JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

Cante mais de girassóis
Das ruas todas andadas
Do amor de cem mil cães
Por cem mil onças pintadas
Fale da anunciação
De Inês com seu coração
Das tropicanas chupadas.

Quero ouvir das alvoradas
Da lua e da solidão
Daquele cavalo doido
Feito de pau e paixão
Boa Viagem, aquarela
Da tarde com sua bela
Pois, vem chegando o verão.

Me fale da procissão
Por qualquer uma senhora
Que seja novilha rara
De Olinda ou lá de fora
Fale de Belle de Jour
E seus beijos de uruçu
Que o tempo sempre melhora.

Diga sem muita demora
Desse seu peito atrevido
Encourado, cavalheiro,
Andante e destemido
Vaqueiro de mil canções
Curandeiro de emoções
Sentinela do sentido.

Violeiro enternecido
Agricultor de poesia
Diga “sou Alceu Valença!
Mago-cantor da magia
Prendendo o tempo no vento
Ruminando o sentimento
Do amor e da alegria.”

Depois respire fundo e grite: “Ah, hei! Ah, hei!”

8 pensou em “ALCEU VALENÇA

    • Sou fã desse cabra desde o LP Cavalo de Pau.
      Para mim, ele é um dos maiores expoentes da nação nordestina!

  1. Sou um grande fan de Alceu Valença. Um grande cantor, uma grande personalidade que retrata muito bem a musicalidade nordestina.

  2. LENDO ALCEU VALENÇA

    Me lembrei de uma entrevista concedida por Alceu Valença na varanda de sua casa em Olinda comentando como conheceu Jackson do Pandeiro na intimidade de sua casa NO Rio de Janeiro – RJ, com a esposa fazendo-lhe as unhas.
    Nessa época, segundo Alceu, ele ouvia muito rádio e Jackson no Pandeiro estava no auge do sucesso.

    A música PAPAGAIO DO FUTURO, coco genial composto pelo grande Alceu Valença, foi classificado para o FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO, mas apesar do entusiasmo de Jackson do Pandeiro para participá-la no aludido festival, tudo deu por água abaixo porque o som que saia do amplificador era uma porcaria, e Jackson do Pandeiro, com ouvido ABSOLUTO, já previa o que iria acontecer: A DESCLASSIFICAÇÃO.

    Esse é o filho de São Bento do Una, “maestriamente” retratado no poema de Jesus de Ritinha de Miúdo, Alceu Valença e seu Cavalo de Pau.

    Valeu, poeta Ritinha!

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