ESSA QUE EU HEI DE AMAR – Guilherme de Almeida

Essa que eu hei de amar perdidamente um dia,
será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,
trazer luz e calor a esta alma escura e fria.

E, quando ela passar, tudo o que eu não sentia
da vida há de acordar no coração, que vela…
E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela
como sombra feliz… Tudo isso eu me dizia,

quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como um sol triste…

E falou-me de longe: “Eu passei a teu lado,
mas ias tão perdido em teu sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!”

1 pensou em “ESSA QUE EU HEI DE AMAR – Guilherme de Almeida

  1. Lindo soneto, poeta!!
    Todos os versos são legítimos Alexandrinos. Doze sílabas poéticas, sim, mas não quaisquer dodecassílabos. Guilherme de Almeida possuía grande habilidade e tinha plena consciência de que para serem versos alexandrinos, invariavelmente, precisa-se de uma sexta sílaba poética obrigatoriamente tônica a marcar o final do primeiro hemistíquio.
    Grande abraço!

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