Capa e contracapa do livro
Na última quarta feira, no Salão Nobre da Associação Atlética Banco do Brasil, nas Graças, lancei a 2ª biografia que escrevi sobre um dos maiores compositores brasileiros: Lourenço da Fonseca Barbosa, nosso saudoso Capiba, apresentada em livro com 302 páginas, das quais, mais de 180 com foto-ilustrações, com o miolo todo em couchê e capas coloridas.
A festa foi uma louvação àquele maestro, pianista, poeta, compositor, pintor, escritor e piadista, apresentando uma Hora de Arte, com show do pianista Marcos Menezes e a cantora Lua, tendo como plano de fundo e trilha sonora, todos os ritmos de Capiba.
Mesa de Honra: Carlos Eduardo, Paula Rubens, Luciano Lobo, Zezita, Euler, Francisco Melo e Luiz Guimarães. – Foto de Débora Barros.
A escritora Paula Rubens, patronesse da festa, assumiu a tribuna para descrever suas impressões sobre o livro:
Começo pela capa que retrata Capiba com um sorriso de menino arteiro; tão realista que parece estar apenas esperando que a gente lhe dê corda e puxe conversa. Mas, meu encantamento vai além da apresentação do visual, descobri algumas convergências entre o autor e o biografado.
Assim como as músicas de Capiba, descomplicadas e ricas de significado, também traduzem a história social do carnaval. A escrita de Carlos Eduardo encanta pela simplicidade, pelo humor e por ser saborosamente coloquial. Na dimensão histórica da obra, encontrei meu maior encantamento.
E findou suas palavras informando que a grande novidade, o mérito maior de Carlos Eduardo, foi ter ido além da música e da trajetória pessoal do biografado e por motivação de Capiba, contou a história de toda uma época, mantendo viva a memória do compositor e a história geral do Brasil.”
Após a apresentação do livro, pela Patronesse, a solenidade continuou. Na Mesa de Honra estavam: Carlos Eduardo, Paula Rubens, Luciano Lobo, Zezita, Euler, Melo e Luiz Guimarães.
Falei, então, sobre lindas aves que proliferam na Ásia Central e Oceania, que proliferam alimentando-se em águas rasas, junto às margens de lagos, rios e açudes, onde existe vegetação aquática abundante: os cisnes.
E esses animais me lembraram, naquele momento, a expressão: “O canto do cisne”, metáfora que se refere à última grande realização de uma pessoa, antes do fim da carreira profissional ou de sua vida.
Trata-se, porém, de uma lenda que aqui se faz como metáfora. Dizia-se, na Antiguidade, que o cisne-branco passava a vida em silêncio ou emitindo sons pouco melodiosos, uma espécie de grunidos. Entretanto, momentos antes, quando pressentia que a morte se avizinhava, entoava uma canção extremamente bela, depois tombavam inertes.
Um casal de cisnes brancos nas águas da Índia. Foto iStock.
E dei continuidade à minha oração acrescentando:
Esta noite representa para mim, o “Canto do Cisne”, porque já completei 90 anos. Publiquei 34 livros, tenho 4 filhos, 12 netos e 11 bisnetos. Quantas realizações divinas!
Portanto, o bom senso recomenda que devo concluir minha atividade profissional, como autor e editor de livros, ausentando-me de vez. E dessa forma, ofereço às gerações atuais, algumas notas biográficas sobre um velho amigo, na data das comemorações dos 122 anos do seu nascimento, avaliando a dimensão de eternidade com outras figuras do Pernambuco cultural.
E o faço emocionado, para louvar um compositor que em vida recebeu a maior honraria de Pernambuco: o título de Comendador da Ordem de Guararapes, Classe Ouro.
E depois da partida para a Eternidade, foi incluído entre os três maiores personagens do século passado, juntamente com o sanfoneiro Luiz Gonzaga e o sociólogo Gilberto Freyre.”
Juntamos, numa festa quase íntima, a família do compositor, com destaque para a viúva Zezita e parentes que vieram de Salvador. E em atmosfera de júbilo, louvamos Capiba como se um santo fosse, como me disse o Dr. Gilberto Freyre.
Luciano Lobo, Presidente da AABB, declarou ao jornal Folha de Pernambuco que o livro era mais um importante trabalho do Departamento Cultural, para a preservação da cultura de Pernambuco e que, seu clube, ao apoiar a iniciativa, reafirmava o compromisso de prestigiar os valores dos nossos artistas.
Encerrou suas palavras reafirmando o compromisso de fazer parte do projeto de valorização do esporte, da cultura e do lazer dos associados do Clube. Emocionado, pronunciou: “Viva Capiba! Viva a Cultura pernambucana! E viva a AABB-Recife!
Euler Araújo de Souza, Vice-presidente de Comunicação, da AABB e Presidente Emérito da Academia de Artes e Letras da AABB-Recife, organizador dos trabalhos complementares da edição do livro e os detalhes da festa, ocupou a tribuna manifestando seus pensamentos, através de simbólico discurso:
A cada dia em que celebramos manifestações de reverência à nossa identidade cultural, cumprimos um imperativo dever humanitário. Hoje, as homenagens vão para a plenitude artística da obra de Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba) e para o autor do livro “Viva Apiba”.
É provável que ninguém guarde uma compreensão tão intensa e íntima sobre o Mestre Capiba quanto o escritor Carlos Eduardo Carvalho dos Santos. Sua autoridade sobre o tema é indiscutível, está fundamentada na erudição, em anos de convivência genuína e na sólida amizade com o maestro.
Contudo, se houver outra mente que compartilhe de tamanha sabedoria, isso nos deve ser recebido com entusiasmo, pois o conhecimento e a transmissão de saberes constituem os pilares de qualquer civilização desenvolvida.
O livro é extraordinário: uma obra primorosa, tecida com narrativas envolventes e um acervo iconográfico fascinante. Ao concluir sua leitura, manifestei meus sentimentos.
Esta é uma bela obra. Nesse instante, com a imaginação ainda no calor do contexto literário, senti a voz de Capiba ao piano me dizendo: Você diz que ela é bela; Ela é bela sim senhor.
O autor é uma fortaleza longeva cuja sabedoria atravessa mais de nove décadas. Ao soprar essas palavras ao silêncio, mais uma vez vi Capiba replicar nas teclas do piano: “Ele é madeira de lei que cupim não rói”.
A AABB Recife, mais uma vez, cumpre sua missão institucional e sociocultural ao salvaguardar a memória coletiva e, neste ato solene, reverenciar o legado de seu próprio cofundador. Parabéns ao escritor Carlos Eduardo por manter viva essa chama e semear a cultura brasileira. Viva Capiba!
Portanto, sinto-me rejubilado por haver completado a obrigação sentimental de transmitir um recado àquele que partiu rumo à Eternidade. E em sua maneira de “engolir as consoantes”, falamos mais alto, como me disse Ariano Suassuna: “Bravo! Viva Capiba”!
E foi assim, caros leitores, que completei minha tarefa de historiador, louvando a memória de personagens que projetaram ainda mais a cultura brasileira; melhor dizendo, terá sido meu “Canto dos Cisnes”.


