CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Aos pretensos candidatos a cargo eletivo:

Meu sogro Edgar, de saudosa memória, embora não tivesse estudo formal, era um homem pleno de sabedoria.

Certa feita, um amigo foi pedir-lhe conselho porque pretendia submeter-se pela primeira vez ao crivo do povo, candidatando-se a prefeito da cidade.

Seu Edgar, do alto de sua sabedoria, disse-lhe:

— Para concorrer a qualquer cargo eletivo, a primeira coisa que você tem que fazer é deixar a vergonha em casa, pois se você continuar andando com ela, não terá coragem de entrar na política.

 

3 pensou em “BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

  1. Caro Dr. Boaventura, Mestre madrugador.

    Seu comentário justiça, exatamente, algumas pessoas de fino trato e elegância, além de conhecimentos técnicos, as quais bem poderiam exercer a Administração Pública e se esquivam de participação eletiva, a respeito.

    Os atuais – mandantes e desmandantes – são exatamente “repetentes repelentes”, pois, senvergonhas, sempre se candidatam a alguma coisa, contanto que se mantenham com as rédeas do Poder.

    Despidos de moral, de cívica e outras lantejoulas, se arvoram ao direito de entesourar as receitas públicas, esquivando-se dos direitos e logo metem a mão no bisaco dos outros.

    Como Represente Juramentado da Lei, vossa mercê merece aplausos pelo escrito de hoje.

    Receba, pois, meu fraternal amplexo, dotado de muita alegria ao poder aplaudi-lo com toda a força das cordas sonoras do coração, do fígado e de outros órgãos, não sexuais, claro. Kkkk.

    Seu admirador,
    Carlos Eduardo.

  2. Meu caro amigo Carlos Eduardo,

    Fico muito feliz com sua gentil manifestação porque você alberga em seu generoso coração todas as virtudes distribuídas por Deus aos seres humanos.

    No entanto, a pletora de elogios dirigida a mim é-me suficiente para eu arguir sua suspeição, haja vista a admiração recíproca que nutre nossa granítica amizade.

    De todo modo, recebo seu fraternal amplexo e o retribuo com mais amplexidade ainda.

    Forte abraço de quem muito o estima.

    Boaventura Bonfim
    Fortaleza-CE.

  3. Bem aventurado sejam todos os Boaventura!

    Sua mensagem respostática ao meu pobre comentário, que, aliás, deve ter escorregado, aqui e ali, nas regras da sintaxe, ainda mais, em cima da bucha, me leva a reflexões portuguesacionais camonianas e pernambucanamente recifenses.

    Albergar num órgão bombeador por excelência – mesmo não sendo aquele que produz as emoções: o fígado – e que embora não sendo sexual, será capaz de receber em prosa ou verso, u’a manifestação de tamanho sentimento de reciprocidade; esteja o emissor na cidade, no campo ou na praia, desde que seja na terra cearense.

    É, acima de tudo, para o escriba aqui – pobre imortal apenas de passagem por academia de musculação, u’a manifestação, de natureza ímpar, indelével, inesquecível, irretocável, irreversível; uma daquelas que se guarda na memória por tempos dinossáuricos, além do cardiográfico elemento impulsionador da vida terrena, o coração.

    Mas,superabundantemente, confesso-lhe a emoção, todavia, preferia que fosse foneticamente dirigida.

    Mas, para alimentar esse desejo, me faltam o engenho não banguê e a arte de um Luiz Jatobá – saudoso locutor da BBC de Londres – que com sua melodiosa voz – característica de quem aprendeu todos os tons do “Solfejo de Rodolfo” – pudesse eu sonorizar diretamente num dos seus labirintos, levando o agradecimento violinificado, através da maravilha internetiana e das antigas Ondas de Hertz, quando ocorrer a sutil melodia de um tango argentino declamado pelo amigo, já que uma canção de Gardel não se canta, se declama.

    Do mármore travertino de Carrara, em cima do qual datilografo estas letras pintadas com luz, obrigo minha zona respiratória esqueleticorais, a aspirar fortemente os ventos temperados deste agosto, para dar um grito de emoção, bem no estilo de assistente de ópera italiana: “Bravo!”

    Com um abraço roxo, daqueles que amassa os óssos,
    Carlos Eduardo

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