CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CONVERSA TEDIOSA

Quem já não pulou o capítulo de um livrou, ou mudou o canal da TV, por achá-lo enfadonho?

Isso também ocorre em relação às emissoras de rádio. Aliás, é de justiça reconhecer que algumas emissoras são dignas de todos os aplausos, todos os louvores porque, donas de um time de ouro, brilham naquilo que fazem. Mas, há momentos em que é preciso mudar de sintonia. É quando lá vem eles: os invariáveis maldizentes, travestidos de comentaristas políticos que, garganteando perfeccionismo põem a boca a serviço unicamente da censura, da desaprovação, do desmerecimento da desconstrução sobre toda e qualquer ação de governo, ou dos políticos, incluídas as mais comezinhas. Com a ajuda do fermento as mais irrisórias ações governamentais são avultadas e desfiguradas para, assim, legitimar a publicidade estridulante do apocalipse a que tanto se devotam, circunstância que excita os ânimos e o temor nos desavisados.

Outra característica inconfundível desses censores de plantão (que se julgam donos de verdade maior que a dos outros) refere-se ao seu propósito vitalício de consertar o mundo por encontrar-se este arrevesado, fora das suas réguas.

É saudável, é instrutivo ouvir uma análise, uma crítica pedagógica, imparcial, sobre quaisquer temas, ainda que de modo ácido, sem afagos maternais, desde que sustida na plausibilidade, na congruência, tal qual fazem alguns comentaristas esportivos. Porém, escutar as mesmas e perpétuas litanias, brotadas do vezo mórbido de alfinetar por alfinetar, reprochar por reprochar, é cardápio indigesto para quem anda em busca de um repelente contra o tédio. Não existe elocução mais monótona do que a exprobração repetitiva, a falação fastidiosa que pisa e repisa queixas contra a mesma coisa, a mesma pessoa, o mesmo governo. Mas o pior é a compenetração desses contestantes em fazer crer que estão oferecendo, plausivelmente, estudos pormenorizados acerca dos instantâneos governamentais quando, na verdade, não fazem senão exteriorizar sentimentos, flagrantemente repassados de rancor, que atestam suas posições antípodas em relação ao governo, aos políticos.

Os ouvidores, salvantes os acometidos de alguma demência ou desorganização psíquica, não são tão sáfaros ou tão apedeutas, como possam aparentar, que não saibam discriminar o tinto do destinto, a análise política judiciosa da increpação; manifestamente oponível.

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