J.R. GUZZO

Os resultados do segundo turno das eleições municipais confirmaram praticamente tudo, ou quase tudo, o que foi previsto ao serem concluídas as apurações do primeiro: o crescimento eleitoral, em matéria de prefeitos por partido, sobretudo nas capitais, encheu a bola dessa nebulosa que por falta de uma definição melhor costuma ser chamada de “centro”. É aquela pasta disforme de sempre: PSD, DEM, PP, e mais o resto da farinha que sai do mesmo saco.

Muito vai se ouvir falar, daqui para frente, da necessidade de se construir uma aliança entre isso aí e o PSDB, agora escalado para representar o papel de “esquerda” – e mesmo os perdedores do PT e outros fracassados do “campo progressista”.

Vão lhe dizer, naturalmente, que esse acordo deve ser procurado em nome dos mais altos interesses da nação brasileira – e não, como alguém poderia suspeitar, para atender aos interesses materiais dos políticos; como é do conhecimento comum, nossa classe política é altruísta, honesta e patriótica demais para isso. Qual a seriedade – e, mais ainda, qual a viabilidade concreta – de se armar um acerto desse daqui até 2022, quando vai se disputar a Presidência da República? Pois é isso, a partir de agora, que vai ser a única preocupação real da política brasileira.

Os próximos meses terão de apontar um nome mais forte que todos os outros pretendentes e detentor de força política própria para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro na sua tentativa de reeleição. É o trabalho mais importante, e mais urgente, que esse “centrão-esquerda” terá de fazer no futuro próximo para ter chances reais de sucesso. No momento, citam um arco de nomes espantosos como Luciano Huck, Rodrigo Maia, João Doria e outros colossos que parecem destinados a um desempenho de Cabo Daciolo em 2022. Vai ser preciso encontrar coisa melhor do que isso.

Parece, vendo-se as coisas como elas são hoje, que essa campanha, pela primeira vez desde a supressão do AI-5 e a volta das eleições diretas ao Brasil, não terá um nome de esquerda. Lula e o seu PT, as forças perenes de qualquer quadro eleitoral, viraram paçoquinha nessas últimas eleições – conseguiram o prodígio de não eleger um único prefeito de capital e, mais ainda, de perder todas as eleições, sem nenhuma exceção, nos grandes centros operários da região metropolitana de São Paulo, onde sempre esteve a alma do partido.

Parece sobrar à esquerda brasileira, agora, a comemoração das derrotas que sofreram os “primos” de Lula e do PT dos quais tanto se falou nesta campanha – os Psol, PCdoB, etc. Festejam o segundo lugar nas disputas finais como uma espécie de “vitória moral”, ou como o triunfo do time que perdeu, mas “merecia ganhar”. Fazer o quê? É o que existe no momento.

Começaram a dizer que as eleições municipais revelaram o grande competidor de Bolsonaro em 2022: o candidato do Psol que perdeu em São Paulo, e cujo partido governa apenas uma capital e mais três ou quatro municípios, entre os 5.600 que existem no Brasil. Se é isso mesmo, a campanha da oposição está começando mal.

1 pensou em “ELEIÇÃO NÃO APONTA NINGUÉM CAPAZ DE RIVALIZAR COM BOLSONARO

  1. Guzzo está certo, em parte. Realmente não há um candidato hoje capaz de fazer frente a Jair Bolsonaro. Nem Ciro, nem Boulos, Dória, Huck, até mesmo Lula, caso o presidiário pudesse ser candidato. Lula acabou e ninguém o quis por perto nesta última eleição. Moro deu fim à sua mal iniciada carreira política ao entrar para a consultoria americana.

    J. R. erra ao dizer que as forças de “centro” foram as vencedoras. Aí eu pergunto: havia força de direita em algum estado? Por qual partido? Fora o PT e seus puxadinhos (PSOL, PCdoB, Rede, PDT, PSB) o resto tudo é centro, inclusive o PSDB (Dória é um caso a parte).

    Os caciques do PSDB que já competiram à PR; Serra, Alckmin e Aécio estão politicamente acabados por terem seus nomes envolvidos em corrupção e não tem a menor chance. Dória é o adversário que JB pediu a Deus.

    O grande problema que JB precisa resolver logo e tem um prazo, março de 2021, é definir um partido para competir. Se for o Aliança, poderá chamar de seu. Se for qualquer outro, será mais uma barriga de aluguel e ele terá que conviver com os Ciros Nogueiras, Bob Jeff, Waldemar e afins. Tem suas vantagens e desvantagens.

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