JESUS

I

Noite clara em Belém. Canta em surdina
o luar no firmamento constelado.
Natal – noite de luz, noite divina.
Cristo – um lírio na treva do pecado.

Brilha agora, no céu da Palestina,
meigo, intenso clarão abençoado:
do espaço, a Estrela aos simples ilumina
o berço do Senhor recém-chegado.

Os Reis Magos e os cândidos pastores
dão-lhe incenso, ouro e mirra, hinos e flores…
E o Menino, alegrando-se, sorria.

José fitava o céu, todo ventura.
E as estrelas, chorando de ternura,
cintilavam nos olhos de Maria.

II

Filho de Deus, lançando entre a alcatéia
dos homens a lição da Caridade,
prega Jesus, além da Galiléia,
o Evangelho do Amor e da Verdade.

A sua Voz os simples persuade
e lega ao mundo a luminosa Idéia,
para sofrer o insulto da vaidade
e a amarga ingratidão da gente hebréia.

Enfim, vergado à traição de Judas,
chora Jesus, interiormente, mudas
lágrimas de agonia, de desgraça…

– Senhor! se a Terra inda é mais vil agora,
se não se iluminou da tua aurora,
por que bebeste o fel daquela taça?

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