MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Se estes conceitos fundamentais fossem ensinados às crianças na escola, não seríamos um país de adultos irresponsáveis que acreditam em políticos populistas.

1 – Dinheiro não é riqueza.

Dinheiro é apenas um meio de troca, um facilitador de negócios. Por esta razão, não adianta o governo “criar” dinheiro do nada: quanto mais dinheiro ele criar, menos o dinheiro irá valer. Para produzir dinheiro basta imprimir pedaços de papel. Para produzir riqueza é preciso trabalho, inteligência e investimento em meios de produção.

2 – O valor das coisas é subjetivo.

Algumas pessoas gostam de samba, outras de ópera. Algumas não vivem sem churrasco, outras são vegetarianas. Não há como definir um valor “correto” para cada coisa, ou definir que X é mais “importante” ou “necessário” que Y. Isso só pode ser feito dando a cada um a liberdade de escolher e decidir, como consumidor e também como fornecedor. Não adianta definir que uma pessoa é rica porque tem determinado bem, se ela não dá valor a esse bem. A riqueza de uma pessoa só pode ser medida a partir de suas próprias definições de valor.

3 – Trabalhar, por si só, não cria valor.

Se alguém produzir e tentar vender sobretudos de lã em Manaus, ou pranchas de surfe em Belo Horizonte, não vai conseguir. Se alguém fizer sorvete de xuxu ou pizza de repolho, não poderá obrigar as outras pessoas a gostar. Uma mercadoria só vale aquilo que o consumidor acha que ela vale. Pensar que o valor de um objeto depende da quantidade de trabalho empregado equivale a dizer que um objeto produzido por alguém incompetente vale mais que um objeto igual produzido por um expert.

4 – É a produtividade o que determina os salários.

Como consequência da lei anterior, não é economicamente viável gastar na produção de algo um valor superior ao valor que o consumidor aceita pagar. Em outras palavras, uma empresa só pode pagar um salário X a alguém se a sua contribuição para o resultado final tiver no mínimo este mesmo valor X.

5 – O consumo é o objetivo final da produção.

Não faz sentido produzir algo que as pessoas não querem. A idéia de que gerar emprego é “responsabilidade social” é apenas demagogia e populismo. Se fosse verdade, bastaria criar um monte de fábricas de sorvete de xuxu e todos os problemas do mundo acabariam. A verdade é outra: riqueza é quando as pessoas podem escolher onde gastar aquilo que ganham. Quando são obrigadas a pagar por aquilo que não querem, não é riqueza, é ditadura.

6 – Nada é de graça; tudo tem custos.

Isso é bem óbvio, mas existe um grupo de pessoas chamado “governo” que se esforça muito em convencer as pessoas de que eles têm o poder de dar coisas de graça: é mentira, tudo que um governo dá foi tomado à força de alguém.

7 – Para consumir é necessário antes produzir.

Não adianta querer consumir algo que não existe. Quando existe gente querendo consumir mais do que se produz, só podem ocorrer duas coisas: os preços subirem ou alguém ficar sem aquilo que quer. É por isso que governos populistas que falam em “estimular o consumo” estão errados: oferta e demanda devem buscar o equilíbrio, quando se força a balança para o lado da demanda os preços sobem ou os produtos somem das prateleiras.

8 – Só pode consumir quem produziu.

Governos populistas gostam de estimular crédito para “aquecer a economia”. Este aumento artificial obviamente não pode durar para sempre. Quando ele acaba, quem consumiu mais do que produziu vai ter que parar de gastar e ainda pagar a dívida, ou seja, vai consumir menos do que antes, e todo o suposto “aquecimento” foi para o brejo. Em outras palavras, melhoras econômicas baseadas em aumento do consumo são sempre “vôo de galinha”. E, obviamente, se alguém não produz nada mas ainda assim consome, o nome disso é espoliação (mas quando o governo é cúmplice da espoliação, ele inventa outros nomes mais suaves).

9 – O lucro é a recompensa do empreendedor bem-sucedido

Para produzir, o empreendedor investe recursos, tempo e esforço, com a possibilidade de ganhar ou perder. Se as pessoas atribuirem valor ao que ele produz, seu empreendimento prosperará e trará lucro. Se um empreendimento exige mais recursos, mais esforços, ou o sucesso parece mais incerto, este empreendimento só acontecerá se houver a possibilidade de lucros maiores que compensem este risco. Quanto mais uma sociedade condenar ou restringir o lucro do empreendedor, menos empreendedores esta sociedade terá. No limite, uma economia que proíbe o lucro jamais verá surgirem novos produtos ou novas empresas, pois quem correria o risco de investir sem a possibilidade de ter lucros?

É possível ignorar e violar as leis fundamentais da economia, mas não é possível alterá-las. Sociedades que entenderem e respeitarem essas leis irão prosperar. Sociedades que tentarem “revogá-las” ou fingir que elas não existem sofrerão as consequências.

Baseado em um artigo do economista Antony Mueller.

Deixe uma resposta