CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MÁQUINA DE MOER POVO

O Brasil abriga uma enorme diversidade de seres hematófagos, exemplificados pelos morcegos. Embora os hematófagos possam atacar sob a luz do dia, eles preferem a penumbra, já que a escuridão dissimula suas aparições. O parasitismo, contudo, não é exclusividade dos animais. Alimentado pelo solo fértil da impunidade, cresce escandalosamente, em todos os níveis da política e das administrações públicas, o número de agentes infectados por essa prática.

Enquanto os morcegos debilitam um hospedeiro por vez, a sangria dos erários pelos agentes infectados promove a ruína coletiva — realidade que, desgraçadamente, precariza serviços básicos, a exemplo da saúde e da educação. O suor dos obreiros, que deveria ser o néctar a tonificar a colmeia, é desviado por zangões. Essa sangria, à míngua de soluções à vista, sem sequer um torniquete ou uma pinça hemostática, exprime a conformação exata de uma máquina de moer povo.

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