MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Em fevereiro de 2021 escrevi aqui no JBF um texto falando sobre a autonomia do Banco Central. Passados dois anos eis-me aqui para tocar, novamente, nesse assunto diante da insistência do presidente eleito em criticar a política monetária adotada pelo BACEN pelo presidente Roberto Campos, eleito “melhor presidente de Banco Central do Mundo”. A politica mesquinha e míope do presidente em exercício passa pela extrema necessidade de falar merda sempre que abre a boca.

Em qualquer economia que se preze, o Banco Central é um instrumento de politica monetária. Nos Estados Unidos, Alan Greenspan foi presidente do Fed – Federal Reserve, por 20 anos. Enfrentou a crise provocada pelo atentado das Torres Gemes sem se importar com o que fazia George Walker Bush que, guardada as devidas proporções, também foi gerado no intestino tal qual o presidente brasileiro em exercício. Bush não se metia até mesmo porque não entendia patavinas de economia, apesar da sua graduação na Escola de Negócios de Harvard.

Esse ataque babaca ao Banco Central por parte do presidente em exercício requer uma simples pergunta: qual o interesse do presidente em exercício na condução da política monetária? Vamos pensar um pouco: a política fiscal é feita pelo congresso e presidente já conseguiu aprovar um orçamento com R$ 170 bilhões para distribuir aos seus eleitores como forma de agradecer os votos obtidos. Mas, no início do mês uma nova legislatura foi instalada e com ela uma perspectiva de um relacionamento conflituoso com o executivo. Então, na cabeça do jumento se vislumbra um horizonte de que sem a autonomia do BACEN ficaria mais fácil desviar as diretrizes para atender questões eleitoreiras do seu governo. Ledo engano.

O ano de 2023 começou com sinais contundentes de redução do crescimento econômico, de alta de inflação motivada, principalmente, pelo chute no controle fiscal e por uma série de declarações dadas com a forte conotação de que a inexistente política econômica desse governo será implementada de forma semelhante a operação “tapa buraco” que não suporta uma chuvinha mais forte. Inflação alta se combate com elevação da taxa de juros. Qualquer estudante de um curso introdutório de Macroeconomia sabe disso, menos o ministro da Fazenda e o presidente em exercício. A taxa de juros mais reduz o investimento, que é uma das variáveis do PIB, portanto, a sinalização da taxa de juros mais alta indica que vamos ter um PIB menor. Por essa razão o presidente resolveu criticar a política do banco central.

Não faz o menor sentido questionar a política do banco central. Na verdade, o governo poderia contribuir bastante com isso se tivesse responsabilidade, no entanto, a escola econômica em voga é aquela que coopta o indivíduo mediante os inúmeros programas sociais que, na essência, melhoram o consumo de uma família, mas que não geram patrimônio, ou seja, o cara come algo melhor porque tem uma renda, mas esta renda é insuficiente para gerar uma poupança que induza crescimento econômico.

Tem mais: o Banco Mundial deve ter produzido uma fake news quando divulgou dados econômicos do Brasil em 2020. Tivemos crescimento de 3,1%, inflação de 6%, desemprego em 8%, aí vem o atual governo falar de herança maldita e Haddad dizer que encontrou um rombo de R$ 300 bilhões nas contas públicas. É preciso encontrar um culpado para fracasso que se avizinha. Não bastasse tivemos algumas surpresas desagradáveis com as grandes empresas entrando com um processo de regime judicial. A crise começa a dar a fazer caras e bocas no mercado brasileiro.

Em meio a tanta bagunça observada em meros 40 dias, acabo associando a visão do dilúvio na época de Noé. Foram 40 dias para água baixar, mas por aqui já estamos com água no pescoço e vamos torcer para que não troquemos a água por uma corda. Eu continuo favorável a autonomia do Banco Central e espero que Roberto Campos cumpra seu mandato até 2024, conforme a lei, apesar da pressão que vai sofrer até lá. Temos grandes evoluções no sistema financeiro graças ao trabalho desse cara.

4 pensou em “BANCO CENTRAL

  1. O nine ladravaz ataca o BC apenas para desviar atenções em face de não ter qq plano de governo.
    Usa o BC como bode expiatório para o fracasso certo de seu desgoverno aparelhado com ministros imbecis.

  2. A análise do competentíssimo Assuero é a mais cristalina de todas as que aparecem diuturnamente (e noiturnamente, conforme um amigo petista) em toda essa maldita imprensa ignorante esquerdista que se vê por aí – e mesmo em alguns analistas ditos “liberais”, que têm o mesmo nível acadêmico de um Hadad.
    Parabéns, ilustre Mestre.
    Abraços,
    Magnovaldo

    • Meu amigo, desculpe a demora… com aluno para defender dissertação, projeto para fazer, processo para abrir, etc.. ontem de manhã dei uma entrevista numa rádio sobre a autonomia do banco central. A primeira pergunta que me fizeram foi: “o presidente do banco central participa de grupos bolsonaristas. O que o sr. acha disso?” Foi bem objetivo: a política que monetária que ele comanda é destinada aos brasileiros ou a um grupo específico? Enfim, dei um coice elegante. Ainda perguntei: Lula vai governar para quem votou nele? Os caras não tem o que dizer. Obrigado pela palavras

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