Comentário sobre a postagem ARTE MATUTA – Patativa do Assaré
Jairo Juruna:
O belo poema ARTE MATUTA, de Patativa do Assaré, exalta a sabedoria empírica e a conexão profunda do homem sertanejo com a natureza.
Nesta obra o autor contrapõe o “livro artificial” (o saber por meio da educação formal das cidades) ao “livro natural” (as folhas, as aves e a mata).
Para ele, que via a natureza como escola, a verdadeira faculdade que teve foi crescer aprendendo diretamente com o meio ambiente.
Sinalizando que a presença de Deus é fortemente associada à pureza da vida simples, o poema sugere que a divindade é mais visível no canto das aves, na vida dos animais e na perfeição do canto do sabiá do que nas construções humanas.
Destaca-se no poema a ênfase na valorização da cultura matuta. O título e os versos defendem com maestria a arte matuta não como uma ignorância, mas como uma forma legítima e sensível de ler o mundo, onde a falta de estudo formal não impede a compreensão das belezas e verdades da vida.
Uma belezura de poema e de lição de vida, beleza pura!