MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Em 2009, o New York Times elogiou fartamente o presidente Obama pela “normalização” das relações com a Rússia, que haviam se “deteriorado de forma alarmante” durante o governo Bush. O jornal elogiava Obama por “não deixar os fantasmas do século 20 atrapalharem os objetivos do século 21”. O historiador britânico Geoffrey Wheatcroft explicou: “A Rússia de Putin, embora desagradável, dificilmente representa uma ameaça estratégica”.

Em 2012, Mitt Romney foi o adversário de Obama nas eleições. Na campanha, ele descreveu a Rússia como “nosso inimigo geopolítico número 1”. O New York Times disse que sua declaração refletia “ou uma chocante falta de conhecimento sobre assuntos internacionais ou simplesmente covardia política”. A BBC citou “especialistas” que disseram que as palavras de Romney refletiam sua “falta de experiência em política externa”.

Em 2016, disputando a nomeação republicana, Trump disse ser a favor de boas relações com a Rússia, e disse que talvez não fosse boa idéia admitir todos os países da Europa na OTAN, o que deixaria a Rússia “psicoticamente isolada”.

Os demais candidatos republicanos reagiram: Jeb Bush disse “não é assim que o mundo real funciona!”. Marco Rubio chamou Putin de gangster. Carly Fiorina prometeu “reconstruir a Sexta Frota debaixo do nariz do Putin, reativar o programa de mísseis na Polônia, fazer alguns exercícios militares bem agressivos nos países Bálticos, e colocar mais alguns milhares de soldados na Alemanha”. Como se sabe, os eleitores escolheram o candidato que preferia um relacionamento melhor com a Rússia.

Quando Trump ganhou a eleição, toda a imprensa correu para afirmar que tinha havido um gigantesco golpe perpetrado pela Rússia, que como todo mundo sabe é o país mais malvado do universo. A prova? Trump teria prometido a Putin não vender armas para a Ucrânia. Trump era aliado da Rússia. Oh, Horror.

Quando a imprensa condenou Trump, não lembrou-se que outras pessoas também eram contra a venda de armas para a Ucrânia, como por exemplo o ex-presidente Obama ou a chanceler Angela Merkel. No ano anterior, o New York Times (ele de novo) havia publicado uma entrevista com Matthew Rojansky, que explicou que vender armas para a Ucrânia “colocaria os EUA em uma posição hostil à Rússia, que é o único país do mundo com poder para destruir os EUA”. O NYT acrescentou que essa visão era apoiada por “vários especialistas” (de novo).

Menos de um ano depois de eleito, o presidente Trump, aquele que com toda certeza era aliado de Putin, vendeu armas para a Ucrânia.

Você não conseguiu entender se afinal a Guerra Fria acabou ou não, e se é melhor ser amigo ou inimigo da Rússia? Eu também não. Como dizia Chacrinha, eles vieram para confundir, não para explicar.

Um comentário em “AMIGOS E INIMIGOS

  1. Trump foi processado por supostamente ter sido ajudado pela Rússia durante sua campanha. Passou todo o seu mandato tendo que se defender desta acusações, que depois se mostraram falsas.

    Trump era temido pelos europeus. Numa reunião G-7 na Europa enquadrou a Merkel pela política de dependência energética da Rússia e por aplicar apenas 1% do PIB da Alemanha na defesa. Angela fez cara feia (normal) e a imprensa odiou a atitude do Trump.

    Ao final ficou provado que Trump tinha razão nisso. Aqui estamos nos acostumando com história semelhante, só que com Bolsonaro

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