CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Fiscais do povo

Ficaram famosos no governo Sarney, durante o infeliz plano cruzado, a existência dos tais “fiscais do povo”.

Eram abnegados – ou melhor enganados – que a falta de fiscalização governamental iam aos supermercados etc. e, denunciavam preços fora da tabela estabelecida.

Foi um nós contra eles, que o PT conseguiu aproveitar mais à frente; é famosa a cena de um cidadão com toda pompa declarando fechado um supermercado “em nome do povo”; está ai a internet para relembrar.

A capa de umas revista famosa trazia o arresto de bois no pasto, com algemas nas patas, também possível de verificar na memória digital.

Na época, a luta era contra a inflação ou, pelo menos tentativa tímida que deu em nada e, pulamos essa fase, felizmente, e a tal inflação a “fórceps” foi controlada.

Hoje, o momento é outro: é a luta compra o inimigo desconhecido – ou conhecido mas impossível de ver – e os tais fiscais são repórteres em busca de sensacionalismos (ou não).

Partem todo dia em busca de pessoas, locais e situações – tais quais os fiscais do Sarney – denunciando um pobre infeliz que vende alguma coisa em uma lona no chão, o comerciante que abre seu meio de vida, o cidadão que vai a praia ou campo em busca de um refresco por estar a tanto tempo em home-office ou simplesmente quem quer cuidar da própria vida, já que a depender de quem os governa, nada acontecerá.

Fica claro que nada acontecerá, pois ao ouvir o mandatário máximo do país, de quem não se quer mais que ações em defesa de seus cidadão – afinal, foi eleito para isso – declarar “não dou bola para isso”, lamento, quer que faça o quê, sou Messias mas não faço milagres”, “todos morreremos um dia” e outras mais, e na outra ponta nosso mandarim de plantão – retornado ao país por conta e obra das pressões das redes sociais, determinar com toda sua entourage: fique em casa – quando ele próprio burla sua lei!

Lógico que um mandatário, por mais poder que tenha no topo da cadeia, pouco pode fazer de milagres, mas dele se espera discernimento, razão, pelo menos compaixão e intervenções seguras para situações extremas, como hoje acontece.

O mínimo que se espera de alguém eleito é que faça jus ao cargo pelo voto outorgado, ser menos egocêntrico.

Lamentavelmente, criou-se uma luta fraticida – se assim podemos colocar a situação – onde a vacina que um propõe (sem dar todas as informações necessárias e criveis de eficácia) e, do outro alguém que não tem nada concreto a não ser projetos e palavras sem nexo e, pior, a crer no que expressa “não tá nem aí”, ou “deixa como estar para ver como fica”.

A se acreditar que a solução será uma vacina, chegamos no impasse de qual será: a hoje em produção pelo Instituto Butantan, pelo FIOCRUZ ou que será comprada no exterior um dia talvez quem sabe…

A situação leva dúvida dos que querem, desejam e esperam um fim para o pânico instalado, queiram ou não os crentes ou descrentes de momento.

Triste é um país que não tem um estadista – ou pelo menos assemelhado – pois quem perde é o infeliz na ponta, sem emprego público, sem aposentadoria nababesca, político de carreira, rentista de mercados de capitais, podendo apenas pedir respeito como a música “Vozes da seca” de Humberto Teixeira e Gonzagão – mestre Peninha há de nos brindar um dia com essa perola de letra e música.

A seca atual é um mal que está em todo o país e no mundo; enquanto alguns buscam soluções, perdemos tempo com politicagem e prestígios pessoais …

Acabaremos como os fiscais do Sarney: decepcionados e esperando um solução, mesmo que a fórceps…

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