JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

Dona Pedrelina, de São Gonçalo do Rio Preto, no seio do Vale do Jequitinhonha. Foto do retratista Tom Alves

Era o prazer de vovó
Enquanto a trempe esquentava
No velho fogão de lenha
Da comida ela cuidava
Mal saía da cozinha
Fazia tudo sozinha
Com prazer, não reclamava.

Quando mais gente chegava
Não havia reclamação
Pois, tinha lugar pra todos
Dentro do seu coração
Com imensurável alegria
Vovó do pote trazia
Mais água para o feijão.

Nunca fiz comparação
Ao sabor de sua panela
Acho até que era amor
Que vovó tirava dela
Agora resta, é verdade,
Só o gosto da saudade
De minha vovó tão bela!

4 pensou em “AMOR TEMPERO

  1. Grato pelo poema, Jesus de Ritinha de Miúdo,

    Isso são lembranças de mamãe no fogão de lenha lá no sítio São Francisco em Lagoa do Carro (PE).

    Cinco da matina, lá estava ela acordada dando de ração às galinhas de capoeira, as cabras, os burros, as vacas e tirando o leitezinho das rés paridas para os bruêlos que já estavam dentro do mato colhendo capim engolirem no reforçado café da manhã.

    Eita vida de amor, de Mamãe!!!!

    Após esses afazeres, ela seguia para a cozinha para fazer aquilo que mais gostava, como Dona Pedrelina: pôr a panela de feijão no fogão de lenha com charque, toucinho, tripa de porco…

    Uma curiosidade que eu não entendia em mamãe: até hoje não consigo imaginar por que ela sempre acertava na quantidade de feijão para cozinhar, mesmo quando chegava visitas?

    Premonição?

    Experiência do dia a dia?

    Sabedoria?

    Valeu, grande poeta.

    Dona Pedrelina é mamãe!

    • Cícero, eu me emocionei com sua narrativa.
      Iguais a sua mãe e Dona Pedrelina existem muitas heroínas nesse Brasil continental.
      As histórias se repetem na lida, no amor aos filhos, aos animais, à terra e a devoção à família.
      Um abraço.

    • Grato pelo poema, Gigantesco (miúdo é o carai, porra!!!!!),

      Isso são lembranças de papai, o velho Nelson Pança no fogão de lenha.

      Cinco da matina, lá estávamos, Sancho e Nelson fazendo o café para depois ir pra roça.

      Irmano-me a Ciço

      Valeu, grande poeta.

      Nelson Pança é papai de Sancho, um portuga invocado (Beijão aí onde estiver, seu portuga fio da puta, que tanto amo!)

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