PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Por saberes que nunca serás minha
permites que entre nós, timidamente,
vacile a intimidade reticente
que haveria entre súdito e rainha.

Não que saibas. Serias adivinha
se soubesses que te amo loucamente.
Já me tomas até por confidente
por saberes que nunca serás minha.

E não que eu pense mal de ti, pois vivo
a imaginar-te um cisne pensativo
sob a vivacidade de andorinha.

Mas, quando ris olhando-me de frente,
parece-me que ris unicamente
por saberes que nunca serás minha!

Giuseppe Artidoro Ghiaroni, Paraíba do Sul-RJ, (1919-2008)

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