XICO COM X, BIZERRA COM I

Não obstante sua disciplina de vida, ele abominava as burocracias da arte: não suportava ensaios, desprezava passagens de som e detestava partituras. A bem da verdade, ele estava bem acima disso tudo e não precisava dessas ‘bobagens’. Este o homem que aprendi a admirar ainda mais com a convivência próxima nos seus derradeiros anos de vida. Alguns, não sei o porquê, tentavam atribuir-lhe cores ideológicas. Perda de tempo: os bons de coração, os homens de bem, ainda que tenham preferências partidárias, suas qualidades como homem/artista se sobrepõem ao colorido dos partidos políticos, tornando-os, os partidos, menores ainda do que são.

Ele transpirava arte. Certa feita ousei perguntar-lhe quanto tempo ele, Sivuca e Oswaldinho ensaiaram para a gravação de CADA UM BELISCA UM POUCO e, ele, com um sorriso maroto do anjo que é, respondeu-me com toda a candura que só os doces anjos possuem, que não tinha havido necessidade de ensaio. Perguntei por perguntar: em se tratando dele e de seus dois companheiros, claro está que ensaios não passavam de mera formalidade, uma perda de tempo. O talento inato substituía qualquer ensaio.

Na fila de entrada do céu, passou na frente de um monte de gente e São Pedro, ao permitir sua entrada, o aplaudiu de pé. Aquele céu era o lugar merecido de quem na vida foi um exemplo de humildade, de quem viveu espalhando bondade e fazendo o bem. Era o sinônimo perfeito de generosidade com todos os que o rodeavam, eu, inclusive. Como exemplo, relato que recebi dele 12 cantigas e um pedido dele para que colocasse letra nas suas canções: missão mais honrosa? O resultado foi o LUAR AGRESTE NO CÉU CARIRI, disponível nas plataformas virtuais. Este, o Domingos que valia por todos os domingos do calendário, o músico e homem extraordinário de todos os dias da semana, de segundas a domingos. Salve Dominguinhos, sempre.

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