O LINGUAJAR “CHULO” DO CEARENSE

“Curral das éguas” – ZBM da Fortaleza antiga

Quem acessa pela primeira vez este JBF (Jornal da Besta Fubana), que neste começo de ano tem trocado mais de cabeça do que o Lula troca de mentiras, vai ler: “A gazeta mais escrota da Internet”.

Pois, saibam alguns que, “escrota” pode até não ser feminino de “escroto” mas, com certeza é um dos palavrões mais “escrotos” no Ceará. Da mesma forma, alguém rotular alguém de “canalha” no Ceará, fique certo que está desafiando para briga de porrada, mesmo. Não é diferente com o termo chulo “escroto(a).”

Mas, como O JBF também é cultura, vou tentar relembrar aqui nesta segunda postagem do ano, algumas situações (ou termos) chulas que, ou usamos muito, ou quase nunca usamos no dia a dia do meu Ceará – terra boa pra caralho (ops!).

“Quebrar o cabresto” – Homem que faz sexo pela primeira vez, rompendo o prepúcio. Fazer sexo faz bem ao corpo humano – masculino ou feminino. Nos dias atuais, essa prática salutar está totalmente desvirtuada, invadida que foi pelo homossexualismo, isso se olharmos para os ensinamentos religiosos. Muitos que, no Ceará se acostumaram dormir em redes, com o pênis ereto pela necessidade de urinar, “quebravam o cabresto “roçando” na própria rede.

“Abriram as portas do inferno” – Fala-se quando chegam muitas mulheres feias, juntas, numa festa. Isso não é algo que se considere “chulo”, mas uma zoação. Uma “mangação”. A rapaziada jovem, em grupos, que tinha o hábito de frequentar as “tertúlias” nos poucos clubes sociais de Fortaleza, gozadores por excelência, ficavam à espreita de quem chegava ou saía antes da hora. Muitas meninas, ainda sem namorados, gostavam de ir às festas em grupos. Quando chegavam juntas, os rapazes cochichavam: “abriram as portas do inferno”.

Zé Tatá – o veado mais “macho” da antiga Fortaleza

“Açucareiro” – Mulher, quando fica brava. Elas, geralmente assumem uma posição, com as duas mãos na cintura, semelhante a um açucareiro.

“Amancebado” – Amigado, aquele que vive maritalmente com outra pessoa, sem estar casado legalmente. Nos dias atuais, diz-se que são “companheiros” e já é uma relação considerada legal.

“Amassar um Bombril” – Foder, transar. Depilação de partes do corpo, incluindo as genitálias (masculina e feminina), é moda nova. Alguns (homens e mulheres), por escolha própria, ainda não aderiram ao “depilar total”. Assim, alguns homens ou mulheres conservam os pelos pubianos (nessa referência, o “Bombril”) e, quando os dois fazem sexo, os pelos se juntam – estão amassando Bombril.

“Amulegar” – Apalpar os seios. No caso, os seios da mulher. “Amulegar” de vez em quando, se transforma num ato erótico. Carícias preliminares.

“Anel de couro” – Ânus, fiofó, bufante, roscofe, rosca. No linguajar atual, quando alguém está fazendo sexo anal, está “queimando rosca”.

“Areia de cemitério” – Pessoa que não gosta de dividir. “Você é igual a areia de cemitério, quer comer tudo sozinho.”

“Arroz” – Homem que anda com muitas mulheres, mas não namora (fode) nenhuma. “Igual a arroz. Só serve para acompanhar.”

“Baitinga” – Veado.

“Balançar a roseira” – Peidar.

“Barba, cabelo e bigode” – Trepada completa (de cabo a rabo) com direito a sexo oral, anal e convencional.

18 pensou em “O LINGUAJAR “CHULO” DO CEARENSE

  1. Morei em Fortaleza, até 1968, e me deliciei relembrando expressões tão em uso naquela Capital. Fez-me rir de tanto que gostei.

    • Francisco (Xico), a gente era feliz e num sabia. Hoje temos que conviver com “empoderamento”, “aplicativo”, lgbt e outras merdas mais. Arre égua!

  2. José Ramos, suas crônicas, sempre muito boas. Esse linguajar do cearense sempre foi nossa principal característica, além da famosa fama de cabeça chata.
    Essa expressão (abriram as portas do inferno) me trás a memória, uma família lá do Antonio Bezerra, composta de seis moças, todas muito feias, que a rapaziada chamava de (furna da onça).
    Quanto ao Zé Tatá, dono de boite em Fortaleza, que diziam ser muito valente, era daqui de Sobral. Depois de idoso voltou a sua terra, tendo morado na Av. Dom José, próximo ao Colégio Santana. Tornou-se famoso e comentado, pois toda tarde se sentava na calçada para ser visto.
    Hoje, é figura folclórica e citado em todos os livros de reminiscências da Princesa do Norte.
    Salvador Pedroza
    Sobral-Ce.

  3. Zeramos, voce se lembra que o ze tata tinha um jeep e ele sempre carregava no dito cujo um facão de bom tamanho, aí pergunto voce sabia pra que era o facão?

    • Claudino, saí de Fortaleza em 1967 e andava muito pouco pela Franco Rabelo. Mas a gente ouvia dizer que, esse facão era para “obrigar o parceiro” pegar o furico dele. Não sei se era verdade.

  4. Caríssimo cronista Zé Ramos:

    Você, na sua forma peculiar de nos esmiuçar as reminiscência da infância, nos faz reviver os tempos bons, maravilhosamente bons, onde sarrar e bater punheta eram nossa diversão

    Na minha adolescência o veado (viado) era macho. Mas macho do que o negão Madame Satã, que enfrentava qualquer parada na porrada; e no fiofó, melhor ainda para ele.

    O que mais recordo é a expressão “desmancha prazer.” Lembro-me que tínhamos um colega de nome Aristide que ficava puto quando eu e Inaldo, colega de classe do Colégio Estadual, saíamos à noite o seguindo para frescarmos com a cara dele. Quando o descobríamos, ficávamos no encalce até o ponto dele ficar puto conosco e partir para cima da gente de estaca na mão.

    “Puta que o pariu!” Vocês aqui novamente seus “desmancha prazer!” – dizia ele espumando de raiva!

    A vida de adolescente era muito bom na nossa época, porque mantínhamos contato com o que havia de mais puro na Natureza: A Inocência!

    • Cícero, quem conhece a alma humana, sabe bem que somos todos uns sacanas. Eu disse, “somos” independente de sexo. Mulher também gosta de uma sacanagenzinha. O que a maioria delas não gosta é de publicizar, como os homens. Mas, que elas também gostam, lá isso gostam. Mulher adora uma mulegada nos peitinhos, um longo e demorado passeio com massagem no ponto “G” e outras “maravilhas” mais, partindo para uma boa “Lapingochada” antes dela ficar “Vitalina”!

      • Zé: vamos fofocar?

        A respeito de mulher que gosta de uma “mulegada” nos peito te tenho uma pra contar:

        Tive uma namorada extra, evangélica, já bem coroa. Ela casou-se com um eunuco e ficou desesperada desde a primeira noite porque ele “nem nem.” Virou-lhe as costas.

        Ela pediu o divórcio “alegando falta de iniciativa do macho para com ela calamengar.”

        Por muito tempo ficamos amigos, até que um dia, depois de fugir muito de minhas mãos “traiçoeiras”, aceitou as sacanagens!

        Curioso por saber por que ela cedeu, me soprou no ouvido: “Porque eu queria ser tocada.”

        • Apois num é, macho réi! Claro que seria uma irresponsabilidade generalizar, dizendo que toda mulher gosta de uma sacanagenzinha. Não. Não são todas que gostam ou aceitam. A gente que é adulto, tem filhas e tem mulher e quer que o respeito exista, a gente tem que ter certeza que não são todas que aceitam. Tem mulher séria e correta? Claro que tem. Mas, tem homem sério, também. Alguns, até são chamados de “eunucos” (kkkkkkkk). Mas, esse “desejo de ser tocada” que vosmecê disse no comentário, é coisa pequena diante de tantas outras sacanagens. Não existe uma escola formal de sacanagens – por isso que afirmou que tem gente confundindo “opção sexual” com “orientação sexual” que é o que mais se escuta e lê nas redes sociais. Alguém por acaso vai “orientar” um(a) jovem a escolher e se decidir pela prática sexual? Claro que não. Ele que vai “optar” por ser isso ou aquilo e viver da forma que lhe convier.

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