
Nomes diferentes para as mesmas coisas
O Português é uma língua diferenciada. Difícil de ser falada ou escrita de forma sempre a mais correta. Provavelmente por conta de aceitar receber influências de idiomas estrangeiros. Uma miscelânea, digamos.
Isso, sem contar as constantes propostas de mudanças – via de regra por pessoas sem qualquer competência para isso.
Ficamos apenas com um exemplo. As influências da língua inglesa que absorvemos e passamos a usar com frequência: lobby, podcast, shopping, delivery, etc., etc.
Lá pelos anos 50/60, pelo menos no Liceu do Ceará, havia a demonstração de uma verdadeira ojeriza ao idioma inglês – e muitos procuravam evitar o uso de palavras já dominantes naquela época. Claro que de nada adiantou, pois o Liceu nada mais era que uma pequena comunidade que, digamos, “protestava”.
Nos dias atuais, duas palavras da língua inglesa entraram na fala diária do povo brasileiro: fake news e live.
De forma consciente, ou não, provavelmente por uma quase insignificante parcela da população, a linguagem e as expressões por esse Brasil à fora, insistem predominantemente – alguns rotulam de “linguagem raiz”.
Ora, bem ali (bem ali, uma ova!) no RIO GRANDE DO SUL, provavelmente por conta da proximidade da fronteira com países como Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile, os gaúchos desenvolveram, e continuaram praticando falas que mais parecem coisas de outro planeta. Mas, dali, do Chuí até os Arroios, todos sabem o que significam. Isso sem levar em conta o linguajar considerado folclórico.
“Gaúcho macho não come mel. Mastiga a abelha”
“Vaca de campo não tem touro certo.” Essa, claro, com um forte duplo sentido, que os maldosos podem querer dirigir às mulheres.
“Quando se pega na rabiça do arado, deve-se ir até o fim do rego.”

Esse baiano tem muito tempo – vai cagar longe
Viajando algumas horas, encontramos o estado da BAHIA, com modos e falas completamente diferentes.
“Quem tem tempo caga longe.”
“Afine o seu pescoço!” – Forma “educada” de aconselhar a outrem para ser comedido, parar com atrevimento, falar baixo e respeitosamente, sem agredir ao outro.
“Boca de zero nove.” – Alguém, homem ou mulher (ou um terceiro sexo que querem inventar na Bahia) de muita coragem para qualquer coisa. Topar qualquer “parada”.

Foto 3 – Zé Wilker propagador do linguajar cearense
Da Bahia ao CEARÁ não é tão distante. A forma de falar do cearense, também cheia de lero-lero e alguns significados duplos e repleta de remandiolas ou enchimento de saco, isso sem contar a influência recebida pela comunicação fácil e “ondas e momentos” das emissoras de televisão – ainda que prevalecendo na maioria dos casos a linguagem local.
“Se fazeno de besta, pá mió passá!”
Alguém que prefere ouvir e ficar calado como resposta. Considerado como pessoa inteligente, que jamais adere ao revanchismo agressivo. Se dá sempre bem, e está sempre “de boa”.
“Curubau” – Curuba é uma virose chata. Atinge pessoas na tenra idade. Provoca irritações, coceiras e incômodos. Daí o uso e a manut6enção da expressão, quando alguém quer se referir às pessoas que incomodam além da conta. Gente chata, antipática.
“Água qui passarim num bebe!” – Cachaça, produto feito da cana destilada com alto teor alcoólico. Bebida branca, parecendo água, mas dessa que passarinho não bebe.

Bar do Rio de Janeiro onde o “falar” local corre fácil
Passando pelo RIO DE JANEIRO, qualquer pessoa sensível vai perceber no palavreado do “carioca” (que não é apenas aquele que nasce no lugar, mas o que vive no estado há muito tempo). Fácil de aprender, a maioria com um único sentido e sem indicação de maldades.
“Dar uma moral” – Quando você vai pedir ajuda a um carioca, ele não vai te ajudar; vai te dar uma moral.
“Mete o pé” – O carioca não sai e vai embora de um lugar, ele mete o pé.
“Maneiro” – É um adjetivo que, nas gírias cariocas, significa que algo é legal, interessante. A gíria “show” também se encaixa nesse caso.
O “afrancesamento” já foi muito usado também. Sou tão contra, que escrevo saite, emêio…
Manoel, não entendo nem quero entender de leis que se relacionem a isso. Não sei se existe lei que determine que o “Inglês” é a primeira língua do mundo. A preferencial. Na questão comercial, por exemplo, por que “delivery” e não “entrega doméstica”? Por que os computadores tem descrições em inglês, em vez da língua usada pelo país comprador? Não sei. Não entendo nada disso.
Coluna para ler, reler e depois encaminhar o link para um magote de amigos.
Jesus, você é muito generoso com o autor. Já virei seu fã!
Aqui na terra do big brother do norte, é comum a expressão “Living and Learning”, ou seja, “Vivendo e Aprendendo”. Hoje aprendi mais algumas coisas divertidas e inteligentes com o grande José Ramos. Beleza!
Tenham todos um excelente final de semana.
Magnovaldo, veja apenas uma vantagem no idioma inglês: uma coisa será sempre a mesma coisa em todos os lugares. Exemplo: coffee. No nosso Brasil, temos: café, cafezinho, café da manhã, isso e aquilo. O inglês usa o “coffee” e o “breakfeast”! Simples. O idioma português é muito difícil de falar e mais ainda de escrever.
Boa, meu mestre. Cada publicação é mais uma lição prá gente que pensa que sabe tudo.
Beni, obrigado irmão. Volte sempre que lhe der na telha. Repare aí: “telha”. Claro que não é a telha que cobre as casas. Viu como o idioma tem vários sentidos?
Zé, a língua realmente é fonte de riqueza. Em 2005, uma jovem cearense veio fazer doutorado aqui e tinha uma padaria que ela comprava as coisas. Começou o papo com a atendente:
– eu quero uma fatia de rocambole
– a gente não tem rocambole
– tem aí, atrás de você.
– isso aqui?
– sim. Isso mesmo.
– isso não é rocambole. É bolo de rolo.
Um dia ela me disse: “o povo daqui tinha uma conversa de dizer que o café está aguado…ora, café é feito com água mesmo só pode estar aguado. Deviam dizer que o café está sem açúcar!”.
Assuero, para os cearenses é isso mesmo. Exemplo: ata. Se você não especificar, vai ter confusão. Ata (a mesma fruta do conde, ata da reunião, etc.).