CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Antiga sala dedicada aos aposentados e entidades ligadas ao Banco do Brasil. Ao fundo o estandarte do BB na Folia e o boneco Capibão, homenagem perene a Capiba. A AABB mantem recinto dedicado aos antigos e valorosos associados

Quando se fala em Capiba pouco se sabe que Lourenço da Fonseca Barbosa, funcionário do Banco do Brasil, foi um dos elementos que mais elevaram o nome da Instituição; tanto que seu célebre apelido foi titulado nome de um dos melhores prédios do Banco no País: o Edf. Capiba, sede da Agência Centro do Recife.

E sendo quem foi, Capiba sempre estará a merecer ser citado em todos os temas ligados às entidades criadas por antigos e valorosos colaboradores daquela casa bancária, a quem tanto devemos.

Cabe aqui recordar, de forma significativa, as palavras de Souza Melo, no dia em que homenageamos aquele compositor, em 1984, face à comemoração dos seus 80 anos. Porém, deixamos para a parte final deste comentário as palavras daquele mestre.

Falando sobre o cotidiano de profissionais que trabalharam durante 30 anos na mesma profissão, devo afirmar que a aposentadoria nos nivela a todos. Nos mantém sob o mesmo patamar; porém, provoca um distanciamento que nos leva à solidão profissional.

Os “pós-laboras” – eis a moderna denominação – sofrem porque seus títulos, os chamados Cargos em Comissão, ficam para trás. Perdem seu efeito como estatus.

O chefe se torna igual ao funcionário mais simples, embora perdure o respeito e as naturais reverências. Os encontros diários vão se tornando raríssimos. As pessoas vão se esquecendo até das fisionomias e dos nomes daqueles com os quais conviveram em longo cotidiano de trabalho.

No Banco do Brasil, felizmente, ainda tivemos, para encurtar as distâncias e nos manter ligados, três instituições de funcionários que nos mantiveram mais próximos: a AAFBB – associação dos antigos, um clube sócio-esportivo e cultural: AABB e um Plano de Saúde: a Cassi.

Antigos e Valorosos – José Augusto de Melo, Deoclécio Vaz de Medeiros, Henrique Wien, Evaldo Armando Oliveira, Milton Persivo Rios Cunha, Anísio do Monte Portela, Lourenço da Fonseca Barbosa, Álvaro Aragão Brito, Nelson Ribeiro e Humberto Leitão da Silva. Foto de Phebus Alves

Até os anos 60 ainda contávamos com uma boa frequência na Sala dos Aposentados, situado no mesmo prédio da maior agência do Recife, na Av. Rio Branco. Até os antiguíssimos ali se reuniam com maior frequência às quintas-feiras, sem que um programa específico houvesse. Era pura e simplesmente para zoar.

Entretanto, na AABB, essa reintegração se faz de modo mais amplo, pois permite que as famílias também façam parte da mesma confraria. Até se procurou congregá-los mais, com a implantação de um ambiente só para eles e as entidades ligadas ao Banco: uma sala especial no Clube.

O local se tornou animado. Havia exposições de arte, conferências, sessões de integração com a Academia de Artes e Letras, conferências da Cassi, horas de arte com pianistas e cantores. Enfim, a sala estava sempre cheia. A confraternização era permanente.

Foi um marco de reivindicações antigas a inauguração da Sala Mílton Persivo Cunha, que se notabilizou com o apelido de Sala dos Aposentados.

Mas a participação foi definhando até que a sala se tornou pouco utilizada. E infelizmente, por isso, foi transferida para um “esconderijo” no 1º andar da AABB, que jamais terá o mesmo glamour de outros dias.

A biografia, o jovem artista e o funcionário aposentado

Sobre o tema, jamais esqueci texto de um dos mais sábios colegas que tivemos: Álvaro de Souza Melo Filho, quando naquela noite, durante esplendorosa festa lançamos sua primeira biografia – “Capiba, sua vida e suas canções” – e ele discursou. Dessa fala, sempre com emoção, tenho repetido suas imorredouras palavras:

Éramos muitos iguais na variedade, variados na unidade e únicos na diversidade. Hoje somos poucos em pleno vigor da atualidade. Os que continuam agradecem a Deus esse crédito de vida para a continuidade das celebrações que acontecem com frequência e têm sabor de uma oração em agradecimento.

Fomos ao entanto, sendo menos ao longo dessa maravilhosa convivência, tanto no trabalho quanto em nossas duas instituições, que nos uniu como escola de valores éticos e morais.

Em toda existência, entretanto, se chega a um momento de tomar consciência de ter irremediavelmente atravessado uma fronteira. Atravessamos a nossa.

Naqueles locais quase sagrados nos reencontrávamos para viver saudades. Todos os dias notava-se um variado público de colegas. Todos tinham em vista recordar momentos e rever amigos.

Por isso, esses lugares nos devolvem um ar de encantadora magia, incomparável reencontro com o tempo perdido; o nosso ontem sempre relembrado em nossas conversas.

13 pensou em “ANTIGOS E VALOROSOS

  1. Prezado Carlos Eduardo,

    Evaldo Armando Oliveira é meu pai. Peguei esta foto e mandei para ele.

    O velho está com 94 anos e casou pela quarta vez. É um otimista! Acredita na ressurreição da carne e na vida eterna, se é que me entendes…

    Está nos dando um trabalho danado (Para segurá-lo quieto no mesmo lugar). Todos os seus irmãos passaram dos 100 anos.

    • JBF é isso e muito mais… Uma foto, um nome… velhos amigos. Inveja boa da porra de vocês dois, pois perdi meu amado pai quando eu tinha apenas 13 anos, enquanto vocês estão em plena forma (graças ao bom Deus) e o pai do Adônis ainda promove a ressurreição da “carne” (que seja eterna, enquanto dura!!!).
      Um beijo no coração dos três.Vida longa aos meus reis fubânicos.

      • Caro Sancho,

        A única coisa que faz a vida vale a pena de ser vivida é a convivência com gente iluminada, tal qual a maioria absoluta de nossos amigos fubânicos.

        Grande abraço e muito obrigado pelas gentis palavras.

  2. Fico muito feliz em saber que você é filho de um dos meus melhores amigos.

    Vivemos em paralelo, com amizade sólida e admiração mútua, há mais de 60 anos.

    O “Inspetor Prateado”, com sua letra magnífica e a competência contábil invulgar, para declarar meus Impostos de Renda, ficarão para sempre na memória.

    Gostaria de ouvi-lo por telefone,

    Preciso lhe mandar fotos do meu arquivo, para alegrá-lo.

    Estou com 84 já chegando perto dos 90tinha dele. Kkkk.

    Mande-me seu e-mail. Disponha do 9.9880.0038 – santosce@hotmail.com.

    Ganhei meu dia!

    Um abração muito especial. Os filhos de meus amigos pertencem às mesmas categorias dos pais.

    Hoje começamos nova amizade tão pura e sólida quanto aquela do grande Evaldo.

  3. Prezado Carlos Eduardo,

    Eu também fiquei muito feliz por saber da sua antiga amizade com meu pai.

    Vou entrar em contato com ele e lhe informar dos seus contatos.

    Eu moro atualmente em Teresina mas estou indo a Recife na próxima semana. Pode ter certeza que lhe contactaremos.

    Grande abraço.

    P.S. Sou assíduo leitor e admirador de suas belas crônicas.

    • Caro Adonis,

      Ele me falou uma vez que um dos seus filhos estava inicjando um negócio com equipamentos flourescentes, coisa assim… Teria sido você…

      No próximo sábado vou soltar outra crônica pouco séria e falarei em seu pai, novamente:

      Pegue aí, em primeira mão:

      INSPETOR SÓ-LHE-METE – Inspetor de Banco já não é boa coisa e existiam, no meu tempo, uns terríveis. Assim era Marcílio Simonette. Sua fama era chegar e com dois meses de trabalho nas agências o Gerente “voava”. Evaldo Oliveira, muito ladino, resolveu batizá-lo como: “Inspetor Só Lhe Mete”.

  4. Prezado Sr. Carlos Eduardo Carvalho dos Santos:

    Parabéns pela belíssima crônica sobre o Banco do Brasil, do qual o senhor é funcionário aposentado.
    Sou viúva de um funcionário do Banco do Brasil, em Natal, Agência Centro, e sócia da AABB e AFFAB.
    Sua crônica me emocionou, pois, se vivo fosse, meu marido, Eros Caldas de Araújo Pereira, também, já estaria aposentado. Ele se encantou em 1981, aos quarenta anos, vítima de acidente.

    Gostei muito de saber que o grande compositor Capiba, também era funcionário do Banco do Brasil, seu grande amigo e colega de trabalho.

    Essas coisas boas da vida, a gente nunca esquece.

    Vou compartilhar sua crônica com a AFFAB e sei que a diretoria vai gostar imensamente.

    Um abraço! Muita Saúde e Paz!

  5. Corrigindo: AFABB/RN.

    ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DO BANCO DO BRASIL NO RIO GRANDE DO NORTE – AFABB-RN.

  6. Cara Violante,

    Seu comentário alarga minha convicção de que devo continuar comentando o tema sobre os ANTIGOS E VALOROSOS, a quem o Banco tanto deve.

    Mande-me seu e-mail que me permitirá lhe remeter muita coisa interessante a respeito do assunto.

    Ficamos sensibilizados – a família inteira – por suas gentis palavras e saiba que sou, igualmente, seu leitor.

    Fraternal abraço e Bom Domingo!

  7. Obrigada pela atenção, prezado Colunista Carlos Eduardo dos Santos!

    Muita Saúde e Bom domingo para o senhor também!

    Violante Pimentel

  8. Muito bom encontrar um artigo como este. Ao ler pude refletir sobre a importância de mantermos acessa a lembrança de um passado que não deve ser esquecido, mas sim comemorado. Venho mantendo inúmeros contatos e encontros com os meus amigos de infância. E que infância! Nas décadas de 50 e 60. Sempre relembramos a importância todos e , principalmente, dos que já se foram, valorizando assim, cada vez os nossos contatos. Nós somos da geração que se emocionava em pegar na mãos das meninas, da bolinha de gude, do carinho de rolimã, da ficha telefônica, do telefone de discar e teclas, das doloridas agulhas de injeção, do cuba live e Hi-Fi e por aí vai…

  9. Caro Deco,

    Nunca ficaremos velhos se vez por outra estivermos abrindo janelas do passado.

    Sobretudo se esse passado nos for tão precioso.

    Recordar nem sempre é querer que o tempo volte, mas achar graça no contraste das comparações, já disse o Grande Fernando Lobo.

    Grato por seu comentário.

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