XICO COM X, BIZERRA COM I

Reflexões íntimas sobre a finitude dos príncipes pequenos e dos imensos plebeus morais

Escolhi o mais profundo dos poços e lá joguei o Exupéry que nunca li e que se empoeirava sobre a mesinha de cabeceira. Talvez por isso me sobre tanta necessidade de reflexões. Estarei certo ao deixar a bolsa que conduzo a tiracolo, de tão surrada pelo não uso, pendurada no punho da rede armada no sótão escuro? Será correto aproveitar o meio litro do conhaque que sobrou da última farra e derramá-lo numa fogueira bem bonita em frente à minha casa? Não sei. Sei que o fogo vai subir e iluminar todas as calçadas da rua e adjacências mas não conseguirá clarear minhas dúvidas. Pensei sobre o dinheirinho mensal que a UBC me presenteia todo santo mês: deixo-o com os pedintes da rua, a metade, e com as putas, o que sobrou. Estarei certo? Ao invés de postar baboseiras e discutir política pelo WhatZap prefiro ficar conectado com a lua e mandando SMS para as estrelas, diretamente do meu notebook virtual escondido no mais recôndito espaço do meu coração. Digo-lhes como está alegre a noite. Acendo um cigarrinho daqueles que passarinho nunca acende e durmo a noite inteira, convicto de que não merecerei o Paraíso, mas nem por isso serei menos feliz. Passo a noite sonhando com anjos e fadas fazendo amor sobre nuvens branquinhas contrastando com um azul nunca dantes tão celestial emoldurando aquele cenário de Paz. Não sei se estou fazendo o certo. Mas o certo é que o dia amanhece mais bonito do que quando sumiu na noite anterior. Coreografia perfeita. Melhor ambiente não pode haver para refletir sobre a finitude dos príncipes pequenos que vagabundeiam heroicamente pelas ruas e dos grandes plebeus morais engravatados que habitam o Planalto. Preciso chegar a alguma conclusão acerca da impermanência de soluções adequadas para todos os problemas que permeiam minha existência. Quem sabe deva ler Exupéry?

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7 pensou em “NUNCA LI EXUPÉRY

  1. Faltou só dizer, Mestre Xico, que o baobá do Pequeno Príncipe é aquele ali em frente ao Palácio do Campo das Princesas. Por conta das viagens semanais que fazia, pela Aerospatiale, transportando correspondência. E passando aqui, lá ia sempre, contemplar a bela árvore. Você é gênio. Abraços.

  2. Conhecido pelo “O Pequeno Príncipe”, Antoine Marie de Saint Exupéry ficou com a pecha de autor das misses. No entanto ele tem uma obra sólida e muito profunda, escrita por um homem que saia de Paris em um avião de lona, atravessava o deserto do Saara (onde ele concebeu “O Pequeno Príncipe”, quando de uma queda do avião) atravessava o Oceano Atlântico cortava toda a América do Sul, inclusive atravessando os Andes, para chegar no Chile.
    Destaco na sua obra, “Terra dos Homens”, “Correio Sul” e “Piloto de Guerra”.
    Morreu em uma aeronave militar na II Grande Guerra no Mar Mediterrâneo.

  3. Sempre bom aprender – ou reviver fatos pouco conhecidos sobre grandes autores. O fato de Le Petit Prince ser leitura preferida das misses não consta do meu texto, embora seja de conhecimento público tal preferência. E isso em nada desabona o valor da obra de Antoine Marie. Meu abraço ao Osnaldo e ao Padre José Paulo, este sempre esbanjando gentileza e sabedoria. E viva o baobá pernambucano.

  4. Xico, leia. Provavelmente você, diferente de nós, vai encontrar algo melhor que encontramos em Paulo Freire. Li várias vezes, e sou feio pra dedéu, o que parece ser a mesma coisa de “não ser miss”. Também não vi como sendo um “livro para crianças” (misses, muito menos). Quando li “O Pequeno Príncipe” pela primeira vez, eu tinha 17 anos e nem pretendia ser miss. Hoje, com 79 anos, sem nunca ter sido miss, já vi muita coisa ali escrita acontecer. Mas, também concordo com outras pessoas: o melhor livro desse autor é realmente “Terra dos homens”. Leia e conseguirás ver que, a bolsa que você carrega sempre à tiracolo, conduzirá, além do seu bom coração, uma porção de amigos desinteressados da materialidade das coisas.

  5. Seu conselho, querido Ramos, será seguido. Lerei e voltarei a comentar o assunto por aqui. Já havia despertado o interesse por conta dos comentários anteriores. Agora decidi: lerei, mesmo não tendo pretensão de me candidatar a miss. Kkkk

  6. Meu caro Assuero, o grande problema continuará sendo a descoberta da impermanência deles. Mas se descobrir, repassarei aos amigos o x e o y dessas incógnitas. Abraço matemático XICO

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