ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Nesses dias rombudos de pandemia, este velho caeté, chupando o tutano de um úmero do Sardinha, se me peguei pensando sobre nossa classe política, nosso progresso, nosso “pogreço” e como nós, caetés de boa Ôpa, desde a “recramação” da República, investimos com força e vontade no avanço de nossa pobreza. Sempre procuramos ficar do lado equivocado da história, com uma arrogância oceânica acreditando que temos um “destino manifesto” profetizado pela Divina Providência, por isso continuamos sempre “deitados eternamente em berço esplêndido”, aguardando esse futuro que nunca chega.

E, quando nos vemos cercados por outros caetés, com cinco graus de vagabundagem a mais do que os demais da taba, buscamos sempre culpar o outro: o político ladrão, o servidor público preguiçoso – há exceções, com toda certeza -, o governante que só vai às tabas dos caetés mais pobres em ano eleitoral. E, nessas horas, eu sempre digo: peba não vota e tamanduá não tem título de eleitor. Mas vamos por partes, para não assustar os caetés mais novos que, porventura, tiverem a coragem de ler este monte de bobagem.

Desde o nascimento da Botocúndia republicana – eu preferia Estados Soberanos de Caetés, ficaria bem mais ajeitado ao espírito que nos move -, o país vem sendo governado por caciques e pajés que se empenharam o tempo todo pelo progresso de nosso subdesenvolvimento. Nós idolatramos heróis errados, personalidades equivocadas e líderes que não mandavam nem dentro de casa, mas que bagunçaram as nossas vidas. Idolatramos um herói que proclamou a República, mas nos esquecemos de nos perguntar como isso se deu. Nossa república é fruto de um ciúme aliado a um suposto chifre – se naquela época houvesse a “infernet”, eu diria que foi um chifre virtual -, mas foi um chifre putativo, ou seja, foi sem nunca ter sido.

Grande parte do século XX foi marcado pela sombra de um caeté, cuja ligeireza, desfaçatez e oportunismo deixou marcas profundas na nação. Foi chamado de “pai dos Pobres”, e, valha-me Nosso Senhor Jesus Cristo, tido como um ícone desenvolvimentista do país. Analisando o conjunto de sua obra, o tal “pai dos pobres” atrasou o progresso nacional em mais de um século, e até hoje lutamos para nos livrar do lixo autoritário que ele deixou para a aldeia toda. Olha lá… ele pegou o filé mignon do Sardinha…. é de lamber os beiços. E, o tal pai dos pobres, tal como um calangro mimetoso, ora ia para a direita, ora para a esquerda. Até tentou namorar com o facinoroso assassino, com aquele bigodinho que parecia rodapé de tabaca e que quase destruiu o planeta.

Depois veio o “pé de valsa”… ah, tempos maravilhosos, quando a humanidade aperfeiçoava métodos de matar, mas também sonhava em pisar em outros mundos… aquele sorriso aberto, com um olhar meio Xing Ling, em uma ligeireza de assustar até mesmo o batedor de carteira mais experiente, tirou a capital do meio do povo e a colocou no meio do nada. Afinal, até para tramar o sucesso de nosso fracasso é necessário um pouco de paz. Não dá para investir no progresso da pobreza, da ignorância e do amadorismo com o povo berrando no ouvido dos “líderes da nação”. E, por incrível que pareça, esse pé de valsa é tido como um dos ícones heroicos da taba, mesmo deixando uma dívida monstruosa que financiou a construção daquela insanidade chamada “BrasILHA” e que pagamos por ela até hoje.

No século XXI intentou-se reeditar o mito do “Pai dos Pobres”, dessa vez com um espertalhão ignorante, mas muito vivo e que vendeu uma lorota de que, bastava modificar a metodologia de se monitorar os caetés mais pobres da taba que, por um passe de mágica ela acabava. Eu mesmo, ate se me alembro, estava fazendo um cozido com os ossos do pescoço do bispo Sardinha – aqui no glorioso Mato Grosso do Sul esses ossos se chamam pucheiro, e fazer uma pucheirada é fazer um caldo grosso e gordo com esses ossos -, estava aromático de lamber os beiços quando me dei conta que deixei de ser classe média baixa e passei a ser milionário, com a mudança daquela metodologia.

E praticamente o dito “pai dos pobres”, demiurgo do século XXI passou a ser incensado e louvado como um gênio da humanidade, como o “The man” dito por aquele toco de fumo que governava os Zistados Zunidos. Foi a deixa para que esse pai armasse o maior esquema de ladroagem que se tem notícia na história da humanidade. Fico-se-me pensando: Ferdinand Marcos, Mobutu Sese Seko, Sukarno, Idi Amin Dada, Muammar Ghadaffi, Anastácio Somoza, Papa Doc, Adhemar de Barros, Sani Abacha, devem estar no inferno se arrebentando de “reiva” porque eles se tornaram amadores e batedores de carteira mambembe diante do ladroísmo praticado aqui na Caetélandia.

Mas o que mais se me assusta é ver um bando de neguinho pé de toddy defendendo aquilo que, para alguém que consegue somar dois mais dois, noves fora, é indefensável e insano. Chego-se-me a pensar que, tal qual Maurino Junior, toda a taba foi abduzida para algum universo paralelo, por ETs especialistas em fazer exame de próstata com aqueles dedos de mais de metro de cumprimento. Emboramente isso não seja de todo estranho, o ladroísmo está mais do que provado, e sempre que oiço alguém reclamar, se vem se me à cabeça… peba não vota e tamanduá não tem título de eleitor.

E depois veio outro desastre, incensado pelo demiurgo. Um fenômeno psicopatológico que não conseguia juntar duas orações em uma mesma sentença, sem que houvesse alguém que fizesse isso. Teimou em aprovar uma lei para que fosse chamada de ANTA. Bem a calhar, apesar de todo o meu respeito àquele mamífero probóscide. E aí o espetáculo de bizarrices chegou ao grau de arte. Não somente a atitude bucaneira com que os nossos “pogreçistas” pilharam o país, mas também com o grau de deboche com que eles tratavam os demais caetés. Nem a buchada do Sardinha queriam que a malta ignara comesse. Nem as unhas e os cabelos do Sardinha. Era só para sentir o cheiro.

Mas também houve quem pensasse na taba para o futuro – Maurício Assuero que me atire o primeiro tijolo oito furos bem no meio da fuça caeté se eu estiver contando potocada -. Caetés de boa Ôpa que pensaram este país prafrentemente do que temos hoje. Vislumbraram uma nação que cuspiria a carne do Sardinha, se levantariam da beira da fogueira, caçariam o direito de voto dos pebas e anulariam o título de eleitor dos tamanduás. Esses, infelizmente, em todos os tempos da existência caeté foram perseguidos, caluniados e apagados da história nacional.

Então, meu caro, quando alguém reclamar da corrupção política, da nossa vocação para o amadorismo e nossa firme crença no progresso de nosso atraso, na louvação daqueles que mais contribuíram para nossa pobreza, pense e fale bem alto: peba não vota e tamanduá não tem título de eleitor.

13 pensou em “ENTRE PEBAS E TAMANDUÁS

  1. Pois é, Roque, mas quer ver coisa difícil é achar brasileiro que admite que já votou errado. Quem vota errado são só os outros.

    • Meu caro Marcelo…. caeté de primeira linha…. nesse caso eu sou igual ao Tavares, antológico personagem de Chico Anysio…. “Sou, mas quem não é?”

  2. Pois é ……

    Acho que nem é o voto errado, pois errar faz parte de qualquer aprendizado, principalmente o aprendizado político onde você teóricamente vota em “promessas”.

    – Se você é ignorante vai votar “certo” quando vota na promessa de um mentiroso,populista sem vergonha, achando que as promessas de “almoço grátis” são reais.

    – Na sequencia já é a falta de bom senso ao votar no mesmo imbecil ou nos seus indicados (Filhos, esposas, sobrinhos ou AMIGOS), achando que se ele não fez, seus protegidos farão

    Veja as quadrilhas formadas, ao longo dos últimos anos por Sarneys (MA), Jaders (PA), Lobões (PA), Magalhães (BA), Maias (RJ), Bolsonaros (RJ), Neves (MG), Gomes (CE), PSDB (SP), Renans (AL) etc… etc….etc …. (1/3 do Brasil está aí )

    Portanto não é apenas a ignorância mas o componente maior da preguiça e da busca por um milagreiro que possa facilitar a minha vida sem avaliar o quanto minha vida e a dos meus está estagnada e sem perspectivas……

    Fazer o quê ?????

    A “ingnoranssa” tem cura mas (estúpido mas) dá um trabalho danado, esforço, determinação e sacrificios, para torná-la saudável….. Conhecimento e Educação é a base de uma nação

    Como disse Aristeu Bezerra com o meu pequeno ajuste …..:

    “…. Existem tres maneiras de fazer uma coisa. Do jeito certo, do jeito errado e do meu jeito, que é o jeito errado mas é mais ……….. fácil ”

    Cansativo e desestimulante falar sobre voto, principalmente, ……… sem voto impresso.

    • Arthur, essa citação do Aristeu me lembrou uma frase do filme “Perfume de Mulher”, com o Al Pacino:

      “Ao longo da vida, eu encontrei muitas encruzilhadas. Em todas elas, eu sempre soube com muita clareza qual era o caminho certo e qual era o caminho errado. Eu nunca fui pelo caminho certo, porque era muito difícil.”

    • Arthur… sua análise precisa e verdadeira deu uma “paúra” neste caeté já cansado de brandir sua borduna. Vou dormir, pelo menos enquanto estiver deitado fazendo nada, não vou cometer nenhum desatino.

  3. Pois é Caeté da boa opa (a opa ruim é aquela que tirava dinheiro do médico pra mandar pra Cuba). Você abordou com muita propriedade essa questão imoral que é política brasileira.

  4. Roque,

    Pode parar com essa estória de que vocês comeram o tal de Sardinha.

    O Bispo foi, na realidade, o primeiro baiano que nós comemos aqui em Pernambuco.

    Naquela época, a comilança foi por via oral. Hoje, como a bahia está infestada de baitola, estão comendo todos por outras vias menos cotadas.

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