INVERNO – Francisca Júlia

Outrora, quanta vida e amor nestas formosas
Ribas! Quão verde e fresca esta planície, quando,
Debatendo-se no ar, os pássaros, em bando,
O ar enchiam de sons e queixas misteriosas.

Tudo era queixa e amor. As árvores copiosas
Mexiam-se, de manso, ao resfôlego brando
Da brisa que passava em tudo derramando
O perfume sutil dos cravos e das rosas…

Mas veio o inverno; e vida e amor foram-se em breve…
O ar se encheu de rumor e de uivos desolados…
As árvores do campo, enroupadas de neve,

Sob o látego atroz da invernia que corta,
São esqueletos que, de braços levantados,
Vão pedindo socorro à primavera morta.

1 pensou em “INVERNO – Francisca Júlia

  1. Sr. Pedro Malta. Vejo, diariamente, a sua preciosa coluna. Mas me permita uma sugestão, que já fiz uma ocasião, mas que, provavelmente, o sr. não viu. Ei-la: informar as datas de nascimento e de falecimento (se for o caso) do poeta, bem como o estado em que nasceu, bastando colocar apenas a sigla. OK? Um abraço.

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