XICO COM X, BIZERRA COM I

Minha mãe, extremamente católica por tradição familiar e por crença própria, colocou Francisco como meu nome, em homenagem ao Santo de Assis, a quem, no futuro, adotei como protetor. Achou pouco e convocou outro Santo para ser meu Padrinho (naquele tempo havia isso de ter um Santo Padrinho): José. Assim, enquanto criança, me chamavam pelo nome completo. Francisco José, de Myrthinha. Com o passar do tempo o vocativo foi abreviado para Francisco e logo depois, mais prático ainda, para Xico, como sou tratado nos dias atuais. Quantas consoantes e vocais foram gastas no passado, sem necessidade, quando me chamavam de Francisco José. Assumi tanto e com o maior prazer o Xico que, se ao passar numa rua alguém gritar Francisco José ou simplesmente Francisco certamente nem olharei, pois entenderei tratar-se de alguém a chamar um outro alguém que não eu. Mas nenhum vocativo me apraz mais que o que ouço nesses dias atuais: nem Francisco José, nem Francisco, nem Xico. Adoro quando ouço gente importantíssima, de olhar doce e infantil, olhar para mim e me chamar de Vovô.

Primeiro, chegou Bernardo
Vinicius veio depois
Agora vem Leonardo,
Vai ser três o que era dois,
Vai caber tudo no peito
De um cabra satisfeito
Eu, Bezerro, eles meus bois

2 pensou em “MEU NOME E COMO ME CHAMAM

  1. Dom Xico Bizerra:

    Como sempre, o teu escrito é mais uma beleza literária.

    Só que para nós – gaúchos – nele há um “senão”.

    É que tem uma palavra que, pelo geral, estou acreditando significar, bem diferente, para Vcs., nordestinos.

    Não é “bezerro”, que nós chamamos de “terneiro”.

    É a palavra “boi”.

    Que pelo contexto, leva-nos a deduzir – obviamente!!! – ser um antônimo do que é para nós.

    Mas nele – em lugar de “boi” – sempre, usaríamos “touro”.

    Por que ?

    Porque, para nós, “boi” é um “ex-touro”, pois que foi castrado, perdendo a sua “masculinidade”, só servindo como elemento de força animal ou para consumo de carne.

    E que, indubitavelmente, não é e nunca seria a tua ideia, repito, neste contexto.

    Como vemos (no português do Brasil) há algumas diferenças dialetais – ou diatópicas ou geolinguísticas – bem significativas.

    Tenha uma ótima semana!!!

    E um baita abração,

    Desde o Alegrete – RS,

    Adail.

  2. Meu caro Adail, a intenção foi estabelecer um contraponto entre o Bezerro (do meu Bizerra) com os ‘boinhos’ lindos, que são meus netos. Entenda, se assim preferir, meus ‘tourinhos’ e estará preservada a intencao do que escrevi. No mais, receba meu abraco d gratidão pelos elogios proferidos.

Deixe uma resposta para Francisco José Bizerra de Carvalho Cancelar resposta