PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde as epgênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo, Paraíba (1884-1914)

3 pensou em “PSICOLOGIA DE UM VENCIDO – Augusto dos Anjos

  1. Leio e releio este e outros poemas de Augusto dos Anjos, e não me canso. Leio em silêncio, em voz alta, em silêncio de novo, e não me canso. Sensacional!

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