Comentário sobre a postagem TEM COMO BANÂNIA DAR CERTO?
Maurício Assuero:
Eu li o despacho da juíza no caso do motorista que foi pego com 800 kg de cocaína, algo equivalente a R$ 50 milhões.
Ele ganharia R$ 15 mil para levar a droga.
A juíza considerou que o cara cometeu um erro, não estava associado ao tráfico, não era praxe dele atuar transportando ilícitos e baseada nesses atenuantes, tomou a decisão de não manter a prisão preventiva.
Ele foi preso em flagrante, ressalve-se.
E nesse contexto eu me lembrei de um caso recentemente relatado pelo nobre juiz federal Marcos Mairton, colunista aqui do JBF que utilizou a medida da lei para dar uma chance a um cara que foi preso transportando cocaína, com o agravante de ser tráfico internacional.
Aquele relato foi emocionante e eu, sinceramente, entendo que nós precisamos de juízes com juízo, literalmente falando.
Precisamos de juízes que olhem além da extensão de sua mesa de trabalho, que compreenda a natureza humana, que julgue, antes de condenar.
Precisamos de ações como a de Marcos Mairton, como essa de Alessandra Spalding.
Que surjam no Brasil juízes como Frank Caprio, mas nitidamente, nesse universo não se enquadra a decisão da PGR por manter a mulher presa apenas porque escreveu “perdeu mané”.
Coitada, ela não sabia que essa expressão só deve ser dita por ministro da suprema corte para zombar da população que quer um Brasil decente.
Eu nada sou, nada tenho.
A cada dia menos entendo de tudo.
E não faço mais o menor esforço para tentar saber de todas as coisas.
Mas, com raríssimas exceções, dos homens da Justiça do Brasil eu quero distância.
Não sendo questão de eu entender do Direito ou da moral deles.
Não seja modesto poeta! Sua lucidez é maior do que a de muitos juízes. Mandar soltar não significa inocentar. O motorista foi autuado em flagrante e, no meu parco entendimento, haverá um processo, um julgamento, uma decisão. A juíza não transformou a prisão em flagrante em prisão preventiva, somente isso. Veja, o quanto isso difere da soltura de André do rap! Um traficante internacional, que vive de práticas ilícitas e saiu da cadeia por decisão do STF. UM BMW o esperava e nunca mais se ouviu falar dele. Procurado pela Interpol, inclusive. Esse motorista cometeu um erro, mas não vive do tráfico. É um cara endividado que fez uma merda