DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

Uma troca de versos desta colunista com o colunista Xico Bizerra.

Rolinha-roxa

Um homem que não tem rola
É homem pela metade
Não tem mulher que lhe queira
Esta, uma grande verdade
Por isso que a minha rola
É minha maior vaidade.

Xico Bizerra

Admiro muito um homem
Pela rola que ele tem
Pra ela fica formosa
Deixo comer meu xerém
E ainda coço a cabeça
E chamo de meu neném.

Dalinha Catunda

Ela é grande e bonita
Coisa mais linda do mundo
Quem um dia já lhe viu
Tem por ela amor profundo
Guardo ela na varanda
No quintal, boto no fundo.

Xico Bizerra

Uma rola desse naipe
Eu garanto que é burguesa
Na varanda ou no quintal
Eu não vou ficar surpresa
Que alguém venha se apossar
Dessa pombinha indefesa.

Dalinha Catunda

Mas o mais bonito dela
É seu canto mavioso
Quando canta, ajunta gente
Ouvindo o canto gostoso
Minha rola é um passarinho
Deixe de ser tão maldoso,

Xico Bizerra

Amigo, uma rola dessa
Que canta com precisão
Eu abro a minha gaiola
Prendo no meu alçapão
Deixo dormir no meu oco
E não devolvo mais não.

Dalinha Catunda

Dalinha, tu és danada
De minha rola sem medo
Vou te levar de presente
Chego por aí bem cedo
Depois tu conta pro povo
Como foi o nosso enredo.

Xico Bizerra

Xico você pode vir
Vou ficar de prontidão
Se você me trouxer rola
Vou depenar no fogão
E depois vou temperar
Para nossa refeição.

Dalinha Catunda

5 pensou em “A ROLA DE XICO BIZERRA

  1. Xico está numa bifurcação glosariana,

    Se de um lado Dalinha Catunda lhe mostra a rola ele se nega a pegar (em verso), do outro, tem de segurar a rolinha senão fica com a mandioca de Terezinha (Dalinha):

  2. Se tiver que escollher entre pegar uma rola estranha ou segurar a mandioca que não me pertence, prefiro ficar com a minha própria rola quietinha em seu lugar, enquanto aparece um ninho gostoso que lhe acolha.

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