XICO COM X, BIZERRA COM I

Configurei meu coração, mas perdi a senha. Não mais posso acessá-lo tampouco me conectar com o mundo à minha volta. Tentei plugar o meu amor. Em vão. Sem a tal da senha nada é possível. Impossibilitado de navegar na rede, recorri ao Google, tentando reencontrar o mundo, mas, mais uma vez, tentativa frustrada. ‘Sem senha, é impossível’, disse-me abusado e em letras garrafais o Note Book. E o mundo lá fora, explodindo, informando tudo sobre tudo e eu aqui, sem senha, sem saber o que se passa. Eu querendo falar on-line e dizer minhas verdades, contar da minha vontade de viver, mas, apenas porque sou distraído e esqueci a senha, sem poder fazê-lo. Tem nada não: vou me vingar quando lembrar da danada da senha. Vou mandar um ZAP para todos os meus amigos desejando Paz e Bem e, on-line, pelo INSTAGRAN, sorrir para mostrar que ainda é possível ser feliz. E quando um dia conseguir, dançando um xote no site da felicidade, vou conversar pelo FACEBOOK com os que quero bem. E aí me vingo jogando na lixeira todos os arquivos de tristeza e dor. E vou prometer a mim mesmo nunca mais esquecer a danada da senha. A propósito, um amigo meu, meio por poesia, meio por consolo, me fez lembrar que Deus também perdeu a senha do universo e, por isso, não consegue mais acessar o coração dos homens … Tomara que ele encontre logo que a coisa ‘tá feia!

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2 pensou em “CORAÇÃO PONTO COM

  1. A coisa tá feia mesmo, Grande Poeta!

    Inda bem que não tenho o desespero dos desesperados. Sou demente por natureza, diz-me uma psicóloga amiga.

    Não me afobo por nada! Digo a ela: pra quê? se a vida é bela! E se se desesperar, eu não resolvo nada?

    Na novela PANTANAL, do genial dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, exibida na TV Manchete em 1990, o Velho Leôncio, personagem magnificamente interpretado por Cláudio Marzo, responde ao filho Joventino Neto (Marcos Winter), que chega da cidade grande cheio de novidade tecnológica e, querendo ser modernoso, indaga ao Velho por que ele não possui um rádio para lhe dar notícias da Cidade Grande:

    E o Velho: “Pra quê? Se estou bem assim!”

    Hoje ele dizia: pra que eu saber do coronavírus se ele desconhece o pantanal?

    Desconecte tudo e poupe seu coração.

  2. Grande abraço, Cícero. Sem rádio e sem notícia das terras civilizadas, já dizia seu Luiz Gonzaga.

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