PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Quando depões sobre o teu Cristo amado,
– esse Cristo que pende de teu peito,
ungido de ternura e de respeito –
um beijo de teu lábio imaculado,

eu, sacrílego, sinto-me levado
– ou seja por inveja, ou por despeito –
a arrebatar o Cristo de teu peito
e em teu peito morrer crucificado.

Mas, quando vejo, do teu lábio crente,
cair sobre o Jesus a prece ardente,
talvez por nosso amor, talvez por mim,

ardo na chama intensa dos desejos
de, arrependido, sufocar meus beijos
nesse teu alvo Cristo de Marfim.

4 pensou em “O CRISTO DE MARFIM – Antero Bloem

  1. A primeira vez que ouvi este poema foi em 1971quando estive internado no hospital CATO em Salvador- Ba, na época eu tinha sofrido um acidente de carro e aguardava para fazer cirurgia na perna esquerda. Recordo que conhecemos uma Novissa muito bonita e simpática que também acompanhava seu irmão que estava em tratamento neste dia o escritor e poeta Carlos Napoli declamou para ela este lindo poema, pois, a mesma usa sobre seu hábito um lindo Cristo de marfim.

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