JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

José Maria da Silva Paranhos Jr., mais conhecido como Barão do Rio Branco, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 20/4/1845. Advogado, geógrafo, jornalista, historiador, político, professor e “Patrono da Diplomacia Brasileira”. Filho do senador e diplomata Visconde do Rio Branco, estudou no Colégio Pedro II e formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, tendo concluído o curso na Faculdade de Direito do Recife, em 1866.

Aos 18 anos teve seu primeiro texto publicado na revista “Popular”, uma biografia de Luís Barroso Pereira. Aos 21 publicou seu primeiro artigo no jornal francês “L’Illustration”, sobre a guerra do Paraguai. Foi a primeira manifestação do diplomata, que se anunciava. Em 1868 foi nomeado promotor público em Nova Friburgo e, no ano seguinte, deputado geral pelo Partido Conservador. No mesmo ano, acompanhou o pai, na condição de secretário da Missão Especial, ao Rio da Prata e ao Paraguai. Nos dois anos seguintes exerceu a mesma função nas negociações de paz entre os Aliados e o Paraguai. Assim, o exercício da diplomacia se fez na prática, tendo o pai como exemplo.

Como jornalista, dirigiu o jornal “A Nação”, junto com Gusmão Lobo, e colaborou no Jornal do Brasil. Em 1876, entrou na diplomacia e foi nomeado cônsul-geral em Liverpool, Inglaterra, onde permaneceu até 1893. Em 1888 recebeu o título de “Barão”, concedido pela Princesa Isabel. mas continuou a usá-lo junto ao nome “Rio Branco” mesmo após a proclamação da República, reafirmando sua convicção de monarquista e homenageando seu pai, Visconde do Rio Branco. Neste período, após a proclamação da República, exerceu a função de superintendente, em Paris, dos serviços de imigração para o Brasil (1889) e ministro plenipotenciário em Berlin (1900). Em 1898 entrou para a Academia de Letras, que ajudou a fundar.

Logo no início da República, contribuiu substancialmente para o alargamento das fronteiras, com a incorporação de 900 mil km² ao território nacional. Em 1895 conseguiu assegurar boa parte do território dos estados de Santa Catarina e Paraná, em litígio com a Argentina. Em 1900 ganhou a disputa com a França, no estabelecimento da fronteira do Amapá com a Guiana Francesa, que foi definida no rio Oiapoque. Com tais conquistas, foi conduzido, pelo presidente Rodrigues Alves, ao Ministério das Relações Exteriores, em 3/12/1902, e ocupou o cargo ao longo de 4 mandatos presidenciais A nomeação ocorreu no momento em que o Brasil se envolvia noutra disputa territorial com a Bolívia.

Parte daquela região era ocupada por colonos brasileiros que resistiam às tentativas bolivianas de expulsá-los, episódio conhecido como “Revolução Acriana”. Em 17/11/1903, assinou o Tratado de Petrópolis, pondo fim ao conflito mediante a compensação econômica de 2 bilhões de libras esterlinas e algumas concessões territoriais. Esta é sua obra diplomática mais conhecida, que deu seu nome à capital do Estado. O caso criou tensões, também, com o governo do Peru, resolvidas em 1909 com o Tratado Velaverde-Rio Branco, consolidando a posse brasileira do Acre. Outro de seus méritos, foi a negociação sobre o uso do Rio Jaguarão e a Lagoa Mirim, que serviam de canais ao Uruguai. Tal concessão lhe conferiu o nome de “Rio Branco”, dado à antiga cidade de Puerto Artigas, pelo povo uruguaio. Foi homenageado, também, em Mato Grosso do Sul, com seu nome dado ao município de Paranhos. Certamente é o brasileiro com o nome dado ao maior número de cidades, instituições e logradouros.

Poucos sabem, mas o Bondinho do Pão de Açúcar é mais uma obra de sua lavra. Em 1908, chamou o Engº Augusto Ferreira Ramos para projetar um sistema teleférico que desse acesso ao cume do Morro da Urca, inaugurado em 1912. Sua presença não apenas na área diplomática fez com que seu nome fosse sugerido, em 1909, para a sucessão presidencial que se daria no ano seguinte. Mas, ele declinou de qualquer candidatura que não fosse de unanimidade nacional. Sofrendo de problemas renais, veio a falecer em 10/2/1912, durante o carnaval, alterando o calendário da festa, devido as inúmeras homenagens que lhe foram prestadas. O necrológio da “Gazeta de Notícias” disse que “ele foi o dilatador do Brasil, alargando-o e aumentando-o em terras graças ao seu engenho, sem um leve ataque à justiça e ao seu direito”.

O “Jornal do Commercio”, emendou: “Só os conquistadores dos tempos dos descobrimentos e os grandes capitães da idade heroica deram às suas pátrias respectivas territórios tão vastos quanto o Sr. Rio Branco deu ao seu país bem amado. Com o seu talento, a sua habilidade, a sua força de persuasão e a sua erudição formidável conseguiu ir anexando ao Brasil trechos litigiosos e territórios contestados.”. O Barão, não obstante ser jornalista, não era muito de escrever livros, mas deixou 3 obras publicadas em muitos volumes: Efemérides brasileiras, 1893-1918; A questão de limites entre o Brasil e a República Argentina, em 6 vols. e A questão de limites entre o Brasil e a Guiana Francesa, em 7 vols. A Fundação Alexandre de Gusmão do MRE dispõe de toda a obra em seu site com download gratuito. Basta clicar aqui para acessar.

Em 1945, nas comemorações do centenário de seu nascimento, foi criado o Instituto Rio Branco, a escola de diplomacia do Ministério das Relações Exteriores. O “Patrono da Diplomacia Brasileira” foi biografado por diversos autores, com destaque para: Rio Branco, de Álvaro Lins (1945); Perfil de um estadista (ensaio biográfico sobre o Barão do Rio Branco) de Antônio Carlos Villaça (1946); A vida do Barão do Rio Branco, de Luís Viana Filho (2008) e Juca Paranhos, o Barão do Rio Branco de Luís Claudio Villafãne G. Santos (2018). Este diplomata e historiador escreveu mais dois relatos sobre Rio Branco: O dia em que adiaram o carnaval: política externa e a construção do Brasil (2010) e O evangelho do Barão: Rio Branco e a identidade brasileira (2012).

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