PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Discreto, sério, culto e educado,
Segue em visita a uma livraria.
Relê um conto, lê uma poesia.
“São tantos livros!” – pensa emocionado.

Até lamenta não ter dedicado
A vida inteira simplesmente a lê-los.
Mas, eis que surge um par de tornozelos,
No pé esquerdo, um trevo tatuado.

As panturrilhas e cada joelho,
Coxas que somem sob o tom vermelho
De um vestido fino e sensual.

E, sem esforço, aquela criatura
Logo desvia da literatura
Toda a atenção do intelectual.

Marcos Mairton da Silva, Fortaleza-CE, é juiz federal, mestre em Direito Público (UFC) e MBA em Poder Judiciário (FGV Rio). Juiz Auxiliar do STJ. Escritor, poeta, cordelista, compositor e colunista do JBF

8 pensou em “O INTELECTUAL – Marcos Mairton

  1. Bom dia Dr. Marcos, muito bom o soneto, (acho que o nome é este mesmo) compartilhei no Face e com amigos do ZAP, um abraço grande.

  2. Escritor, poeta, cordelista, compositor e, nas horas vagas, colunista do JBF. Sim, senhor juiz. Eis o homem da letras fascinado por uma Kelly LeBrock personificada ante seus olhos. Ammazza la vecchia… Sim, também euzinha, nos áureos tempos também já tive meus momentos The Woman in Red. Hoje, oitentona, olho as fotos de outrora e sorrio. É o que me resta.
    Um beijo na bochecha do múltiplo homem de tantos talentos
    Matilde, ‘la abuela más guapa del mundo’

    • Já fiz uma resposta geral, mas esse comentário merece uma resposta especial. Um beijo pra você também, Matilde. Oitentona, mas mantendo viva a juventude espiritual, porque essa nossa carcaça sofre com a ação do tempo, mas o amor pela vida e pela liberdade não se importam com essas coisas!

  3. Este soneto de Marcos Mairton é uma crônica visual refinada que retrata a rendição do intelecto diante da beleza estética. Em outras palavras, seu texto se traduz em uma celebração da beleza como arte.
    Ao descrever tornozelos, panturrilhas, pé tatuado com trevo, joelho, coxa e um vestido sensual, o poeta celebra a forma feminina com leveza, focando na admiração estética e sensorial em vez da vulgaridade explícita. A cena transforma o homem culto num espectador surpreso, valorizando a graça feminina como uma arte capaz de superar a literatura, focando na apreciação sensorial e na admiração do belo.
    Gostei muito.

  4. Fazia tempo não via esse nobre conterrâneo por aqui.
    Se ainda existir por lá, vamos comer uma peixada no Restaurante do Alfredo, no Meireles!

  5. Caros amigos, que alegria!
    Primeiro por ter meu soneto O INTELECTUAL selecionado para a coluna de Pedro Malta, que abriga nomes de grandes poetas. Grato pela generosidade, Pedro!
    Depois, pelos vários comentários da comunidade fubânica, manifestando sua aprovação a esse soneto que escrevi já faz uns anos, mas ainda gosto de declamar quando estou com amigos. Pelo jeito, muita gente se identifica com a situação!

Deixe um comentário para Tatá Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *