PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Quando depões sobre o teu Cristo amado,
– esse Cristo que pende de teu peito,
ungido de ternura e de respeito –
um beijo de teu lábio imaculado,

eu, sacrílego, sinto-me levado
– ou seja por inveja, ou por despeito –
a arrebatar o Cristo de teu peito
e em teu peito morrer crucificado.

Mas, quando vejo, do teu lábio crente,
cair sobre o Jesus a prece ardente,
talvez por nosso amor, talvez por mim,

ardo na chama intensa dos desejos
de, arrependido, sufocar meus beijos
nesse teu alvo Cristo de Marfim.

Deixe uma resposta