CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

Texto escrito por Luis Antonio Tavares Portella, estudante de Biologia da Universidade Católica de Pernambuco.

Grande presença de resíduos plásticos nos ecossistemas marinhos é um problema sério que precisa de uma solução. Fonte: Google Imagens.

Ao longo da atual crise do novo coronavírus, o plástico tornou-se um problema ainda maior, visto que a quantidade de resíduos com plástico em sua composição gerados por residência aumentou em cerca de 10% desde março de 2020. No mundo, cerca de 465 milhões de toneladas de plástico foram fabricadas em 2019. E a produção continua aumentando. É irônico que um material que já foi símbolo de progresso tornou-se um pesadelo para os humanos e a natureza. Os consumidores e, principalmente, a indústria, têm um papel fundamental na mitigação e solução deste problema.

O plástico comum é oriundo das resinas derivadas do petróleo e pertence ao grupo dos polímeros, que são moléculas grandes, com características especiais e variadas.A palavra plástico tem origem grega e significa aquilo que pode ser moldado. Além disso, uma de suas características marcante é a capacidade de manter a sua forma após a moldagem. Convivemos com tanto plástico ao nosso redor, que nem notamos mais a sua presença. O nylon epoliéster presentes em nossas roupas, em nossos carros, embalando diversos produtos e nas sacolas do supermercado. Está impregnado em nosso cotidiano, na nossa vida, e não é mais uma novidade.

O problema é que esse material está aqui hoje e ainda estará aqui amanhã. No próximo ano. E nos quatro séculos seguintes. O plástico que tanto usamos demora entre cerca de duzentos a quatrocentos anos para entrar em decomposição. Embora também cause grandes impactos em terra firme, é nos ecossistemas marinhos que se encontram os maiores problemas.

A poluição causada pelo plástico compromete a sobrevivência de mais de 800 espécies marinhas, 15 das quais já se encontram ameaçadas. A cada ano, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico acabam no oceano, o que equivale a um caminhão de lixo cheio desse produto jogado no mar a cada minuto. Estima-se que já contêm plástico entre 60 a 90% da areia que se acumula nas linhas costeiras, a superfície e o fundo do mar. Este plástico, quando exposto no ambiente marinho, sofre diversas ações do meio, como radiação solar, variação térmica, diferentes níveis de oxigênio, e presença de fatores abrasivos, como areia, que o fragmentam, dando-lhe a aparência de alimento para muitos animais, que ao ingeri-lo sofrem de obstrução nos órgãos internos, causando-lhes a morte e interferindo no ciclo reprodutivo de muitas espécies.

Os animais confundem os materiais plásticos com comida e acabam morrendo. Fonte: Google Imagens.

Como podemos mudar esta situação? Tudo se resume a mudanças nos nossos padrões de vida e consumo. Estas mudanças já estão começando no exterior, com acordos e novas leis. A União Europeia já votou uma proibição de plásticos de uso único. O Canadá implantou uma lei semelhante: proibiu o uso de canudos e talheres de plástico, e começou a responsabilizar os fabricantes de plástico pelos resíduos produzidos.Outros140paísesjá implementaram impostos ou proibições parciais sobre o uso e o consumo de plástico.

Aqui no Brasil a primeira cidade a banir completamente o canudo plástico foi o Rio de Janeiro. Outras cidades também adotaram essa medida, como Fortaleza, Salvador, Santos e todo o estado do Rio Grande do Norte. Em São Paulo, foi proibido o fornecimento de canudos plásticos nos estabelecimentos comerciais da cidade.

A responsabilidade sobre as toneladas de lixo jogadas todos os anos nos oceanos do mundo é compartilhada. Trata-se de um problema complexo que está impregnado em nosso cotidiano, em nosso modo de viver, em nossos hábitos, e cuja única solução vem de mudanças e ações de todos os setores da sociedade, desde as empresas e o poder público, até os indivíduos e a sociedade civil.

Para que as futuras gerações não precisem ver belíssimos animais mortos ou em sofrimento nas praias, mares e outros ecossistemas, vítimas de nossos erros e estupidez é preciso urgente que o homem de bonsenso faça alguma coisa agora para salvar o meio ambiente porque amanhã pode ser tarde demais.

5 pensou em “PLÁSTICO. REFLEXÕES…

  1. Parabéns ao Luiz Antônio. É isso: avanços tecnológicos tem custos ambientais. Eu orientei uma tese, que foi defendida em fevereiro, sobre o comportamento dos resíduos eletroeletrônicos. Dá medo.

  2. Caro Luiz Antonio.

    O seu artigo de hoje é de uma atualidade gritante, força o abrir de nossos olhos
    para a tragédia anunciada que falta muito pouco para explodir.
    Somente os cegos de mentalidade curtíssima não vêem a catástrofe se formando e
    que está contaminando todo o planeta , afetando de modo mortal com tragédias previsiveis nos nossos mares, os quais não são de de nossa propriedade
    ou exclusividade , mas sim de todos os seres deste maravilhoso planeta, que nos
    foi ofertado, como uma dádiva de Deus.

    O seu excelente artigo denuncia, expõe de modo claro, os fatos e as consequências previstas,caso a humanidade , em um todo , não decidam resolver esse problema criado por nós e não
    pela natureza em si, que é sábia e nunca cria obstáculos ao progresso humano,
    É claro que a natureza cria terremotos, vulcões, maremotos, mas sempre
    com o sentido de remodelar e re-estruturar o que precisa ser mudado, pois a sabedoria da natureza está acima da nossa compreensão.

    No seu artigo em um todo e o no seu último parágrafo em particular, é de uma
    concisão acima de qualquer avaliação nossa ( quero dizer, os leigos como eu, em biodiversidade marinha ) e que ficaram como eu estarrecidos pela dramática ilustração desta sua importante denuncia.

    Parabéns, jovem professor.
    ,Ficamos aguardamos a sua próxima explanação e denuncia.

    Abraços.
    Seu amigo d.Matt

  3. UM DADO INTERESSANTE VISANDO ILUSTRAR A EXCELENTE MATÉRIA:
    Uma parte considerável do lixo mundial vai parar na China, o principal importador mundial de muitos tipos de materiais para reciclagem, como plástico, papel e metais. Com uma demanda cada vez maior por produtos plásticos e de papelão, o país busca material tanto internamente quanto no mercado internacional.

    Segundo dados das Nações Unidas, fabricantes chineses e de Hong Kong importaram 7,3 milhões de toneladas de plástico para reciclagem em 2016. O material veio principalmente de países ricos, como Japão, EUA e nações da União Europeia, e equivale a 70% de todo o plástico descartado no mundo naquele ano.

    Em 2018 a CHINA resolveu reverter o quadro e diminuir tais importações. China decidiu deixar de receber boa parte desse material. Segundo Pequim, o objetivo é proteger o meio ambiente do país do “lixo ‘sujo’ e, inclusive, perigoso” que hoje chega ali. As autoridades também dizem que a produção nacional de lixo reciclável já é suficiente para atender a demanda da indústria local.

    A campanha do governo mira no que os chineses chamam de yang laji, o “lixo estrangeiro”: plásticos recicláveis, rejeitos têxteis e certos tipo de papel.

    A indústria (de materiais recicláveis) não estava preparada para o súbito anúncio do governo chinês e buscou novos destinos para tal LIXO. Segundo o Escritório Internacional de Reciclagem (BIR, na sigla em inglês), organização sediada em Bruxelas e que representa a indústria em nível global, novos mercados para esses produtos estão sendo buscados. Países como Tailândia, Vietnã, Camboja, Malásia, Índia e Paquistão são possíveis destinos para o lixo reciclável.

    • Estudo divulgado pela revista Science investigou os quase 200 países que são banhados pelos mares e oceanos, e fez uma lista dos maiores responsáveis pelo lançamento desses resíduos no mar. A China, Indonésia, Filipinas, Vietname e Sri Lanka são cinco dos principais responsáveis pelas oito milhões de toneladas de lixo no mar lançado anualmente, refere um estudo divulgado na revista Science.

      O lixo no mar não está apenas a boiar, grandes quantidades de resíduos podem estar escondidos no fundo dos oceanos ou fragmentados em pedaços tão pequenos que não são captados pelas análises convencionais. Essas partículas estão a ser ingeridas por animais marinhos – o que pode resultar em consequências desconhecidas para a cadeia alimentar e para o Homem.

      FONTE http://noctula.pt/lixo-no-mar-oceanos-plastico-residuos/

  4. Quem assistir ao último episódio da série FAMÍLIA DINOSSAURO, vai ter uma noção exata do fim da população do Planeta Terra, praticado pelo homem na sua sanha ilimitada por riqueza.

    D.Matt. e Sancho Panza são lúcidos em suas análises, corroborando com o que alerta o articulista Luis Antonio Tavares Portella.

    O Terrível Final

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