A PALAVRA DO EDITOR

Tem cabimento o governador João Doria, oficialmente a autoridade pública número 1 do Estado de São Paulo, sair batendo boca com um prefeito municipal, em pleno decorrer de uma entrevista coletiva à imprensa? Mais: está certo o governador ofender publicamente a sua vítima, que além de ter sido eleita ainda outro dia para o cargo, é mulher e negra? O fato é que foi exatamente isso que Doria fez: chamou a prefeita de Bauru, Suéllem Rossim, que não pensa da mesma maneira que ele sobre a covid, de “vassala” do presidente Jair Bolsonaro. O delito de Suéllem, que propõe uma quarentena menos radical em sua cidade, foi ter tido uma audiência com o chefe da nação, durante uma visita a Brasília. Que mal há nisso? Ao que se saiba, é perfeitamente legal para qualquer prefeito brasileiro falar com o presidente do seu próprio país. Não precisa ser insultado por fazer o que tanta gente faz, todos os dias.

Bauru, com os seus quase 400.000 habitantes, suas tradições e a glória de ter visto Pelé nascer para o futebol, é sem dúvida uma cidade notável – a começar por seus filhos ilustres, como o imortal inventor do sanduíche “bauru”, o jornalista Reali Jr. e o primeiro (e único) astronauta brasileiro, o atual ministro da Ciência e Tecnologia, além de muito mais gente boa. Mas, mesmo com tudo isso, Bauru continua sendo apenas um entre os 645 municípios de São Paulo; não há razão, assim, para mobilizar tão intensamente as atenções do governador do Estado, nem de levantar tanta ira de sua parte. É esquisito; não se espera que um governador de Estado, sobretudo do Estado mais importante do País, ande por aí procurando briga com um prefeito de cidade do interior, não é mesmo?

O grande problema, pelo que deu para entender, está no fato, lembrado em público por muita gente, que São Paulo tem mais mortos pela covid do que o Brasil como um todo, se forem levadas em conta as mortes a cada grupo de 1 milhão de habitantes. O Brasil, no momento em que Doria brigou com Suéllem, tinha 1.025 mortos por milhão; São Paulo estava com 1.185. Fica, então, uma pergunta de ordem prática: se o desempenho do governo federal tem sido uma calamidade tão absoluta ao longo da epidemia, como sustenta há meses o governador, por que os números de São Paulo, que ele diz ter uma gestão de altíssima competência no combate à covid, são piores que os do Brasil?

Esses números da covid, desde o começo, têm sido uma dor de cabeça permanente, para quem faz os cálculos e para quem lê; até hoje não existe um consenso sobre eles. O fato de haver mais mortes per capita, neste ou naquele país, também não quer dizer que a culpa seja dos seus governos. Afinal, a Inglaterra, a Itália e a França têm mais mortos por milhão de habitantes que o Brasil, e ninguém está dizendo que os governos de qualquer um deles esteja matando gente. De mais a mais, os números, segundo o critério usado, mudam a cada cinco minutos; também variam conforme quem faz os cálculos, quem publica as listas e qual o partido político dos calculadores. Não há razão, portanto, para achar que a doença leva em consideração o que as autoridades civis, militares e eclesiásticas acham a seu respeito, nem como contabilizam as suas mortes.

O estado de São Paulo, o mais rico do País, com mais leitos de UTI, mais hospitais, mais médicos, mais oxigênio, mais equipamento técnico de primeira linha, mais recursos e mais tudo, já teve acima de 50.000 mortos por causa da covid; os números paulistas, proporcionalmente, estão piorando os números do Brasil. Não dá para dizer que o responsável é o governador. Também não adianta nada brigar com a prefeita de Bauru.

4 pensou em “É ESQUISITO

  1. Pois é ….

    Mas para um imbecil desesperado que acha que é “o cara”, estar com perspectivas de 2 % para eleição a presidente em 2022, é para arrombar a tabaca da xolinha ……..

    Acha que fechando SP vai prejudicar Bolsonaro e não tem nem um pouquinho de inteligência para perceber que está lutando contra os brasileiros de SP e que já está refletindo nos brasileiros do Brasil inteiro……

    É muito imbecil …… Acha que os votos dados a ele foram para ele, por ele….. Não, não foi

    Dois pontos :
    1 – A Alternativa …. Marcio França, um populista demagogo que não sabe o que é equilibrio fiscal
    2 – Quando percebeu que ia perder, juntou-se a Bolsonaro………. e mesmo assim quase perdeu

    Agora que sabe que está perdido tenta descontar no povo de SP sua ira e seu ódio contra o carisma de Bolsonaro, a perspectiva de ter de engolir este sapo em 2022 e pior ………..

    ter de ir dançar com a Joyce em Miami, ou assistir o Santos perder junto com o Covas….

    É triste, é patético, as vezes recoltante ……… Tsk Tsk Tsk

  2. Guzzo ainda não disse tudo sobre o que o Dória faz como um ditadorzinho da calça apertada.

    À prefeita de Bauru ameaçou não mandar a vachina, ou deixar ela por último por ela ter se rebelado contra ele.

    Ao Prefeito de Mirandópolis, que também assumiu-se contra o Governador, Dória mandou a fiscalização estadual fechar todo o comércio da cidade em retaliação.

    Até hoje ninguém do governo explicou, nem a grande mídia pergunta, o porquê a vachinavac custa mais de 3 vezes a de Oxford e tem a metade da eficiência desta?

    Toda negociação de Estados e municípios que queiram comprar a vachina têm que passar pelo Dória.

    Isso tá com cara de intermediação para ganhar dinheiro, poder ou os dois.

  3. O calcinha esmaga bagos, nunca se preocupou com os mortos pela covid, a sua preocupação são as eleições de 2022. O anão de jardim, quer ser o próximo presidente da república de qualquer jeito..

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