CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Incrível. Parece que em vez de construir um país forte, governos do passado colocaram o Brasil dentro de um barril de pólvora. Prestes a explodir. Como de fato, a barra estourou tempos depois. Todo dia surgem novidades sobre a explosão de safadezas, malfeitos e desvio de verbas no serviço público em conchavo com empres privadas. Como se fosse pouco, agora a mídia enfoca a roubalheira que fizeram no programa Bolsa Família. Um programa de transferência de renda direta para atender, prioritariamente as famílias brasileiras que vivem em situação de pobreza e de extrema pobreza. Segundo os dados, no país existem mais de 13,9 milhões de famílias perfeitamente enquadradas no esquema para receber o benefício. Além de combater a fome, o programa visa também possibilitar outros meios de garantir a segurança alimentar e nutricional, estender, ainda o acesso à saúde, educação e assistência social.

No entanto, caso os boatos que circulam pelos bastidores sejam de fato verdadeiros, a conclusão que se pode tirar do sistema é assustadora. Criminosamente, meteram a mão no programa e estão raspando o tacho. Como tem nego se aproveitando da pouca atenção que dispensam na qualificação de pessoas inscritas que ingressam no programa com a intenção de comer pelas beiradas. Sem se enquadrar nas situações estabelecidas para ser registradas e beneficiadas com uma laminha. Pelas inscrições fajutas tome sacanagens. As falcatruas arrombaram um programa que foi aprovado unicamente para fazer o bem às famílias pobres. As que tem renda mensal variando entre R$ 89,00 a R$ 178,00 por pessoa. Os familiares habilitados ao benefício têm de preencher os seguintes requisitos. Sejam gestantes, crianças de zero ano ou adolescentes com idade até 17 anos. O Bolsa Família visa exclusivamente a garantia das famílias de menor condição financeira no direito à alimentação e o acesso à educação.

Ora, a competência para selecionar os candidatos ao programa é do Ministério do Desenvolvimento Social. Cabe às prefeituras, mensalmente, fazer a inscrição das pessoas julgadas capacitadas ao benefício no Cadastro Único dos Programas Sociais do Governo Federal. Para se capacitar, em se tratando de gestantes é solicitado o comparecimento às consultas de pré-natal, de acordo com o calendário fornecido pelo Ministério da Saúde. Fora essa obrigação, a futura mamãe também tem de comprovar a participação em programas de aleitamento materno e alimentação saudável. Às mães, é exigida a manutenção do cartão atualizado a respeito de vacinação das crianças entre 0 a 7 anos. Caso esteja na faixa etária entre 14 a 44 anos, comprovar o devido comparecimento aos programas de saúde. As famílias são obrigadas a garantir a frequência mínima de 85% na escola para as crianças e adolescentes. O fato desabonador é que, após preenchidos todos os requisitos, a documentação passar por diversas mãos credenciadas, chegaaos ouvidos da população que mais de 1 milhão de militantes petistas, 585 mil funcionários púbicos e 90 mil cabos eleitorais terem recebido R$ 2,6 bilhões do Bolsas Família, através de fraudes. Arrumadinhos, conforme consta do cruzamento de dados realizados pelo Ministério Público. Aí, quem paga o rombo é o povo.

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Para atrair e encantar visitantes os países precisam mostrar qualidades. Algumas geradas pela natureza, outras trabalhadas pelo homem, mas, com cheiro de coisa boa, bonita e agradável. Portugal, a terra dos azulejos, abrigando mais de 11 milhões de habitantes, é um país que se encaixa no gosto popular. Quem pisa em solo português, logo se apaixona porque nas ofertas de beleza e bom gosto, a terrinha tem de sobra. O mar português oferece praias de águas transparentes, a culinária da terra mãe é deliciosa, o folclore, encantador, o fado não morreu, ainda sobrevive, é atrativo. Para completar o simpático roteiro de visita, a terra lusitana é rica de patrimônio histórico, magnifica beleza medieval, extensa cultura e de valiosa literatura. Por ser um país hospitaleiro, povo acolhedor e atencioso, a terra de Cabral ganha a preferência de estrangeiros em passear como destino. No entanto, havendo possibilidade, muitos visitantes transformam o passeio pela opção de morar, estudar ou trabalhar. Por vários motivos. A tranquilidade, a segurança, a simpatia do povo, o apreciado vinho, a diversificada e saborosa culinária, adornada com bom azeite de oliva, bacalhau, sardinhas e azeitonas funcionam como chamariz. Para completar a gula, a galera vai nos gostosos doces, como o famoso pastel de Belém, que é de dar água na boca.

Faz mais de dois mil anos, Portugal domina a técnica de cultivar uvas e produzir vinho de refinada qualidade. O vinho português tem um sabor especial. Embora seja um país de pequena extensão territorial e reserve apenas uma diminuta área de apenas 239 mil hectares, o viticultor cultiva mais de 250 tipos de uvas nativas que permitem colher excelentes safras para a mesa e a transformação em passa. A variedade de uvas impressiona. Das vinhas, é fabricado tradicionalmente vinho de finíssima qualidade. Elogiada por quase toda a União Europeia e até por brasileiros. Não é à toa que Portugal está entre os 10 maiores produtores mundiais de vinho. Da região do Douro, cortejado destino turístico do Norte português por causa das casas medievais, das igrejas barrocas, das vinhas plantadas em inclinados territórios, e com a experiência de dois mil anos no cultivo de uvas, saem bons vinhos. Famoso, o Vinho do Porto é o destaque, porém divide o sucesso das colheitas de uvas com as vindimas do Alentejo, cidade do centro-sul português, onde as casinhas brancas, despertam curiosidade.

Todavia, para conquistar a fama de país encantador, Portugal enfrentou muitas crises. A de 2007/2008 foi terrível. As complicações começaram em 2013, quando a sociedade travou contato com as desigualdades, com a precariedade nos serviços básicos, com os impostos em elevação e os salários em queda. A fuga de capitais produtivos se acentuou e a quantidade de empresas que entrou em falência cresceu repentinamente. Contudo, com persistência, trabalho e pé no chão, o país deu a volta por cima. Hoje, pode se gabar de experimentar um belíssimo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,847, próximo do mais alto nível aprovado pela ONU, que é 1. A conquista, levou Portugal a ocupar a 41ª posição no mundo, colado no índice da Noruega, país considerado como o de melhor desenvoltura nos quesitos saúde, educação, emprego e desemprego. Outro fator elogiável obtido em terras portuguesas é a estabilização no índice de desemprego. Em 2018 fechou na baixa casa de apenas 6,7. Dado que reforça o bom desempenho econômico de Portugal quanto a riqueza nacional, mercado de trabalho, segurança e bem-estar coletivo. Embora seja um dos países mais pobres da Europa. A reviravolta se deu com efetiva ação e pouca conversa. Bastou mexer os pauzinhos com seriedade para transformar o país lusitano no 6º maior produtor de azeite do planeta. Privilegiada situação econômica.

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Basta falar em crise para abalar meio mundo de gente. Com razão, afinal crise representa na realidade o lado negativo na vida de um país contaminado de distorções. Seja de natureza política, econômica, de saúde ou de moral. Na crise, a deturpação manda. As deformações surgem de todos os lados. Nada se ajusta. Os primeiros sintomas da crise política no Brasil apareceram em 2014, quando explodiram os vazamentos de áudio revelando a participação de políticos em escândalos de corrupção. Na hora, a operação Lava Jato flagrou a descoberta de falsos partidos políticos organizados apenas para deturpar as eleições. Na época, foi a oposição, que levantou críticas. A população foi às ruas protestar contra o governo Dilma, cujo final acabou em cassação de seu mandato pelo Senado.

Também, por coincidência, em 2014, decolou a crise econômica. Constatando as desigualdades estruturais, que transformaram o país num mero fornecedor de matérias primas, sem nunca alcançar o progresso, parte da sociedade de imediato descobriu erros praticados no governo Lula, de 2003 a 2011, que levantaram os desentendimentos internos. Nesta época, o país mantinha uma economia estabilizada e baixa inflação. Porém, para cumprir a promessa de iniciar a fase de crescimento econômico, o governo adotou um critério pouco recomendado. Subsidiou os juros, concedeu crédito módico a empresas amigas. Por outro lado, danou-se a fazer obras púbicas, além da capacidade financeira do Brasil que permitiu a imediata elevação de renda das classes D e E, o aumento do consumo, e com a sobra de dinheiro, o desejo de começar a investir. O pecado desse governo foi esquecer de incentivar a poupança e lutar pelos investimentos de longo prazo. Aí, sentindo a maré não estar pra peixe, então para contornar o imbróglio e segurar a demanda, fez o que não podia. Concedeu isenção a alguns produtos como eletrodomésticos, automóveis e a construção civil. Resultado, o inesperado aconteceu. A mão de obra encareceu, os aluguéis subiram e o preço de produção, sem outra alternativa, foi pro espaço. Desestimulando a produção. Desencadeando adversidades.

O homem, para viver bem em sociedade, deve seguir determinadas regras gerais. Não viver apenas sob a sua ótica e opinião individual. Uma das principais normas de moral refere-se à ética que doutrina o comportamento humano. A submissão aos costumes e hábitos da sociedade, provenientes dos valores culturais. Outra recomendação primordial refere-se ao cumprimento de valores morais para se chegar à justiça social. Item imprescindível no convívio social que recomenda discernir entre o certo e o errado, de acordo com os atributos herdados da herança cultural da população. Por incendiar opiniões políticas adversas, o Brasil mergulhou num mar de agitação. Troca de farpas de ambos os lados. Desprezando o principal esquema para se perseguir a prosperidade. Calma, discernimento e boca de siri nos programas de ajuste.

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