JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

Serenata à namorada

Vou-me embora pra Pasárgada. Lá, não sou amigo do Rei, mas sou da Corte, sem ser vassalo e muito menos o “bobo”.

Vou pegar meu matulão, encher minha cabaça d´água e pegar a estrada para refazer o que fiz de bom na tenra mocidade. O ruim, nem pensar em refazer.

Volto ao tempo em que rapaz namorava moça e homem namorava mulher – e quem fazia o que faz hoje, desonrava a família. Tempos bons, quando até um inocente beijo na boca tinha que ser escondido.

Sexo com a namorada?

Zulive! Nem pensar!

Ou o jovem se masturbava no recôndito da camarinha, ou “demorava muito no banho”, ou pedia dinheiro aos pais para “trocar o óleo” com as prostitutas. E os pais sempre davam. Achavam melhor financiar a “troca de óleo” do filho, que escutá-lo, mais adiante, escolhendo como presente de aniversário um sutiã “Du Loren”!

Essa narrativa que ninguém me pediu, me levou de volta à “minha primeira vez”. Foi no Motel Calango.

Foi bom, e me custou alguns problemas. Deu bucho e teve resultado. Já se vão 62 anos!

Aquela falta de compromisso resultou na necessidade de jogar fora várias cuecas da marca Torre, branquinhas e lavadas com anil (quem lavava minhas cuecas era minha santa Mãe – hoje faço isso há mais de 50 anos). Uma gonorreia braba que me fez ter que recorrer à 1 milhão e 200 mil unidades de Benzetacyl. Fiquei curado, mas passei perrengue. Eita injeção filha da puta! Mas “seuve” e cura.

Quatro anos depois, a vida sorriu. O romantismo chegou, e trouxe com ele o meu entendimento do que era gostar de alguém. Homem gostando de mulher – no caso, rapaz, gostando de moça. Diferente de hoje, onde a escolha desnuda o convívio familiar.

Dinheiro e gastanças fáceis

Foi a partir de então, que conheci as mensagens contidas em algumas letras musicais:

“Contigo aprendi
Que a vida se renova a cada instante
Contigo aprendi
A conhecer o mundo, a ver adiante
Aprendi
Numa semana contar mais de sete dias
A ver maiores as pequenas alegrias
E a crer nos outros, eu contigo aprendi
Contigo aprendi
Que existe luz na noite mais escura
Contigo aprendi
Que em tudo existe um pouco de ternura
Aprendi
Que pode um beijo ser mais doce e mais profundo
Que posso ir-me amanhã mesmo deste mundo
As coisas boas eu contigo já vivi”

Mas, o jovem será sempre um eterno irresponsável que, somente levando tropeços vai conseguir amadurecer – isso, se enfrentar o mundo e os problemas. Se continuar “debaixo da saia” da mãe, o máximo que conseguirá ser é um baitola. Reclamará da vida, reclamará que sofre bullying – até que os pais lhe atendam e, para não vê-lo cair em depressão, lhe presenteiem com um sutiã.

Pois, por dois ou três anos consecutivos, ainda morando em Fortaleza, eu tinha cinco namoradas – e frequentava quase diariamente a casa de todas elas. Era um fdp.

Peguei um ônibus da Expresso de Luxo, viajei quase três dias e fui aprender a viver e amadurecer no Rio de Janeiro, onde morei por mais de duas dezenas de anos e casei pela primeira vez – enlace que me presenteou com duas filhas maravilhosas. Mas, também não tive vida fácil. Os tropeços serviram, como disse antes, para me ajudar a amadurecer e ser um homem de fato. Hoje, um idoso que faz qualquer coisa para não prejudicar ninguém.

Na Cidade Maravilhosa me tornei “macaco de auditório” do Feitiço da Vila, do Canecão, da Portela, do Botafogo de Futebol e Regatas e realmente aprendi que, “a vida se renova a cada instante” (tal qual a letra da música caribenha gravada por Moacir Franco).

Passei a gostar de gafieira, onde aprendi a dançar. Passei a amar o fado português e o tango argentino. Mas nunca esqueci, e jamais esquecerei as muitas serenatas feitas nas frentes das casas das namoradas.

Sem ser Romeu, e ela sem ser Julieta.

Esses tempos são o sal e o fermento da vida. E jamais voltarão.

20 pensou em “NEM ROMEU TAMPOUCO JULIETA

  1. Dizem as más línguas que Armando Manzanero, autor da música Contigo Aprendi, citada por você, era baitola e a dedicou a um seu “caso”.

    • José Percival, esse fulano era mexicano ou cubano. Pra ser baitola deveria ser cearense. Kkkkkkkkkkk Claro que isso jamais significará que todo cearense é baitola. Eu nunca fui nem serei baitola – mas sou cearense com orgulho.

  2. Zé, Armando era mexicano. Não entendi essa explicação acima. Todo baitola é cearense, mas nem todo cearense é baitola? Eu ensinava num colégio estadual e sempre tive uma boa amizade com meus alunos. Idos dos anos 1980. Um deles, J., começou a namorar R e uma coisa que a turma fazia era ir namorar na praia. Acho que uma semana depois o namoro acabou e eu perguntei a R qual o motivo. “A gente foi pra praia e ele não fez nada”. Depois da aula eu tomava uma cervejinha com os alunos/alunas, principalmente às sextas. Aí, juntei 4alunos, incluindo J, e disse que avisassem aos pais que iriam sair comigo e que eu os deixaria em casa. Levei-os pra um bom local, cheio de putas finas. Paguei uma delas pra J se iniciar. Enfim, o cara não quis mais saber de R. E toda sexta ficavam os quatros me esperando “professor, como vai ser hoje?”.

    • Eiiiiita pera aí. Não é todo cearense que é baitola. Eu, pelo menos não sou e não aceito muito quem é. Cada um tem o direito de ser o que ou “dar o que é seu”. Mas, não queiram me obrigar a aceitar isso como sendo coisa normal. Dar o traseiro é doença sim. Para mim, é. alguém vai me obrigar a pensar diferente?

      • Professores Assuero e Zé, como vai ser hoje?”.

        Na Cidade Maravilhosa me tornei “macaco de auditório” do Feitiço da Vila, do Canecão, da Portela, do Botafogo de Futebol e Regatas.

        Se o amigo Zé fosse lá pras bandas de São Cristóvão, matar saudade da terrinha no Centro Luís Gonzaga de tradições Nordestinas, nos ralacoxas do forrozeiros do pólo cultural representativo do Nordeste, no Campo de São Cristóvão deixaria o negafogo e teria se apaixonado pelo Expresso da Vitória,o meu Club de Regatas Vasco da Gama.

        • Sancho, por verdade, durante mais de duas dezenas de anos que vivi no Rio, se fui ao Pavilhão da Feira cinco vezes, fui muito. Eu não sinto falta da culinária da minha Terra, pois sempre que quero, faço. Os ingredientes a gente encontra em todos os lugares. Agora, me apaixonar pelo Vasco, jamais. Mas, jamais mentirei: o gol mais bonita de um jogo de futebol que vi até hoje, foi aquele do Roberto Dinamite contra o meu Botafogo, dando um lençol em Osmar, sem um mínimo de espaço.

          • Mestre Zé,
            Concordo com a beleza do lance, com chapéu no excelente zagueirão Osmar Guarneli (pouquíssimos no mundo podem se gabar da façanha de ter parado um dia o Rei do futebol Edson Arantes do Nascimento. – Guarnell já teve Pelé aos seus pés por duas vezes: nos Brasileiros de 71 e 72. Apesar de ser injustamente lembrado só pelo chapéu que levou de Roberto Dinamite – no antológico gol que o camisa 10 marcou na vitória do Vasco sobre o Botafogo, por 2 a 1, no Carioca de 76 ) , com um jovem Sancho presente no Maracanã. E por falar em DINAMITE… Em 04 de maio de 1980, Roberto Dinamite voltava a jogar pelo Vasco diante de sua torcida depois de passar seis meses no catalão Fútbol Club Barcelona. O jogo era Vasco x Corinthians e Roberto fez todos os cinco gols.

            Como vê o amigo, durante minha juventude de domingos de Maracanã FUI muito feliz, assistindo a grandes jornadas vascaínas. Hoje acompanho um pequenino vasco, fruto de péssimas gestões do grupo de Eurico Miranda e seus sucessores, que levaram o Expresso da Vitória ao poço sem fundo da Série B.

            • O Sancho tinha que recordar uma goleada do Roberto Dinamita exatamente em cima do meu coringão, após os espanhóis terem devolvido o gajo, dizendo que ele estava tísico. Não é que o lazarento veio descontar sua raiva em cima do timão?. Por causa dessa lembrança do Sancho,, vou passar quinze dias sem comprar um coco sequer.

              • Paulo, tem muita estrada rodada e mais ainda pela frente para ser alcançada. O futebol, com algumas mudanças impostas pelos geniais dirigentes, só piorou nas duas últimas décadas. A gente começou a dizer ultimamente que, quem mantinha o futebol vivo era o torcedor. A C-19 chegou para nos desmentir. Quem segura e mantém o futebol é a publicidade e alguns magnatas que não sabem o que fazer com o dinheiro que possuem. Investem no futebol, que eles nem sabem com quantas bolas é jogado. Não sei se é verdade mas, se for, entendo que precisaria de uma investigação. Um certo jogador apelidado de Vitinho, agora jogando no Flamengo mas saído do Botafogo, ganharia como salário mensal a mixaria de R$1 milhão e 100 mil. O torcedor que paga impostos e se mata nas arquibancadas, ganha o pomposo salário mínimo de pouco mais de 1 mil reais por mês. Se na Europa existe uma tal de preocupação com o que o clube pode gastar por temporada, por que não aplicar isso também no Brasil?

              • Caríssimo,
                Não faça isso com esse pobre vendedor de cocos. Aí na sua região é meu amigo Zé da Zana, corintiano roxo, que fornece a melhor água de coco do Sul Fluminense e Vale do Paraíba.

                E, para sua alegria o pé quente Sancho estava no Morumbi em 1977, ao lado de meu saudoso cunhado Luiz Carlos Noyama vendo o Todo Poderoso ganhar do timaço da Ponte e ver ruir o jejum de 23 anos sem título no gol do Basílio (86 mil testemunhas no Morumbi). Que noite aquela!!!!!

                • Sancho, sou santista. Por culpa de Pelé. Negar pra que? Dorval, Mengálvio, Toninho Guerreiro (Coutinho), Pelé e Pepe (Edu)?! Era um absurdo. E como era! Estádio Urbano Caldeira fervia de gente – parecia o Estádio da Paz, tamanha era a quantidade de camisas brancas. Toda vez que a gente encontrava Rivelino no Pacaembu, o tapa comia e era sempre mais de 5.

                • Senhor José Ramos, o nosso futebol precisa urgentemente uma forte fiscalização nas direções e conselhos deliberativos… Responsabiliza-lo com seus patrimônios, já seria o começo.

                  • Espie aqui: Olavo Monteiro de Carvalho, João Silva e outros vascaínos eram tão ricos e poderosos que não sabiam onde investir. Eram vascaínos e botaram dinheiro no Vasco, entregando o comando de tudo ao Agatirno da Silva Gomes e ao Eurico Miranda. Deu no que estamos vendo aí. Pior que isso, é esse momento mentiroso que o Flamengo está vivendo – quem lembrar da sede do Morro da Viúva vai entender o que estou escrevendo. Charles Bohrer liquidou com o Botafogo e os que vieram depois continuaram a coisa. Agora, o Cruzeiro, será que Zezé Perrela é o único culpado? Esses times Paulo, eram o futebol brasileiro. Os demais eram apenas coadjuvantes.

                • Gostei da lembrança de 1977,
                  voltei a comprar cocos para acrescentar sua deliciosa água no excelente bourbom Jim Bean. Salute.

            • Parabéns amigo Sancho! Lamento por você, por mim e pelos torcedores do Cruzeiro a situação em que esses clubes vivem hoje.Os três estão literalmente lascados.

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