DEU NO JORNAL

Alexandre Garcia

Thomas Jefferson começou a Constituição dos Estados Unidos com as palavras do Direito Natural, de John Locke: We the People – nós o povo. Essa foi a base jurídica que em 140 anos converteu o país em primeira potência do planeta. No ano que vem vamos comemorar 200 anos de independência e me pergunto por que ficamos tão distantes dos americanos que, afinal, fundaram sua primeira colônia um século depois de nós. E mais, pergunto que país queremos deixar para nossos filhos e netos que estão nascendo agora, quando tiverem 20 anos.

Uma Constituição é garantia de estabilidade institucional e jurídica; não o contrário. No entanto, nossa jovem Constituição tem sido desrespeitada nesses últimos anos. Aconteceu na condenação da presidente, nas prisões de jornalista e de deputado, nas provas ilegais, no direito de ir e vir, no direito ao culto, na inviolabilidade da casa. E com a cumplicidade ativa da Câmara e o silêncio da mídia. Que país vamos deixar para nossos descendentes?

Temos um potencial bem superior ao dos Estados Unidos. Nosso subsolo tem uma pujança que nossa imaginação não alcança. Temos duas amazônias – a verde e a azul, oceânica. Mais do que isso: temos o combustível que mantém vivas as pessoas – o alimento. Já alimentamos 1,6 bilhão de terráqueos e temos condições de triplicar a produção agrícola e pecuária sem afetar a vegetação nativa. O mundo tem terra mas não tem água. Nós temos as maiores reservas do mundo, em gigantescos aquíferos.

Essa é nossa responsabilidade. Na medida em que o poder de compra e a população aumentarem, quem estará em condições de alimentar o mundo? Quem tem terra e água? Podemos ser colônia, como fomos por mais de 300 anos, ou nós, o povo, estamos nos habilitando a garantir nossa soberania e conquistar o nosso lugar? A necessidade de alimento tem mais força que todas as armas nucleares. Vamos legar aos nossos filhos e netos um país altivo? Ou vamos aceitar a divisão, o enfraquecimento das bases e valores, a semeadura do caos a submissão de um novo fique em casa, enquanto se servem? Nós o povo precisamos pensar nisso. O medo não pode tolher a liberdade.

1 pensou em “NÓS O POVO

  1. Prezado Garcia

    O poblema está na frase “temos um potencial”. Temos (desde Caminha) mas não usamos.

    Não usamos em tecnologia. Não usamos em Educação.

    Usamos no agronegócio, apenas, mas isso nos torna um país “bananeiro”, que exporta bananas e importa bananada.

    É isso, exportamos commodities e importamos produtos acabados e tecnologia.

    O que falta é primeiro uma revolução na educação (vide Coréia do Sul), mas esta deve ser precedida por uma profunda modificação na gestão pública e na própria legislação. Acabar com roubo do dinheiro pública, acabar com a corrupção do toma-lá-dá-cá, acabar com políticos mais interessados em satisfazer seus nichos sem se importar com as necessidades do povo.

    Temos que mudar a legislação pró-reus e colocar os ladrões na cadeia, sem ter um Gilmar Mendes para soltá-los. Temos que ter uma Lava-Jato forte e atuante, temos que ter um STF coerente e voltado para a defesa dos cidadãos e não dos ladrões.

    Se isto não ocorrer pode acontecer como na história (lenda urbana?) que os russos dominadores na Hungria aportavam mais recursos às prisões e menos às escolas. “Afinal nenhum de nós vai voltar para a escola” – teria dito o secretário do Partidão.

    É isso. Abraços

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