Quando alguém se propõe a falar sobre economia como eu faço aqui no JBF, depois de algum tempo percebe que fica difícil encontrar assunto sem ser repetitivo.
A teoria econômica em si é simples: partindo dos conceitos de que a maioria dos bens são escassos e que a riqueza deve ser produzida, surge a idéia do comércio e a lei da oferta e procura, fundamental. A partir daí são basicamente deduções lógicas que partem da observação da natureza humana. Dá para achar novos ângulos e novos exemplos para explicar, mas não dá para continuar para sempre. Enquanto isso, políticos e intelectuais continuam repetindo velhos clichês sobre “balança comercial positiva”, “moeda fraca é bom para a economia”, “o governo deve estimular o crédito”, “inflação é melhor que deflação”. Haja paciência para ficar repetindo que tudo isso são bobagens.
Deixando de lado a teoria, pode-se tentar escrever sobre a prática, ou seja, sobre aquilo que está acontecendo no mundo. E aí a coisa fica mais triste ainda, porque as mesmas coisas estão acontecendo há milênios, e parece que não aprendemos nada com isso.
Por exemplo: o país mais poderoso do mundo, os EUA, está em época de eleição. Quando políticos estão em campanha, pode-se ter certeza de que vêm bobagens. Se ao menos fossem bobagens novas, poderia ser interessante, mas não: são as mesmas bobagens que já eram ditas na época do Império Romano.
A candidata democrata, Kamala Harris, está falando em implantar “controles de preços”. Seus discursos dizem que a culpa da inflação é da ganância dos empresários e dos lucros excessivos, que devem ser limitados pelo governo. A resposta, óbvia, é que a culpa dos aumentos de preços é do governo que gasta mais do que arrecada e tenta fechar a conta fabricando mais dinheiro. O dinheiro está tão sujeito à lei da oferta e procura quanto qualquer outra coisa, e se a oferta aumenta, o valor cai. Como explicar isso de novo e de novo e de novo cada vez que um político diz a mesma coisa, sem cair na repetição? Eu já tentei ilustrar isso dizendo, por exemplo, que se todo o dinheiro que o governo dos EUA criou durante a pandemia fosse impresso em notas de cem, seria o suficiente para encher duas mil carretas, que formariam uma fila de quarenta quilômetros. É por causa desse aumento absurdo da quantidade de dinheiro que os preços estão subindo. Para ser exato, aliás, na inflação não são os preços que sobem: é o dinheiro que vale menos. Mas eu já perdi a conta de quantas vezes escrevi isso aqui nos meus pitacos.
Já o outro candidato, Donald Trump, disse que acha que como presidente ele deveria ter o poder de opinar sobre a taxa básica dos juros, que são fixados pelo FED (o Banco Central deles). O argumento de Trump é que ele é um empresário bem sucedido e portanto ele entende bastante de economia. Se entendesse mesmo, saberia que quem determina a taxa de juros é a realidade (que neste caso específico costuma ser chamada de “mercado”) e o que o FED faz é apenas divulgar um valor oficial para dar a impressão de que é o governo, e não a realidade, quem comanda a economia. Trump também não falou que a taxa de juros só existe porque o governo gasta mais do que tem e precisa pegar dinheiro emprestado para cobrir a diferença; se não fosse por isso, a taxa de juros seria zero. E, de novo, isso já é conhecido há séculos.
Este pitaco fica por aqui. Voltaremos a qualquer momento com as mesmas velhas notícias de sempre.