Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as joias que p’las aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!
Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi…
Mostrem-me esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!
O meu País de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!
Quero voltar! Não sei por onde vim…
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Muitas pessoas lamentam pela vida que não viveu, têm saudades daquilo que não foi.
A ansiedade de viver num paraíso faz com que deixemos o tempo passar e não desfrutemos dos pequenos grãos de felicidade que Deus nos dá a cada instante.
Querem coisa mais feliz do que poder acordar e poder respirar? Tomar um café, comer algumas coisas e depois tratar de nossos afazeres?
– Ah, mas isso é rotina, João.
Santa rotina.