Dia desses Tico marcou encontro com Teco, esbarraram-se na sala do meu juízo. Foi quando resolvi escrever esta croniqueta. Desculpem vocês, a culpa é dos neurônios travessos que costumam brincar na parte superior do meu corpo, pouco abaixo dos meus embranquecidos cabelos.
O sim era a única palavra que Estefânia aprendera a dizer quando lhe pediam algo. Desde a mais tenra idade, sempre sim, sempre assim. Foi criada consentindo e desconhecia a não-confirmação, fosse do que fosse: só existia essa palavra em seu parco dicionário. Em casa, na escola, em seus dias, tardes e noites.
Desde cedo, quando sua mãe lhe levava à igreja e ela, sem nenhuma vontade de ir, ia sempre. À contragosto, seguia com a mãe e até comungava, por exigência dela. Mocinha, mesmo sem querer, disse sim à proposta de namoro do filho do Coronel, que tinha as piores das intenções com aquele namoro concordado.
Tantos sins disse na vida sem nunca ter aprendido a dizer não que se tornou escrava do consentimento. O do altar foi apenas um começo de vários outros que se seguiriam, atestado de conformismo firmado com a conveniência.
Quando aprendeu a dizer não já era tarde: o de acordo tantas vezes dito e repetido não lhe permitiu definir, a seu favor, os desejos e vontades no plebiscito do destino. Escrava da não identidade, da aceitação incondicional, Estefânia nunca foi feliz. Aceitou tudo e facilitou a vida de muitos, complicando a sua própria. E assim se foi, sem identidade, postura de aceitação incondicional, escrava do sim, tantas vezes desejosa do não. Pobre Estefânia.