Sonhei com Manoel de Barros
À beira de um formigueiro,
Num domingo alvissareiro:
Foi conversa sem esparros.
No lugar não tinha carros.
Um caminho das antigas,
Avenida das formigas,
Distante das coisas más,
Longe dos tamanduás,
Sem formicidas ou brigas
Se ainda espaço houver nessa estrada de areia branquinha darei boas vindas às cem formiguinhas que se achegam para passear por onde passeia o sol, o vento e a lua. No mesmo lugar por onde passa a luz vou ter todo o cuidado de desviar de cada uma delas, alegrantes passeadoras, para não lhes machucar. Elas, algumas com folhas em suas bocas, andarão a passos lentos junto às flores do meu jardim. A lhes fazer companhia, borboletas com suas mil e uma cores para alegrar todos os caminhos. Tamanduás, longe, sonham delirantes sonhos, pesadelos terríveis, por distantes que estão do formigueiro, formicidas que são. Deus salve as inofensivas formiguinhas!

Se forem mesmo inofensivas, mestre Xico. Nem todas são. Parecem ministros do Supremo, umas prestam, outras não. E qlgumas deveriam estar ê presas. Seu devoto. Há braços.
Meu Doutor preferido, tri-Acadêmico juramentado, Mestre maior,
a culpa é da natureza que criou esse sistema de escolha entre boas e más formigas. Como deveria ser a escolha? Por voto? Resolveria? Culpa de quem as coloca na estrada. Mas quem sou eu para adentrar em assunto tão complexo e delicado? Enquanto isso, prefiro nao pisá-las para evitar a eventual injustiça de atingir as boas formigas.