MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Nosso bom amigo Marcos André Cavalcanti, advogado porreta da nossa terrinha, mandou uma mensagem no nosso grupo de zap (aliás, que acessa o JBF e quiser participar desse grupo é só avisar) sobre um projeto de Rosangela Moro sobre os tais bebês reborn. Hoje, logo cedo li no Poder 360 que um padre informou publicamente que não faria batizado de tais bebês, uma vereadora do PL entrou com um projeto na câmara municipal de São Paulo para proibir o atendimento de tais bebês no sistema de saúde público ou privado. Enfim, parece que a coisa vai gerar um grande debate, a meu ver, totalmente desnecessário.

Primeiro falemos sobre o projeto da vereadora de São Paulo. De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal, “a saúde é um direito de todos e um dever do estado”. Esse “todos” que aparece aí, nitidamente, se refere ao cidadão, indivíduo, pessoa física. Que adoece é a pessoa natural, que tem órgãos, que tem sangue circulando no corpo e que morre. Fazer um projeto para proibir que um médico dê atendimento a ser inanimado, parece acreditar na imbecilidade do médico ou dos atendentes do sistema de saúde.

Ressalvo que nesse Brasil tudo pode acontecer porque não faz muito tempo que um médico ginecologista não quis atender uma mulher trans (perdoe minha ignorância nesses termos, Maurino Júnior sabe explicar isso melhor do que eu, mas eu acho que mulher trans era o homem que virou mulher) porque ela/ele (sei lá) não tinha vagina, tinha próstata! O médico diz: “eu sou especialista em ginecologia, não sou urologista!” e vai preso por isso!

No caso de atendimento no setor privado, os cuidados são mais desnecessários porque o setor privado é sustentado pelos convênios, ou seja, pelos planos de saúde. E para ser atendido pelo plano ou você é titular ou você é dependente e a consulta só se realiza mediante autorização do plano. Ah! Existe a possibilidade de se colocar o bebê reborn “como dependente”. Bem, para se chegar nesse ponto, uma maternidade teria que emitir a guia de nascimento, um cartório teria que registrar o bebê e a certidão de nascimento ser parte do processo de credenciamento no plano de saúde. Chance? Perto de zero! Portanto, tempo perdido pela vereadora em elaborar um projeto, submeter para a apreciação, dar publicidade, ou seja, dinheiro público jogado fora.

Francamente, fui mais simpático com a opinião do padre quando sugeriu que os “pais de bebês reborn” procurassem um psiquiatra. Perfeito! A mente humana é frágil em diversos níveis e como exemplo a gente pode citar a gravidez psicológica. Uma situação em que a mente cria a sensação de geração de um feto e que a mulher vive aquilo ali como sendo realidade. Casos assim, necessitam de um acompanhamento médico e nesse contexto eu já insiro os casais que vão à justiça brigar pela guarda compartilhada do bebê reborn: vai para puta que pariu tabacudo!

O que eu acho de mais sacana é que esse bando de imbecis poderia contribuir com a redução de um problema social sério que a adoção. O acolhimento de crianças no Brasil vive em estado de penúria. Segundo o sistema de acolhimento existem cerca de 35 pretendentes registrados e 4500 crianças necessitando de um lar. Esse número expressivo de pretendentes decorre, entre outros fatores, a idade preferencial de, até, 4 anos.

É uma puta de uma sacanagem, uma pessoa usar seus com recursos para alimentar uma fantasia que a porra de um bebê reborn traz, quando se tem um problema social grave para se cuidar (peço desculpas: não é puta sacanagem, é doença mesmo). Então, as pessoas exigem olhos azuis ou verdes, cabelo loiros, pele branca, até 4 anos etc. e os órfãos acima de 10 (por exemplo, apenas 2% dos pretendentes aceitaram adotar uma criança com mais de 10 anos) e deixam de contribuir com uma criança que precisa de afeto, alimentação, educação etc. para brigar por uma droga de brinquedo. Deu problema, leva teu bebê na assistência como se faz com carro, telefone, televisão…essa porcaria não tem órgãos, tem peças que são substituíveis.

A constatação a que se chega é que, de fato, nossos valores estão em fase de extrema carência. Nós estamos perdendo o censo, o discernimento sobre o que é importante, sobre nosso papel na sociedade e sobre o funcionamento das instituições. O ideal seria impor uma punição pecuniária: abriu processo para ficar com bebê reborn? Não se analisa o mérito e ainda sentencia às partes a prestar serviços comunitários, dar cesta básica a orfanato por um período mínimo de um ano.

16 pensou em “BEBÊ REBORN

  1. Pois é meu caro Assuero, essa coisa de pais de reborn já encheu o saco. É tão estúpido que que não tenho piquá para discutir. Isso é coisa para psiquiatra; psicanalista e exorcista.

    Apenas quero falar sobre os projetos de lei.
    De fato, os profissionais de saúde não são idiotas a ponto de, sequer levar isso a sério.Porém, cabe um esclarecimento:

    Segundo minha filha enfermeira, tais leis visam dar aos profissionais um motivo “legal” para recusar o atendimento sem precisar discutir ou esculachar os tais “país”, embora eles merecessem…

    • Entendo, prezado Pablo. A justificativa maior é o artigo 196 ca Constituição Federal. A merda é que essa bosta é desrespeitada todo dia

  2. Isso cheira muito mal.
    Há uns 4 dias que essa conversinha ridícula começou. Depois de anos que apareceu, ressurgiu, do nada!
    Tenho certeza que é um relançamento publicitário, para otarios substituírem seus pets por um boneco. Mexendo seus dedos e controlando seus seus próprios bonequinhos retardados, o mercado nos faz comentar e analisar essa bobagem.
    E prosperam.
    Puta que pariu!

  3. Caro Assuero, do jeito que a bagunça tomou conta desse país, esperemos por coisas que nos deixarão de queixos caídos, cada dia aparece uma moda, creio eu de caso pensado, para tirarmos a atenção de algo maior e mais sério ocorrendo.

  4. Um amigo fez um comentário parecido. Enquanto se fala sobre essa babaquice, a gente vai esquecendo do INSS, vai deixando Tábata ser presidente da CPMI

  5. Está discussão idiota sobre os retorno né faz lembrar um cantor que hoje seria um sábio cantando o rock da cahorra. Eduardo dussek.
    “Troque seu reborn por uma criança pobre…”
    Uma dica pro peninha nos presentear com este rock

    • Essa música foi composta por Léo Jaime e foi um alerta para um problema social grave. Ele não queria que as cadelas fossem abandonadas, apenas dizer que tinha garoto que queria ter nascido pastor alemão. Ou seja, o carinho e atenção dada à cadela, superava o que era dado à criança pobre. Peninha irá lhe responder, com certeza.

  6. Pingback: ROCK DA CACHORRA | JORNAL DA BESTA FUBANA

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