PARÁ

    • Grande Assueiro.
      Isso é tudo o que eu vivi nos meus tempos de graduação, com algumas inserções dos tempos atuais.
      Na verdade, tudo isso só piorou nas universidades, com o aumento do aparelhamento eaquerdizante, como você bem sabe, e como tenho escrito regularmente.

  1. Romulo

    eu também faço isso, deixo eles ficarem estrebuchando e falando as sandices deles, quando percebo que estão se perdendo nas colocações e hipocrisias eu colaboro entregando flores, mas sou como o capitão, coloco as flores no casco e dou algumas patadas com minha botina de bico de aço.

    • Sim. Rogério. A formação dessa gente foi nos movimentos estudantis e depois sindicais.
      E, de fato, eles têm um treino impressionante da verborragia.
      Como é impossível conversar com eles, comecei a adotar essa estratégia de ignorá-los.
      E eles ficam possessos quando não revidamos.

  2. O autor parece ser um direitista reacionário conservador fascista genocida homofóbico transfóbico racista nazista misógino etc(esqueci a lista em casa) que não vê nos movimentos bacanais, digo, nos movimentos sociais, a verdadeira face da sacanagem, digo, da sociedade! Com certeza é daqueles que querem bandidos na cadeia(que absurdo!), que as coisas funcionem como deveriam(não tenho palavras para adjetivar) enfim, que se cumpra a lei(cadeia pra ele, gente!). Vou parar por aqui porque não aguento ver essa linha de pensamento correto, em verdadeira consonância com a ciências e os mais básicos princípios de convivência social(argh!).

  3. O brlhantismo do texto me fez buscar em seu interior a frase perfeita: “O ovo, cozido, jamais será comido”, opsss, digo…. “O povo, unido, jamais será vencido”.

    • Querido Sancho, você é de um carinho sem igual para comigo.
      Agradecido, sempre serei, pelas suas generosas palavras.

    • Sim, Rosivaldo. Há muito queria escrever essa crônica inspirada, exatamente, nos nossos tempos de graduação, nos anos 80, quando fomos contemporâneos.
      E o personagem Vavá você deve saber em quem ele foi inspirado, não é?

  4. Rômulo, a carroça vazia é a que faz mais barulho. O roteiro se repete sempre, só mudam os atores e cenários. A falta de criatividade e tamanha por falta de conhecimento e vergonha na cara que às vezes os atores continuam os mesmos. Vamos pra frente!

  5. É lamentável que as greves, direito conquistado pelo trabahador, sejam confundidas com comunismo, bagunça, quebra-quebra, falta do que fazer, malandragem.
    Talvez haja quem necessite voltar aos bancos universitários para rever a História e a Sociologia para compreender o processo de escravização e de (relativa) libertação do trabalho.
    As principais demandas das greves são: melhores condições de trabalho, melhores salários, e o tempo de trabalho.
    Que politicalhas se aproveitem de greves para arrivismo político, não há dúvida, masé preciso não incorrer no equívoco de condenar as greves, e por extensão os sindicatos e o sindicalismo, como perigos para a sociedade capitalista, porque, ao contrário, elas são justamente o contrário, uma válvula que permite a distensão para que a sociedade não exploda.
    Enfim, o caso contado pelo R|ômulo é interessante, bem escrito, segundo ele declarou em comentário alhures é baseado em fatos verdadeiros, mas o que se alerta é que não se deve considerar que as greves são badernas de esquerdistas pelo simples intuito de desestabilizar a sociedade, elas estão relacionadas com a classe trabalhadora assalariada que surgiu durante a Revolução Industrial. As greves eram eventos raros no século XIX, principalmente porque eram ilegais. Foi no século XX, especialmente em momentos de crise econômica, que as greves começaram a fazer parte do repertório de ações coletivas da classe trabalhadora.
    Neste momento em que vivemos, os pensamentos mais obtusos da uma certa direita encontram ambiente para sair dos guetos mentais e apresentarem-se de peito aberto. E uma pretensa luta contra um também pretenso fantasma comunista serve de pretexto para iludir corações e mentes incautas.

Deixe uma resposta para Adail Augusto Agostini Cancelar resposta