As revelações envolvendo o Banco Master continuam em ascensão e causando estragos de toda sorte e a bola da vez passou a ser Flávio Bolsonaro. Do meu ponto de vista, o contato com o banqueiro solicitando apoio para um filme, acaba se justificando com as palavras que ele disse numa entrevista à Globo News, ou seja, quando Daniel Vorcaro foi procurado, não havia esse lamaçal que foi descoberto com a sua prisão.
A lista de beneficiários que, efetivamente, receberam dinheiro passa por integrantes do governo atual ou por pessoas que integraram o governo, como Ricardo Lewandowski, Guido Mantega, a nora de Jacques Wagner, Temer, Carlos Massa, Alexandre de Morais com seus R$ 129 milhões, dos quais, R$ 80 milhões foram transferidos para o escritório da esposa dele a título de “serviços advocatícios”. Nenhuma conversa foi registrada entre cliente e escritório, mas o dinheiro foi devidamente pago.
Sabe-se que o presidente atual teve reunião fora da agenda com Vorcaro e ainda na presença do seu ministro da Casa Civil, do presidente do banco central e de outras pessoas influentes, mas nada disso importa. O que importa é o fato de Romeu Zema ter recebido R$ 1 milhão de Vorcaro como financiamento de campanha. Observe que isso é completamente diferente do que aconteceu com o mensalão e petrolão. Apesar de haver financiamentos para campanhas de todos os partidos, de quase todos os candidatos, estes dois casos foram emblemáticos.
Romeu Zema pegou um estado decapitado pelos vícios do petista Pimentel. O cara quebrou o estado, a ponto de funcionário público receber salário de forma parcelada. Zema equilibrou as contas do estado se desfazendo dos absurdos que Pimentel praticara. Vendeu ativos do estado que eram usados apenas para demonstração das vaidades.
Na minha opinião, o problema de Zema e Flávio são idênticos: não foi o fato de ter recebido dinheiro para uma campanha eleitoral ou ter solicitado recursos para apoiar a produção de um filme. O erro de ambos foi não tratar disso com transparência. Seria mais coerente que ambos admitissem o contato, explicasse os motivos e enfatizasse que esse contato não se deu nos moldes do caso de Alexandre de Morais ou de Lewandowski. Ficaria mais coerente não tentar esconder. Tanto Zema como Flávio são de oposição ao governo e usar eles dois como meio de acesso aos programas do governo, seria perda de tempo.
O ruim de tudo isso é a credibilidade que fica abalada. Zema estava produzindo uma série de vídeos sobre os “intocáveis” que incomodou tanto Gilmar Mendes a ponto de ele solicitar que Zema fosse investigado no âmbito do inquérito do fim do mundo. Agora, o que fica é o discurso de que “você recebeu dinheiro de Vorcaro para sua campanha”. Por mais que isso tenha sido feito num momento anterior e que tenha sido feito com total lisura, não importa. O que importa é que ele procurou esconder. Insisto: entendo que esse caso de Zema é diferente de toda nojeira praticada no mensalão ou no petrolão onde a Odebrecht tinha uma planilha com nomes de políticos e uma diretoria de operações estruturadas que formalizou o processo de pagamento de propina.
No caso de Flávio, a entrevista na Globo News era para “tirar o couro”, mas ele conseguiu calar os entrevistadores quando citou que o programa de Luciano Huck recebeu R$ 160 milhões de Vorcaro. Ora, poderão dizer que tudo isso foi lícito, mas não poderão negar que o dinheiro foi transferido e usado. Vejam como há uma enorme diferença entre os casos mais escabrosos com Alexandre de Morais e Lewandowski. Nestes dois casos, os citados insistem que havia um contrato de prestação de serviços e que o acordo era o cumprimento desse contrato. Nos dois foi a solicitação de recursos para um filme e um financiamento de campanha que pode ser devidamente comprovado.
O estrago foi feito. Vi alguns comentários de pessoas simpáticas ao governo dizendo que “na corrupção do banco master tem o DNA da família Bolsonaro”. Não importa a relação de petistas envolvidos nesse rolo e, o mais estranho é que estas mesmas pessoas que fazem esse tipo de comentário, são as mesmas que não publicaram nas redes sociais uma linha sequer sobre o banco master.
Há uma campanha eleitoral se avizinhando e até a semana passado o presidente atual estava desidratando naturalmente. O índice de rejeição ao seu governo cresce a cada divulgação. Agora, os demais candidatos serão afetados negativamente por essa repercussão.
É bom lembrar daquela máxima: “a mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta.”
Como já disse ontem, o que ocorreu em relação ao Flávio e Vorcaro foi uma transação comercial entre um pessoal que queria produzir um filme e um investidor. Isso ocorreu em relação a um filme do Loola e do Temer em relação ao mesmo Banqueiro.
Neste caso só Flávio é a mulher de Cesar?
Vamos ao Zema. Sua atuação como Governador de MG não tinha como ser pior do que a do Pimentel do PT, impossível. Dito isso, em relação aos incentivos fiscais dados à empresa de um doador de sua campanha (Salim Mattar) é algo estranho às políticas que o NOVO prega. Também tem a privatização da CEMIG para a J&F, também estranha.
Mais ainda, Zema não esperou nem 1 hora entre a divulgação do áudio do Flávio para o Vorcaro para se dizer indignado e enojado com seu conteúdo. O fato dele ter aceito doação do Vorcaro (não é o fato em si, mas a hipocrisia) deixaram o ex governador muito mal perante a opinião pública, a ponto até de correligionários do Novo o criticarem.
Repito, caro Maurício, cabe aos tios e tias do Zap carregarem Flávio no colo, com todos os seus defeitos, pois as alternativas são terríveis. Não dá para ficar em cima do muro.
Caro Assuero e seus textos dos domingos porreta, como falamos aqui no nordeste. Vi toda explicação do Mário Frias na live do Cláudio Dantas, o nome Vorcaro é tóxico, ainda mais quando alguém conservador teve algum relacionamento com o mesmo. Quanto ao Zema, foi apressado e aproveitador de um momento onde seria preciso cautela. Sinceramente, eu e familiares estamos fechados com candidatos conservadores, que não estejam sendo maís um a usar o nome de nosso presidente Bolsonaro, e chegando ao poder, cuspir no prato que comeu.