JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Almerinda Farias Gama nasceu em 16/5/1/1899, em Maceió, AL. Advogada, escritora, jornalista, poeta, tradutora e sindicalista nas horas deo lazer. Foi uma das primeiras mulheres negras a ter participação destacada na política brasileira e pioneira no combate ao patriarcalismo. Costumava dizer que “A inteligência não tem sexo” e “Eu sempre, por instinto, me revoltei contra a desigualdade de direitos entre homem e mulher”.

Filha de Eulália da Rocha Gama e José Antônio Gama, ficou órfã do pai aos 8 anos e foi morar com uma tia em Belém do Pará. Já quase adulta fez curso de datilografia e pouco depois frequentou a Escola Prática de Comércio. Aos 21 anos passou a escrever crônicas para o jornal A Província. Aos 24 casou-se com o primo, o escritor Benigno Farias Gama, que escrevia para vários jornais, falecido 2 anos depois. Logo percebeu que o salário pago aos homens era o dobro daquele pago às datilógrafas.

Em 1929 mudou-se para o Rio de Janeiro e filiou-se à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), presidida pela bióloga Bertha Lutz, que a incentivou a criar o Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos, reconhecido em 1933. Na FBPF a pauta predominante era o direito ao voto feminino, conquistado em 1932. Outra conquista foi a criação de uma data para a comemoração do “Dia das Mães”, com o Decreto nº 21.366, de 5/5/1932, consagrando o segundo domingo de maio para a celebração da data no Brasil.

Pouco depois passou a colaborar com O Jornal, com a coluna “Para a mulher no lar”, onde escreveu diversos artigos sobre a falta de estímulos para a publicação de livros escritos por mulheres sobre, incluindo uma carta aberta ao escritor Humberto de Campos, contrário ao ingresso de mulheres na ABL-Academia Brasileira de Letras. Participou da Assembleia Constituinte de 1933, junto com a deputada Carlota Pereira de Queiroz, como delegada classista representando o Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos e a Federação do Trabalho do Distrito Federal. Candidatou-se a deputada federal em 1934, sem êxito. Em sua propaganda política dizia-se “Advogada consciente dos direitos das classes trabalhadoras, jornalista combativa e feminista de ação. Lutando pela independência econômica da mulher, pela garantia legal do trabalhador e pelo ensino obrigatório e gratuito de todos os brasileiros em todos os graus“.

Devido à sua atuação nas lutas pelo ensino obrigatório e gratuito, foi homenageada com seu nome dado ao “Ginásio Almerinda Gama”, dirigido por Laurentino Garrido, em São João do Meriti. Em seguida passou a dirigir o Partido Proletário Socialista, ao lado de Plínio Gomes de Melo, Vasco de Toledo, Waldemar Rikdal, João Vitaca e Orlando Ramos, entre outros. Permaneceu na direção do Partido até 1937, quando o Partido foi extinto com o golpe do Estado Novo. Por esta época concluiu o curso de Direito, em meados de 1935.

Junto a estas atividades, foi professora e tradutora dos idiomas francês, inglês e espanhol e publicou algumas coletâneas de poemas – Zumbi (1942) e O dedo de Luciano (1964), além de contos e crônicas em revistas e jornais do Rio de Janeiro. Em 1943, foi contratada como escrevente do 9º Ofício de Notas, onde trabalhou até 1967. Em 1984, concedeu ao CPDOC da FGV-Fundação Getúlio Vargas uma longa entrevista para o projeto Velhos Militantes, publicado em livro, pela Editora Zahar, em 1988.

Pouco antes de completar 100 anos, faleceu em 31/3/1999 em São Paulo. Em 2016 a Prefeitura de São Paulo instituiu o “Prêmio Almerinda Farias Gama”, para distinguir iniciativas na área das comunicações ligadas à defesa da população negra. Como biografia temos a dissertação de Mestrado em História na Universidade de Brasília, realizada por Patrícia Cibele Tenório, A trajetória de vida de Almerinda Farias Gama (1899-1999): feminismo, sindicalismo e identidade política, em 2020.

No canal Youtube temos dois belos documentários sobre sua trajetória:

ABVP – Almerinda, uma mulher de trinta

Almerinda, a luta continua

4 pensou em “AS BRASILEIRAS: Almerinda Gama

  1. Outra coluna que não me deixo passar sem a leitura.
    Já conheci cada vulto nacional!
    E já reencontrei outros tantos.

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