MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O caso do Banco Master virou uma ferida exposta de relações pecaminosas entre membros do poder no Brasil. Primeiro, o ministro Toffoli declara não ter relações pessoais com Daniele Vorcaro e não ter recebido nenhum valor repassado por ele. Momento seguinte, reconhece que é sócio de uma empresa – justifica que isso é possível desde que não seja diretor – e eis que surgem, das mensagens apagados do celular de Vorcaro, R$ 20 milhões repassados a Toffoli e depois mais R$ 15 milhões, até que se descobre, pelo menos, dez encontros entre eles.

O PT nunca teve culpa de nada, basta ver pelas defesas feitas nas redes sociais de quaisquer mazelas que se descobre nesse país. O escândalo do INSS começou no governo anterior e foi desbaratado pelo governo atual, muito embora o governo anterior tenha editado medida provisória, que virou lei, que teve artigos alterados pelo congresso com enorme anuência dos deputados petistas. Procure na internet e verá discursos inflamados dos petistas criticando a lei porque iria quebrar as associações dos coitados dos inativos. Embora 64% dos descontos indevidos tenham acontecido no atual governo, a culpa é do governo anterior.

O caso do Banco Master também é culpa de Campos Neto, embora em dezembro de 2024 Daniel Vorcaro tenha tido reunião, fora da agenda, com o atual presidente e outras autoridades. Também é culpa de Temer a perda da patente do remédio polilaminina, da pesquisadora Taciana Sampaio, seja fruto da decorada econômico do governo Dilma.

Acredito ser um problema de cultura. Não somos capazes de pensar na sociedade, nos problemas sociais. Atualmente, obter um cargo público significa uma oportunidade de ficar rico com dinheiro público. Todos os dias, a gente se depara com um novo escândalo. Todos os dias gestores são afastados dos seus cargos por conta de improbidade administrativa. No cerne da questão, licitações fraudadas, sobrepreço nos bens e serviços adquiridos pelo poder público, despesas escandalosas. Se formos catalogar os escândalos que ocorrem nesse país, a gente não termina. O pior é saber que determinado político está envolvido em tais escândalos e votar nele.

Olhando a composição do STF, vamos encontrar 8 ministros que possuem escritórios, ou seja, estes ministros atuavam antes em escritórios de advocacia e foram galgados ao STF e se afastaram do escritório que, normalmente, ficou sob a gerência da família. Daí chega uma demanda judicial desses escritórios no STF e mesmo que o ministro não se envolva diretamente, o corporativismo vigente indica que outro ministro não será capaz de negar, de não recohece o mérito do processo.

Essas relações são perigosas demais, entretanto, não é fácil encontrar uma pessoa totalmente isenta. Só se for filho único de pais que também eram filhos únicos, de modo a não ter tios e nem primos. Não pode ter estudado em escolas ou cursado faculdades para não ter formado laços de amizades. Não ter relacionamento amoroso com ninguém para não abrir a possibilidade de fazer favores à família da companheira, ou companheiro. Nunca pode ter trabalho para não ter formado vínculos com o mercado.

Dito isso, o que pesa não é, propriamente, a relação com o mercado. O problema está na descoberta do que o mercado pode fazer pelo seu bem-estar e aí o cara entra na rede da relação agente-principal, que se estuda em Economia, como assimetria de informação. O salário no funcionalismo público obedece a um teto previsto na constituição que é naturalmente desrespeitado. Francamente, se um ministro do STF recebe um salário de R$ 94 mil, o problema não passa a ser dele, mas da lei que permite. O que me incomoda, e muito, é o fato de um ministro manter relações espúrias com o mercado e se locupletar com isso, assumindo que ele pode porque é ministro.

A constituição diz que “todos são iguais perante a lei”, mas isso é uma cilada fora do comum. Não somos iguais porque alguns se colocam acima da lei. São intocáveis e inimputáveis. Não faz muito tempo que Gilmar Mendes deu uma demonstração disso que, de forma monocrática, declarou que apenas a PGR pode pedir impeachment de ministro do STF.

Não somos iguais e temos tratamento diferente para o mesmo ato. Tudo bem, poderia até se admitir que o mesmo ato pode não ser necessariamente igual, mas não compreensível, por exemplo, Marcos Valério ser condenado a 37 anos de prisão por crime contra o sistema financeiro e José Genuíno que, como presidente do PT, assinou os contratos de financiamento do PT junto ao banco Rural. Ficou claro que tais contratos eram apenas fachada para pagar o mensalão.

As relações perigosas com Daniel Vorcaro, também gerou relações sexuais de autoridades com garotas trazidas da Holanda, Ucrânia etc. A garota vinha apenas fazer um programa. Não entendia o idioma e não conhecia o parceiro. Não vejo, não falo, não escuto. Não deixa de ser uma boa estratégia.

9 pensou em “RELAÇÕES PERIGOSAS

  1. Parabéns nobre Assuero por mais um texto primoroso. Esse país, qualquer gestor que tenha como objetivo projeto para o engrandecimento e liberdade para seu povo, está na lista dos poderosos e passa a ser caçado como já vimos em filmes anteriores. E mais triste é sabermos que com às patacoadas vindo a tona, quem garante que os responsáveis alcançados por leis, sendo um iluministro, ele a acatará? Abraços!

    • Valeu, meu amigo Xavier. Nenhum iluministro fará nada. Mendonça herdou o caso do master, mas não pensem que ele acatará nenhuma constatação em relação a Toffoli

  2. Não!
    Embora a Constituição diga que “todos são iguais perante a lei”, nós não somos iguais a eles.
    Nem perante a lei, tampouco perante o caráter.
    Perante a lei não o somos, porque não gozamos do chamado “foro privilegiado” para nos livrar sob o coletivismo.
    Perante o caráter também não o somos, porque nossos pais nos educaram melhor. Simples assim.

  3. Belíssima conclusão chegamos: O PT nunca teve culpa de nada.

    A constituição diz que “todos são iguais perante a lei” e o professor Assuero o confirma, mas um craque de ludopédio desconfirma (que palavra horrorosa):
    ‘Não pode botar mulher para apitar’, diz jogador do Bragantino. Porém, entretanto, todavia, portanto e para tanto, uma mulher pode sim arbitrar uma pelada das mais sem graças, como foi o jogo do SPFC contra o time do energético.

    “Eu acho que a Federação Paulista tem de olhar para os jogos deste tamanho e não colocar uma mulher. Com todo respeito às mulheres do mundo. Eu sou casado, eu tenho a minha mãe. Desculpa se eu estou falando alguma coisa para as mulheres, mas do tamanho dela eu não acho que ela tem a capacidade de apitar um jogo desse.”

    Mulheres de meu Brasil varonil, uni-vos! Perseverem, apitem jogos de futebol, façam a diferença junto aos homens e mulheres de suas vidas dia após dia. Juntas, somos mais fortes! Quem ganha não somos nós. É a sociedade.
    Mas, por favor, sem suvacos cabeludos, afinal axilas, pernas ou virilhas peludas não nos caem bem. Não tenho a mínima vocação para ursa peluda.

    Belíssima análise sobre relações pecaminosas, senhor Assuero.
    O que me leva a indicar, para leitura dominical, o livro “Les liaisons dangereuses”, de Pierre Choderlos de Laclos.
    Um beijo na bochecha,
    Matilde

    • Olá, Matilde. Fico grato por suas palavras que me sensibilizaram bastante. Achei absolutamente infeliz e desconexa com a realidade esse comentário sobre a árbitra. Infelizmente ainda existem pensamentos retrógrados que delegam às mulheres um papel inferior ou que procura inferiorizá-las apenas pelo fato de ser mulher. Inúmeros são os casos de árbitros que ficam afastados de partidas porque erraram num determinado jogo, ou seja, porque interpretaram errado determinados lances.
      Não somos iguais e nem tampouco perante a lei. As nítidas diferenças de tratamento mostram isso. Muito obrigado pela participação

  4. Pingback: SEM SUVACOS CABELUDOS | JORNAL DA BESTA FUBANA

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